alberto pimenta & césar figueiredo


domingo, 1 de Março, 16h30

Gato Vadio, rua do rosário 281 Porto

AUTOBIOGRAPHIE MUTUELLES AUTOBIOGRAPHIE MUTUELLES AUTOBIOGRAPHIE MUTUELLES

Alberto Pimenta e César Figueiredo regressam ao Gato Vadio para apresentarem a 2ª edição de AUTOBIOGRAPHIE MUTUELLES.



alberto pimenta na Gato Vadio - pequeno vídeo

Oha a Bola!

maja marek

Querido público,


O Público voltou a atacar. Desta vez, na edição de segunda-feira (9 de Fevereiro) a propósito de um problema profundo que corrói a cidade do Porto. O artigo em causa fervilha de originalidade e pertinência, logo a abrir com o título a dar ênfase à excepcionalidade: “O local [rua do Rosário, Porto] onde o comércio tradicional convive pacificamente com propostas alternativas”. De supetão!, ficámos alarmados!, pois não tínhamos conhecimento da guerra aberta travada nos quarteirões vizinhos entre o ditoso comércio tradicional e o benquisto comércio alternativo. E receosos, muito acagaçados mesmo, já que a partir de agora passámos a temer que o magarefe do talho da frente nos atinja com um bife do vazio na cachimónia.





Mas passemos ao parágrafo onde fomos enfaixados e ao remate final do repórter, a instigar à fobia: “Se politicamente se situa à direita, não chegue nem perto.” Frase que contribui para alimentar a psicose geral vivida na cidade do Porto e baldios (passe a redundância…) e, grosseiramente, para afastar do nosso redil uma caça tão apetecível ao nosso instinto felino – pressurosos, vamos ainda instruir um processo de indemnização ao ministério do Público por danos colaterais ao negócio.

Talvez amedrontado por causa da pedra que simbolicamente esteve na montra durante as semanas de bombardeamentos do Estado de Israel aos territórios da Palestina – era vê-los a fugir a sete pés pela pacífica rua do Rosário assustados pela inócua dissidência da Intifada Vadia –, talvez insultado pela Gato Vadio promover sessões de documentários e filmes sem meios nenhuns enquanto ao fundo da rua o Cineclube ganha bolor – o tal da “longa história” como lembra o jornalista na sua peça sem lhe ocorrer perguntar o que é que faz um Cineclube com uma “longa história” e que não mexe uma palha durante anos… –, talvez por isso, talvez, o jornalista prefira dedicar-se às metragens de curta-vista.

E para prestarmos um serviço informativo às massas, julgamos que a “direita” não se sentirá tão mal ao rondar o gatil, como uma (in)certa “esquerda”, bem mais esdrúxula, original e excepcional, como o artigo deste jornal. É tudo quanto à situação. Esquerda, direita, marchar! E que o maniqueísmo fique à porta.

Os Vadios, 14 de Fevereiro de 2009.


blog da Maja Marek


Com um atraso clamoroso deixamos aos vadios e vadias o link para o blog da Maja Marek, onde poderão espreitar alguns dos seus trabalhos na área do design gráfico e ilustração:

http://majuszka.blogspot.com/


Gisberta - Indulgência Plenária


Simples tributo à vida de Gisberta

Sessão de Poesia

Leitura de ” Indulgência Plenária”, de Alberto Pimenta

Por Nuno Meireles

Domingo, dia 22 de Fevereiro, às 18h

Gato Vadio




(…)

tira-me daqui
tira-me daqui
tira-me daqui não sei se foste tu que disseste
não mexeste os lábios

nem sei se poderás continuar
as tuas trocas os teus desejos
entre os habitantes dos mundos invisíveis

se assim for
nem o Diabo impedirá
que o teu aroma nostálgico
continue a manifestar
a deusa
em todas as suas faces
humanas

(…)

Alberto Pimenta
Indulgência Plenária, Lisboa, &etc, 2007



esta cidade está moribunda

não foram sete hienas tresmalhadas

no clamor da avenida

ninguém pediu pela mulher que engana a carne

por um dia de canto

ouvem-se risos e os cafés estão cheios

gente soçobrada que não pára de beber o galão

de invectivar a tristeza

ou o azedume em fila de espera

na paragem do autocarro, a mulher das varizes

o homem do escarro,

o moço das Belas Artes

as mãos nos bolsos remoem pedras, paus e beatas

as mesmas pedras

os mesmos paus

as mesmas beatas

e o cheiro a kispo molhado não encobre a frialdade

nem a nortada

o pestilento riso da cidade


Júlio do Carmo Gomes



Nota: Gisberta Salce foi encontrada sem vida no dia 22 de Fevereiro de 2006 num prédio abandonado da cidade do Porto. Foi maltratada, humilhada, violentada até à morte. Alberto Pimenta escreveu “Indulgência Plenária” tendo presente Gisberta, a sua vida, a sua liberdade, a sua morte. A leitura integral do livro é do conhecimento do autor.