Quantas vidas tem um Gato?

Os menos distraídos podem ter reparado que depois de tanto escarcéu afinal o Gato Vadio não bateu com a porta. Longas reuniões e assembleias, com direito a algumas bufadelas e arranhadelas, a gataria não descansou.... Afinal existiam pessoas associadas inconformadas com as notícias do fecho que se uniram pela vontade de manter o Gato. Vai-se a ver e o incumprimento dos prazos legais de aviso de não-renovação do contrato permitiu ficar tal e qual.... e há a esperança que se mantenha até dezembro de 2019.

A solução?
Não é mais do que o processo já em curso: 12 vadios, novos e velhos, chegaram-se à frente para garantir a maioria das tarefas e turnos necessários à abertura do Gato nos próximos meses. Velha guarda e sangue novo – uns mais cépticos, outros mesmo cáusticos – a experimentar outras formas de cuidar da associação mantendo a sua natureza vadia.

Vão ter de nos continuar a aturar por cá! E depois logo se vê.

O Gato Vadio está vivinho da silva e recomenda-se – já perdemos a conta às vidas que passaram.
Por isso aparece, maldiz, propõe, ronrona, associa-te.... faz-te Vadio! - Saco de Gatos
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Black Gold (Ethiopia)

Marc Francis e Nick Francis

Quinta-feira, dia 4 de Março, 22h

África – Ciclo de Documentários

Gato Vadio

Entrada Livre

A Etiópia é um dos mais antigos países do mundo. Considerando que a maioria dos Estados africanos têm muito menos de um século de idade, a Etiópia foi continuamente um país independente desde tempos remotos. Quando o continente africano foi dividido entre as potências europeias na Conferência de Berlim, realizada em 1884/1885 e na sequência de uma proposta feita por essa raça pequeno-fedorenta do Reinado português, a Etiópia foi um dos dois únicos países que mantiveram sua independência.

Recentemente, investigadores provaram que a Etiópia é um dos sítios onde há mais tempo existiu vida humana e dois artigos científicos chegam mesmo a aventar a hipótese de o território etíope ter sido o berço do homo sapiens. (ver Ethiopia is top choice for cradle of Homo Sapiens, Nature, 16 de Fevereiro de 2005; e "Worldwide Human Relationships Inferred from Genome-Wide Patterns of Variation", Science, Fevereiro de 2008).




Milhares e milhares de anos depois, o homo sapiens desenvolveu uma estirpe mais desenvolta, mais expansiva, o homem branco. O homem branco, que se especializou na ideologia branca e que racionalizou a pilhagem, a vilania, a mentira, a tortura e a submissão, impôs-se ao longo de séculos de Ceuta ao Mar Vermelho, da Libéria à Beira, de Lomé a Madagáscar, a ponto de homens pretos, vermelhos e amarelos, terem aprendido a sua cultura expansiva e desenvolta para se especializarem também nas suas funções de poder e imporem à força de chicote, à sirga da fome ou a expendas da refinação de petróleo, o seu império de atrocidades.

Aproximadamente 80% da população etíope sobrevive da agricultura, espinha dorsal da economia. As exportações principais são o café e uma planta conhecida por qat, que possui propriedades psicotrópicas quando mascada. As condições naturais são favoráveis à agricultura, mas as técnicas agrícolas são arcaicas e, portanto, a produção limita-se ao nível da subsistência. Por outras palavras, as condições foram e são favoráveis à exploração exercida por uma oligarquia, estrangeira ou autóctone (ou em concubinato, como é hoje apanágio do mundo CNN-ONU-EU) e o limiar de sobrevivência da maioria da população é assegurada apenas pela necessidade de manter a estabilidade da exploração e do esbulho.

Metade da população sofre de subnutrição crónica. Mas o progresso é isto, uma década atrás essa percentagem era de 51% e é graças ao império das empresas de café (Nestlé, StarBucks…) e aos corretores de Nova Iorque (puros-genoma da estirpe branca do Homo Sapiens) que decidem o preço do café a 10 mil km de distância dos etíopes que vergam a mola nas plantações, que 1 % dos etíopes podem hoje agradecer a notória evolução estatística.

Filmado em 2006, o documentário Black Gold retrata a política de roubo e o florescente negócio de café para 4 ou 5 ganipanços enquanto à volta se produz a miséria de sempre. Aquilo a que a Wikipedia chama de international coffee trade.

Apesar das cinco grandes firmas que mercantilizam o café serem várias vezes citadas ao longo do documentário, todas sem excepção (Starbucks, Sara Lee, Procter & Gamble, Kraft e Nestlé) recusaram os convites para serem entrevistadas.

Black Gold (Ethiopia)

Marc Francis e Nick Francis

2006

77min.



(ver programa completo "clicando" no cartaz)


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