Quantas vidas tem um Gato?

Os menos distraídos podem ter reparado que depois de tanto escarcéu afinal o Gato Vadio não bateu com a porta. Longas reuniões e assembleias, com direito a algumas bufadelas e arranhadelas, a gataria não descansou.... Afinal existiam pessoas associadas inconformadas com as notícias do fecho que se uniram pela vontade de manter o Gato. Vai-se a ver e o incumprimento dos prazos legais de aviso de não-renovação do contrato permitiu ficar tal e qual.... e há a esperança que se mantenha até dezembro de 2019.

A solução?
Não é mais do que o processo já em curso: 12 vadios, novos e velhos, chegaram-se à frente para garantir a maioria das tarefas e turnos necessários à abertura do Gato nos próximos meses. Velha guarda e sangue novo – uns mais cépticos, outros mesmo cáusticos – a experimentar outras formas de cuidar da associação mantendo a sua natureza vadia.

Vão ter de nos continuar a aturar por cá! E depois logo se vê.

O Gato Vadio está vivinho da silva e recomenda-se – já perdemos a conta às vidas que passaram.
Por isso aparece, maldiz, propõe, ronrona, associa-te.... faz-te Vadio! - Saco de Gatos
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Textos Subterrâneos

Na Livraria...
 

...da Textos Subterrâneosde 2018...

Jesús Sepúlveda (Santiago, Chile, 1967) é um poeta e ensaísta radicado no Oregão, EUA, onde é professor no Departamento de Línguas Românicas da Universidade de Oregão. Foi colaborador da extinta revista Green Anarchy e ainda hoje escreve na quinquagenária revista anarquista Fifth Estate. O seu O Jardim das Peculiaridades, considerado um dos mais importantes e influentes textos do anarquismo anticivilização, foi primeiramente publicado em 2002, em Buenos Aires, pela editora Ediciones del Leopardo, tendo sido desde então traduzido para diversas línguas como o francês, o inglês, o italiano ou o português, e publicado em diferentes países. Apontado como um dos mais importantes poetas sul-americanos da sua geração, entre as suas obras poéticas podemos encontrar Hotel Marconi (1998), Correo negro (2001), Escrivania (2003), Antiegótico (2013), Poemas de un bárbaro (2013) ou Secoya (2015).
O Jardim das Peculiaridades

O caminho para o jardim das peculiaridades é uma viagem sem regresso. Dar ouvidos aos murmúrios da civilização, uma vez chegados ao trilho correto, é cair na armadilha do temor. Significa perdermo-nos, já que a única saída é a porta de escape para a rua que leva ao asfalto da estandardização. E ainda que cada criatura necessite de uma morada para viver, não há motivo para pensar que o cimento deva ser necessário. O verdadeiro lar humano pode ser uma cabana no bosque que, juntamente com outras cabanas, forme uma comunidade de peculiaridades. Ou pode ser também um bairro que despavimente a idiotice e o isolamento, abrindo um ou outro caminho que leve a outros bairros. Cada constelação de peculiaridades será um tipo de comuna que garanta a autonomia horizontal de cada comunidade. Só assim se poderão abolir as hierarquias.

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