Na Terra e no Inferno

Thomas Bernhard

Sábado, 1 de Agosto, 23h15

Poesia. Lida por Nuno Meireles e Júlio C Gomes

Entrada livre

Gato Vadio






Os Vadios apresentam...Poesia

VII NOITE DA CHALUPA

NOITE DE POESIA PARA TODOS

TEMA: OS AMIGOS

Domingo, 26 de Junho, 22h no Gato Vadio

AMIGO

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».

«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,

Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.

«Amigo» é a solidão derrotada!

«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!


Alexandre O'Neil


Sejam bem - vindos todos!


Burma VJ

Anders Østergaard (Documentário/Birmânia)

2008

Sábado, dia 25 de Julho, 22h

Entrada Livre


A revolta na Birmânia

No sudeste asiático, a Birmânia (também conhecido como Myanmar), está sob o controlo de uma ditadura militar chefiada desde 1992 pelo General Than Shwe. (Recorde-se que as Forças Armadas birmanesas controlam o governo desde que o General Ne Win liderou um golpe de Estado em 1962 para derrubar o governo civil de U Nu).

Em Maio de 1990 o governo Birmanês promoveu eleições livres pela primeira vez em quase 30 anos. A Liga Nacional pela Democracia, partido de Aung San Suu Kyi ganhou 392 dos 489 assentos da Assembleia Popular, mas os resultados foram anulados pelo Conselho. Desde então a repressão política, social e étnica tem sido o método para controlar a sociedade birmanesa em geral e, em particular, os movimentos de contestação. Com a imprensa Birmanesa e os meios de comunicação social sob total controlo do governo militar, a dissidência tem poucas oportunidades para se insurgir num país onde a opressão instituiu um reino de medo anestesiante.

Não obstante, em 2007 um grupo de monges budistas emergiram dos seus mosteiros para liderar uma revolta contra o Estado. Enquanto se difundiam as notícias sobre as suas acções, mais de 100 mil pessoas tomaram a coragem e uniram-se aos protestos contra a opressão violenta da junta militar.





A media oficial do Estado ocultou a revolta, mas uma nova geração de repórteres (que arriscam a tortura e a prisão já que o jornalismo não-oficial é proibido), saiu à rua para cobrir a revolução, a Voz Democrática da Birmânia, também conhecida como Burma VJs, um grupo de jovens vídeo-jornalistas armados com câmaras de vídeo digital escondidas.

Os Burma VJs filmaram os protestos, bem como os actos violentos cometidos por policiais militares e funcionários e, de seguida, enviaram clandestinamente as filmagens para a diáspora na Tailândia. Por sua vez, os birmaneses emigrantes foram passando estes filmes para organizações humanitárias e de Imprensa de todo o mundo.

As imagens correram o mundo, inaugurando os telejornais ocidentais, dando a conhecer um pouco da realidade de um país onde raramente a informação não-oficial consegue passar incólume à censura do Estado.

Desde então o regime intensificou a perseguição aos membros da Burma VJs e vários encontram-se detidos.



O realizador Anders Østergaard (uma das pessoas que foi tendo acesso às filmagens vindas da Birmânia) compilou um documentário fruto do trabalho dos Burma VJs, oferecendo um olhar de como a nova tecnologia se torna uma arma ao serviço da tentativa de revolução do povo Birmanês e o seu papel na luta por uma Birmânia livre e democrática. Neste documentário, as condições limite dos birmaneses no tocante à liberdade de expressão e política tornam-se tangíveis para uma audiência global, sendo impossível ficar indiferente à coragem e ao sacrifício dos cidadãos que enfrentam o totalitarismo de um regime.



Burma VJ ganhou 3 prémios em festivais de cinema, nomeadamente no Sundance Film Festival 2009.


Burma VJ

Anders Østergaard

2008

85 min