"Há um prazer na loucura que só os loucos conhecem"
Dryden

Os vadios apresentam...
XI Noite da Chalupa - que agora é ao fim da tarde!

Uma noite domingueira, que surgiu de um encontro de palavras equivocado entre a famosa cachupa de Cabo Verde e a imaginação naive de uma vadia ao sabor do acaso.
Assim nasceu esta ideia, este espaço que se pretende que seja aberto à criação, à possibilidade de ir humanamente para além das formalidades conceituais esperadas (ai, que sono...) de uma tradicional noite de poesia.
E porque com a chalupa pensamos em comer (mesmo com a palavra do avesso) também haverá sempre uma delícia à fruição - feita pelos vadios, claro! Todos sabemos que o espírito funciona melhor depois de satisfeitos os prazeres da carne...

Este Domingo, 27 de Setembro, 17h30 no Gato Vadio (Rua do Rosário, 281)

Tema: A Loucura


Sejam todos bem - vindos!

vozes, gritos, palavra




“Edgar Allan Poe escolheu para assunto do seu discurso um tema que é sempre interessante e foi muito debatido entre nós. Anunciou que falaria do “Princípio da Poesia”. Existe, já há tempos nos Estados Unidos, um movimento utilitário que quer arrastar a poesia como o resto. Há lá, poetas humanitários, poetas do sufrágio universal, poetas abolocionistas das leis sobre os cereais e poetas que querem fazer construir work-houses. Juro que não faço alusão nenhuma a pessoas do nosso país.

Não é minha culpa se as mesmas disputas e teorias agitam diferentes nações. Nas suas palestras, Poe declarou-lhes guerra. Ele não sustentava, como certos secretários fanáticos de Goethe e outros poetas anti-humanos, que toda a coisa bela é essencialmente inútil; mas propunha, sobretudo para objecto a refutação, do que chamava espiritualmente “a grande heresia poética dos tempos modernos”. Essa heresia é a ideia de utilidade directa.” Charles Bauldelaire, in EDGAR ALLAN POE


EDGAR ALLAN POE


Autor: Charles Bauldelaire

Tradução: Manuel Dias Soares

Edição: Alma Azul



“Certa noite, ao regressar a casa, completamente embriagado, pareceu-me que o gato evitava a minha presença. Apanhei-o, e ele, horrorizado com a violência do meu gesto, feriu-me ligeiramente na mão com os dentes. Uma fúria se apossou rapidamente de mim. Não me reconhecia. Dir-se-ia que a minha alma original se ausentava do meu corpo num instante e uma ruindade mais do que demoníaca, saturada de genebra, fazia estremecer cada uma das fibras do meu corpo. Tirei do bolso do colete um canivete, abri-o, agarrei o pobre animal pelo pescoço e, perverso, arranquei-lhe um olho da órbita!”. Edgar Allan Poe in GATO PRETO


Autor: Edgar Allan Poe

Tradução: Manuel Dias Soares

Edição: Alma Azul





Sábado, dia 19 de Setembro, 18h
:
In girum imus nocte et consumimur igni [Movemo-nos na Noite Sem Saída e Somos Devorados Pelo Fogo] (1978)
Guy Debord - Filme

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Domingo, dia 20 de Setembro, 17h:
OCUPAÇÃO - Documentários e debate
Gato Vadio e Casa Viva

Programa*:

500 Stenkastende Autonome Voldspsykopater fra Helvede
ENGLISH TITLE: Squat 69
DANISH RELEASE: 10.10.2007
COUNTRY OF ORIGIN: Denmark
RUNNING TIME: 81 min

"For sale! Including 500 violent stonethrowing psyko punks from Hell" – the sarcastic message from the controversial squat Ungdomshuset in Copenhagen. After seven years of political discussions and court proceedings the activists were evicted from their house, popularly known as Jagtvej 69, on March 1 2007. The film takes a balanced look behind the barricades and follows the squatters during the final year before all was demolished and riots broke out in Copenhagen. The four directors, who were the only outsiders allowed access to Jagtvej 69, bring us close to some of the core activists and document their thoughts in dealing with the imminent threat to their continued existence.

69 (2008)
Nikolaj Viborg; Denmark; 60 min (engl.)

"69" is a documentary about a large group of young people who did not see themselves, culturally or politically, as part of established society. In 1982 they lawfully occupied what was known as the Youth House (Ungdomshuset) at Jagtvej 69, on the outskirts of Copenhagen's inner city. The film portrays the group's situation in 2007, documenting the stormy last six months of the Youth House's history, where the radicalized group rage against the establishment. By following the inner circle of activists, we learn more about the group, the reasons for their actions, and the cause of their predicament.

Squatting (2009)
A film by Larisa Matteissen, 85 min.(engl.)

Movie follows anarchists and activists, who occupy different empty
buildings and territories - from rooms, houses and industrial buildings
to complete villages and ports. Dutch and Russian activists are telling
about their experiences of squatting and reactions of authorities to
self-organisation. Anti-squatters explain why they are in side of the
state. You may freely distribute film for non-commercial purposes.

Table Bed Chair - Amsterdam Squatters (2007)
A documentary by Robert Hack and Jakob Proyer
The DVD is about 30 minutes long and includes Music by P.A.I.N and Fugazi.


*No domingo, as pessoas presentes escolherão os documentários a exibir para não terem que levar com 4 horas seguidas de contra-cultura.


Autobiographie Mutuelles, projecto sem fim

Chegou ao fim o projecto Autobiographie Mutuelles, com a 4ª e última edição apresentada no domingo passado na Gato Vadio. Pela boca de um dos autores, Alberto Pimenta, soubemos que as Mutuelles são um género literário abandonado, o género “bíblico”. Não se apoquentem, pois Alberto Pimenta e César Figueiredo têm pouco de santos e, que se saiba, nunca foram abençoados pelos “Papados”. Bíblico, no sentido literal do termo: um livro feito de livros; um livro contendo vários livros.




(nº4 da Autobiographie Mutuelles)



A ideia literária parte dos contos mitológicos orientais das Mil e Uma Noites, inspirando-se nas tradições hindu, persa, siríaca, egípcia e turca. Como pano de fundo do balanço poético, viaja-se no tempo e no espaço para as paisagens desérticas a Ocidente. A ideia conceptual parte da vontade dos autores se aproximaram de uma execução “artesanal”, continuada e nunca perdendo contacto com os vários estágios da criação, escapando dessa forma à máquina dilu(e)viana produtora de outros géneros bíblicos.

Mas nada é sagrado e os biblioclastas saberão tratá-lo a preceito, dando continuidade, como Sherazade, ao projecto biographic incompleto de Alberto Pimenta e César Figueiredo.

A 3ª e 4ª edição ainda estão disponíveis para compra na Gato Vadio.

Os leitores que têm as 4 edições receberão um caixa-cinta oferecida pelos autores.




Autobiographie Mutuelles

1937

1954

(...)

...01 falência do maior grupo editorial português - fusão do maior grupo editorial português

...07 falência do maior grupo editorial português - fusão do maior grupo editorial português

2008-2009 Autobiographie Mutuelles

...69 falência do maior grupo editorial português - fusão do maior grupo editorial português

(...)

falência do maior grupo editorial português - fusão do maior grupo editorial português

3008-3009

- Onde é que foi isso?

- No Porto, ao lado do Shopping das RiverArtes [River, em português, Rio]

- Há um século atrás um projecto desses não lembrava ao diabo (leia-se... )?

- Sim, um deles passava horas e horas a tirar fotocópias e depois ia para casa a cabecear para dobrar as folhas uma a uma.

- Uma a uma?

- Sim, nessa altura já não havia bordadeiras em Portugal, e o tal César era o último artista que trabalhava com as mãos...e depois cabeceava...

- Para quê?

- Não sei, mas olha naquela altura também quase ninguém percebia...

- Pois, e agora já é um bocado tarde...

- Sim, é muito tarde.


A Gato Vadio tem o gosto de receber e apresentar a 4ª e última edição do projecto Autobiographie Mutuelles, criado pelo poeta Alberto Pimenta e pelo artista plástico César Figueiredo entre Setembro de 2008 e Setembro de 2009.

Contamos consigo. Domingo, dia 13 de Setembro, 16h.

A confeitaria Cunha fica na rua Sá da Bandeira.

Voltemos. Voltemos devagar. Como sempre, voltemos devagar. Isto não é uma corrida. Desse campeonato, nada quisemos ganhar. Perder, parece às vezes a nossa perdição. Mas perder devagar. Como sempre, lá voltamos. É o que é. Salvar a nossa lentidão. Poder pensar e não-fazer. Poder fazer e pensar. E desfazer. E lá voltamos. Sempre um pouco rogados em salvar o nosso próprio canastro, sempre embaçados quando nos pedem explicações sobre o que isto é, sempre desprevenidos para encontrar justificações para este regabofe de cadeiras partidas e amanhadas com fita-adesiva, se temos Baileys e salgadinhos?, petingas fritas de véspera ainda se arranja, capuccino? também não temos, é um fartote de angústias aquilo que provocamos à clientela, não temos vocação pr’á confeitaria, docinhos convent(r)u-ais con-venu-ais, ais, falta-nos a pastelaria e o pastel, falta-nos também a gabarolice, o espectáculo, a propaganda, a gabarolice é sempre pouco inteligente, auto-suficiente…presunçosos? Isso é gastrite, termas e caldinhos de galinha, e a mamã para tratar de tudo, é claro, a mamã, sabemo-lo há séculos, as nossas mamãs queriam filhos obcecados pelo trabalho, respeitinho ao patrão, ao menos qualquer coisa concreta para poder falar com as amigas, um emprego legítimo, realmente um sentido para a vida, todos os dias, engomadinho, leva a sandes de marmelada por via da tensão filhinho, mas saiu isto.

GATO VADIO – programa Setembro/Outubro (ou melhor, voltemos à acção.)

- Alberto Pimenta & César Figueiredo – Autobiographies Mutuelle

Domingo, dia 13 de Setembro

- Ciclo de documentários sobre África

- Hunger, Steve McQueen – filme seguido de debate sobre a Biopolítica e o Poder

- Artur Aleixo – Poesiaapresentação de uma série limitada de plaquetes com poemas inéditos

- Oficina teórica e prática sobre Auto-Gestão e os princípios da gestão participada


- Projecto Videolab – sessão de vídeo experimental


(em breve confirmação do dia e hora das actividades).