Quantas vidas tem um Gato?

Os menos distraídos podem ter reparado que depois de tanto escarcéu afinal o Gato Vadio não bateu com a porta. Longas reuniões e assembleias, com direito a algumas bufadelas e arranhadelas, a gataria não descansou.... Afinal existiam pessoas associadas inconformadas com as notícias do fecho que se uniram pela vontade de manter o Gato. Vai-se a ver e o incumprimento dos prazos legais de aviso de não-renovação do contrato permitiu ficar tal e qual.... e há a esperança que se mantenha até dezembro de 2019.

A solução?
Não é mais do que o processo já em curso: 12 vadios, novos e velhos, chegaram-se à frente para garantir a maioria das tarefas e turnos necessários à abertura do Gato nos próximos meses. Velha guarda e sangue novo – uns mais cépticos, outros mesmo cáusticos – a experimentar outras formas de cuidar da associação mantendo a sua natureza vadia.

Vão ter de nos continuar a aturar por cá! E depois logo se vê.

O Gato Vadio está vivinho da silva e recomenda-se – já perdemos a conta às vidas que passaram.
Por isso aparece, maldiz, propõe, ronrona, associa-te.... faz-te Vadio! - Saco de Gatos
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11 a 14 de Julho | ChapasArtísticoMutáveis | PipiDasMeiasAltas| VirgílioMelo | TigreDePapel

5 a 28 de Julho nas paredes vermelhas da livraria
Exposição com esculturas de Celestino Monteiro
 "Chapas Artístico-Mutáveis 
 Uma visão Surreal sobre a sobrevivência dos restos" 

Nas quintas de Julho Gato Vadio projecta alguns episódios da série televisiva Pipi das Meias Altas,produzida pela televisão sueca, e baseado nos livros da escritora de literatura infanto-juvenil Astrid Lindgren, que teve como protagonista principal a actriz Inger Nilsson.

"Pippi Långstrump" (em sueco) , Pipi das Meias Altas ( em português) , Pipi das Calças Largas ( em castelhano), Fifi Brindacier (em francês), Pippi Longstocking ( em inglês) é o título de uma série de livros infanto-juvenis da autora sueca Astrid Lindgren, e que foi transformada em série de TV, iniciada em 1969, com várias réplicas até 1973, e que povoam ainda hoje o imaginários de muita gente nova, e menos jovem.
O anarco-langstrumpismo da Pipi é reconhecido por muita gente.
Pipi é uma rebelde, uma adepta de estratégias insurreccionais. Provoca as situações, transforma cada território que atravessa numa zona autónoma temporária. Na sua casa ( Villa Drôlederepos) – que não é mais do que um squatter autogerido - ela vive com indivíduos seleccionados por afinidade: o senhor Nilsson e o tio Alfred – que não são só dois compinchas perfeitos, mas também são seres dotados de razão, que vivem de acordo com os seus desejos, o que torna a coisa mais alegre, como se imagina. A casa está localizada no limbo do poder capitalista, estatal e patriarcal, e completamente fora do sistema mercantil de mercado. Lá ninguém trabalha e as actividades são realizadas de uma forma lúdica. Pipi é uma teórica subversiva. Ela não pára de inventar novas situações, novas possibilidades de acção graças à sua criatividade fenomenal. Pipi é apátrida, já percorreu o mundo, não é de nenhum lado e, ao mesmo tempo, é de todos os lugares. Pipi é irrecuperável. Ela constrói com audácia e mestria o seu projecto de emancipação, de experimentação quotidiana, evitando as manobras que possam rebaixá-la. Não obstante, todos os dispositivos do poder tentam constantemente manietá-la, e trazê-la para a ordem: a tia Percilla, que conspira com as madames da vizinhança para a levar para a escola, os chuis que a querem levá-la à força para orfanato, os ladrões que pretendem roubá-la e atentar contra a sua pessoa. Pipi a todos os ridiculariza graças à sua perspicácia, à sua imaginação e à sua força prodigiosa. Não conseguimos imaginá-la integrada numa família, numa igreja, numa pátria, num partido. Os adultos não conseguem impôr-se à sua vontade. Acima de tudo, Pipi é uma criança. Ela não espera crescer para ser intelectual, saber a tabuada, para se casar ou se candidatar a presidente de câmara ela quer apenas viver de acordo com seus próprios desejos e segundo as suas próprias necessidades. 
 Quinta 11 de Julho, 21:30h  

 Pipi faz uma expedição 

Quando Pipi se decide a fazer uma expedição, esta tem de ser muito especial. Num instante constrói um papagaio de papel e, com a ajuda de Tommy e Annika, põe-no a voar. Pipi mostra como se voa a pique como um pássaro lançando-se de um penhasco, como ruge o leão ou como nos podemos orientar numa gruta. Junto ao rio, os três amigos encontram os ladrões Donner e Blom que, mais uma vez, fogem da polícia. Estão completamente famintos e Pipi, comovida, trata de lhes encher o estômago com um pão com chouriço. Até que, de repente, se apercebem do desaparecimento do Sr. Nilsson. Encontram-no a descer o rio em cima de uma tábua. Mas não há problema pois Pipi nada como ninguém.

 Pipi e os fantasmas 

Pipi festeja o seu aniversário. Como vive sozinha, tem de se desejar a si própria as maiores felicidades e cantar os “parabéns”. Só ao fim do dia é que Tommy e Annika lhe trazem um bonito presente. Como com Pipi tudo é diferente, os convidados também recebem presentes. Donner e Blom, dois convidados indesejados, ficaram muito interessados no lendário tesouro de Pipi e tentam vasculhar Villa Kunterbunt. Contudo, o Sr. Nilsson expulsa-os.
Uma vez cortado o bolo de anos, Pipi tem uma ideia muito especial: para festejar este dia quer remexer coisas velhas no sótão, onde se diz existirem muitos fantasmas!


 Pipi vai ao parque de diversões 
Pipi, Tommy e Annika decidem ir ao parque de diversões. Enquanto Pipi está a mostrar a sua perícia a acertar nas latas, os polícias Kling e Klang aparecem no carrossel. Com o pretexto de inspeccionarem as medidas de segurança, o seu objectivo é conseguirem uma volta grátis. Se ao menos soubessem como aquele carrossel era rápido! Contudo, a principal atracção é o possante Augusto, o homem mais forte do Mundo. Quem o vencer no ringue recebe uma nota de banco das mãos do director. E Pipi sobe para o ringue...

 Sexta 12 de Julho
 Domingo 14 de Julho 

17-24h
Livros ou Discos
Bolachas ou Licores
Cerveja ou Vinho a copo
ou uma longa e intensa conversa...

 Sábado 13 de Julho, 17:00h 
Audições comentadas por Virgílio Melo
Os instrumentos de percussão.

Edgar Varèse

Na livraria ... as novidades da
Tigre de Papel

Os Bancos: antes da nacionalização
de António Aragão

um livro de poesia experimental de António Aragão, publicado pelo autor em 1975, agora editado pela Tigre de Papel em edição fac-simile, com prefácio de Inês Cardoso. Escritos ainda antes do 25 de Abril, os poemas que compõem o volume constituem um vigoroso e mordaz exercício de crítica ao papel dos mecanismos de dominação política e económica. Do ponto de vista formal, e na esteira do percurso poético de Aragão, o livro trabalha intensamente no cruzamento do texto com a imagem e na preponderância da sua dimensão visual, contando com a colaboração do cineasta e escultor austríaco Helmut M. Winkelmayer. Como se refere no prefácio, «a manipulação das fotografias de Helmut Winkelmayer assenta no princípio da intromissão de pequenos bancos de madeira em contextos inesperados, perpetuando o jogo mordaz efetuado ao nível da duplicidade de interpretações que a palavra banco comporta. De facto, à semelhança dos diferentes poemas presentes neste volume, também as fotomontagens revertem para uma destruição criativa da ordem estipulada.»

Irrar
de Salette Tavares

Podemos considerar Irrar como um longo poema concreto em prosa. Mas trata-se também de uma narrativa que acompanha a errância/«irrância» infindável da narradora-«pueta» pelas paisagens concretas e mentais duma Lisboa de todos os tempos. A morte, omnipresente através da personagem da tia cancerosa, abre o espaço e o tempo para uma eternidade filosófico-poética mediante a meditação e a visão. O leitor é convidado a «irrar» também pela língua portuguesa, dando irros que desafiam qualquer reforma ortográfica. A voz da poeta rebela-se contra a norma, conferindo um tom irónico e humorístico à sua narração «hilariante», à sua «brincadeira». A língua inventada por Salette Tavares em Irrar abunda em efeitos de oralidade, a par com referências sábias. Sendo um texto experimental, Irrar promove um humanismo feito de encontros, de atenção aos outros, de cuidados, é dizer de amor.

Outro Outro
de Salette Tavares
Esta narrativa breve, Outro Outro, escrita em 1963 mas inédita até hoje, de uma autora conhecida pela sua produção poética, gráfica e espacial, submete o leitor a um ritmo cinemático, simultaneamente sincopado e descontínuo, mas também musical, equilibrado e cadenciado. Construída com frases curtas, uma linguagem palpitante plena de elipses e cortes, é um texto antecipador dos ritmos acelerados do nosso tempo, num estilo que executa, pela escrita, princípios da montagem e da polirritmia. Nela acompanhamos uma personagem quase misteriosa, deambulando pela cidade, às voltas e em círculos, numa pulsação que transforma a cidade numa intermitência de luzes, ecos e ruídos, sempre em alternância com o vazio e os silêncios súbitos.

A oscilação deste caminhar em volta é, também, o percurso de uma auto-descoberta. Feita de hesitações e descontinuidades, esta prosa poética segue a um ritmo alucinante, prendendo o leitor, obrigando-o a adivinhar que plano se segue, que cena sucede. Acutilante descrição de um espaço urbano em formação, aqui a metrópole portuguesa surge fulgurante, com todos os seus contrastes e contradições. Um texto actual, vivo, num crescendo que prenderá a atenção dos leitores.

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