Mulheres Traídas – [Making Of], de Miguel Marques

Documentário


Sexta-feira, dia 3 de Abril, 22h15

Gato Vadio

Entrada livre



Estreado no DOC Lisboa, o documentário "Making Of - Mulheres Traídas" da autoria de Miguel Marques procura trazer à superfície a faceta iconoclasta de Maria Jesus Silva, uma realizadora praticamente desconhecida do público português.

Sinopse:

Maria José Silva é uma figura ímpar da cultura portuguesa: realizadora, escritora, actriz e cantora, vive no Porto e faz cinema amador há mais de 20 anos. “Mulheres Traídas” é o seu mais recente filme, uma história de infidelidades contada na voz feminina, cuja rodagem foi acompanha de perto e deu origem ao documentário.

Nota de Intenções do autor:

“O termo making of entrou no vocabulário das rodagens dos filmes de ficção, sendo normalmente uma tarefa atribuída a realizadores menos experientes ou em início de carreira. Não custa dizer que, mesmo tratando-se de um género bastardo do documentário, sempre tive vontade de realizar um desses metafilmes: acompanhar uma rodagem semanas a fio, estar junto de realizadores e actores e produzir um olhar absolutamente livre da criação do objecto filme; usar o material filmado e a experiência adquirida para apresentar e perceber a imensa subtileza com que a realidade vai aliciando e conduzindo a criação da obra de ficção.

Este making of resultou assim numa reflexão sobre o cinema de amador e sobre a procura de Maria José Silva de uma mediação de conflito através do cinema - e é aqui que reside a nossa cumplicidade. “

Miguel Marques

Mais info e trailer em:

http://www.youtube.com/user/migu3lp

MARIA JOSÉ DE JESUS SILVA, nasceu a 3 de Agosto de 1937, na freguesia da Junqueira, Vila do Conde.
A atracção pelo teatro, a dança, o cinema, a música vem desde os seus 14 anos. A par, foi cultivando o gosto pela leitura e pela escrita.
Aos 55 anos, a sua «maior alegria era ser escritora, dar aos outros aquilo que sai de dentro de mim, dar prazer, dar apoio, pelo menos moral, (...) que sirva para animar as pessoas. Já bastam as surpresas que a vida tem para nos dar!»

Utopias Piratas, Peter Lamborn Wilson

Apresentação e debate

Com a presença de Miguel Mendonça e António Alves da Silva

Quinta-feira, 2 de Abril, às 22h

Gato Vadio


Peter Lamborn Wilson, (também conhecido pelo pseudónimo literário Hakim Bey) é o autor da fleumática obra TAZ (Zona Temporária Autónoma) onde incita à criação de espaços livres e plenamente autónomos que escapem à lógica das entidades hierarquizadas e opressivas que regulam as sociedades actuais.





Investigador, ensaísta e poeta norte-americano com vasta obra editada, escreveu «Sacred Drift: Essays on The Margins of Islam», na City Lights e «Scandal: in Islamic Heresy», Autonomedia.

Utopias Piratas (Pirate Utopias: Moorish Corsairs & European Renegadoes, 1995), obra editada pela Deriva e traduzida por Miguel Mendonça, é um estudo histórico e filosófico sobre a pirataria moura do século XVII e o papel muito particular da República de Salé. Corsários, sufis, pederastas, mulheres mouras «irresistíveis», escravos, aventureiros, rebeldes irlandeses, judeus hereges, espiões britânicos, heróis populares da classe trabalhadora e até um pirata mouro em Nova Iorque, emprestam a este livro um ambiente livre constituído por comunidades insurrectas nunca verdadeiramente dominadas e portadoras de uma praxis de resistência social que abalou seriamente os estados europeus.

«O islamismo, no fim de contas, é o mais recente dos três monoteísmos ocidentais, e contém por isso a sua dose de crítica revolucionária do judaísmo e do cristianismo. A apostasia de um autoproclamado Messias ou de um pobre e anónimo marinheiro seria invariavelmente vista, nesta perspectiva, como um acto de revolta. O islão, em certa medida, foi a Internacional do século XVII – e Salé talvez o seu único e verdadeiro “Soviete”. À primeira vista, Salé aparenta ser um lugar ímpio, um ninho de piratas ateístas e violentos – mas assim que observamos e escutamos com mais atenção, quase podemos ouvir o eco das suas vozes distantes, recortadas em apaixonados debates e exaltadas oratórias. Os textos perderam-se ou talvez nunca tenham existido; era uma cultura oral, uma cultura auditiva… é difícil discernir os seus últimos murmúrios… mas não totalmente impossível!». Peter Lamborn Wilson

Convidamos os piratas e os vadios, integrados e desintegrados, a avivar a conversa!



Bab Septa

Frederico Lobo e Pedro Pinho

Documentário

sexta-feira, 27 de Março, 22h15

Gato Vadio



"Bab Septa" significa "A porta de Ceuta", que é o ponto de chegada de milhares de imigrantes africanos rumo à Europa. Os dois realizadores, Frederico Lobo e Pedro Pinho, visitaram Marrocos em 2005, quando as cenas de violência eram notícia em Ceuta, e aí nasceu a ideia de fazer o documentário.
“Nós não atravessamos fronteiras, as fronteiras atravessam-se entre nós”, é a frase de abertura dum documentário que ouve relatos de gente que persiste no sonho de chegar à Europa, mesmo depois de sucessivas detenções e deportações junto à fronteira, seja pela polícia espanhola ou marroquina.

Nas palavras dos autores, este filme "parte em contracorrente a este fluxo dirigindo-se de Norte para Sul em busca dos migrantes que atravessam o deserto – heróis nómadas dos tempos que correm, em luta contra uma abstracção: a ideia de fronteira".

O projecto de Bab Sebta começou por vencer em 2006 o Concurso de Pesquisa e Desenvolvimento do ICAM (Instituto de Cinema Audovisual e Multimedia), e em 2008 foi premiado com o prémio competição nacional do DocLisboa e com o prémio "Marseille Esperance" do Festival Internacional de Documentário de Marselha.


Próximas sessões:

"Making Of - Mulheres Traídas", de Miguel Marques.

Sexta-feira, dia 3 de Abril


Sessão de vídeos sobre Edgar Allan Poe

projectoVideolab

(data a confirmar)




Plataforma Abstencionista - Apresentação

Sexta-feira, dia 20 de Março, 22h15

Gato Vadio

Rua do Rosário 281


“A revolta, sem aspirar a resolver todas as coisas, pode já, pelo menos, opor-se. (…) Os homens da Europa, abandonados às sombras, afastaram-se do ponto fixo e irradiante. Esquecem o presente por amor do futuro; os seres escravizados, pelos fumos do poder, a miséria dos subúrbios, por amor de uma cidade radiosa e a justiça quotidiana por uma vã terra prometida. Perdida a esperança quanto à liberdade das pessoas, sonham com uma estranha liberdade da espécie; recusam a morte solitária e chamam imortalidade a uma prodigiosa agonia colectiva. Já não acreditam puerilmente que amar um só dia da existência equivalia a justificar os séculos de opressão. Essa a razão por que eles quiseram suprimir a alegria do mundo, adiando-a para outros tempos.”

Albert Camus, in O Homem Revoltado




No papel em 2004, Saramago propôs uma alegoria no Ensaio sobre a Lucidez: a população eleitoral decide votar massivamente em branco, provocando o curto-circuito do sistema eleitoral e esvaziando o poder regulador dos partidos políticos na sociedade.

Na realidade em 2009, a Plataforma Abstencionista reivindica o acto da abstenção como uma forma de provocar o tal curto-circuito descrito pelo escritor. Não sabemos se Saramago sairá da pura ficção para, acto contínuo, abandonar o seu papel literário (e o papel do boletim) e apoiar a proposta abstencionista, ou se colocará uma vez mais a sua cruz (parece ser a única cruzfixa de que ainda não fugiu…).

A utopia de Saramago lida ainda com uma improbabilidade, pois os votos em branco nos ciclos eleitorais são sempre residuais. Ao contrário, a abstenção não é um cenário de ficção já que quase sempre ronda, quando não supera, a percentagem de votos alcançada pelo partido a que sai a sorte grande de 4 em 4 anos.

Convidamos os interessados e o eternos desinteressados, os que votam e os que decidem não votar, os que desejam deixar à Literatura a alegoria e às romarias o alegórico, e, principalmente, convidamos aqueles que já desconfiam, por faducho lusitano, de mais uma iniciativa de cariz político a escutar, conhecer e discutir os objectivos da Plataforma Abstencionista.




Mais informação em:

http://plataforma-abstencionista.blogspot.com/



Publicamos um excerto da carta de princípios da Plataforma Abstencionista


Pedem-nos o voto, diremos não!

As democracias “representativas” inculcam massivamente no imaginário dos cidadãos que os resultados dos actos eleitorais significam procuração irrevogável para o Estado agir, em seu nome, de forma omnipotente e omnipresente.

A democracia resume-se assim a isso mesmo: de tanto em tanto tempo fazer variar nos assentos do Poder aqueles que apenas estão lá não para nos representar como proclamam, mas para fazer cumprir todas as políticas decididas algures nos centros financeiros internacionais. Desta forma, a vontade dos povos e dos indivíduos não tem qualquer poder decisório. No entanto, são chamados sazonalmente ao cumprimento do seu “dever”, a horas e nos lugares certos, sendo-lhes outorgado um falso carácter determinante, vendendo-se assim a ilusão de que mandar representa, apenas, obedecer ao sentimento maioritário. (…)

O sistema capitalista tem sabido lutar bem por este seu paradigma, exigindo a quem dele vive o respeito e aceitação do Estado como entidade reguladora das relações sociais. Os jogos de alianças, a necessidade de apresentar alternativas e soluções como sinal de afirmação construtiva fizeram encostar a "extrema-esquerda" e a "esquerda" à "direita" e parte da "direita" à "esquerda" e ao "centro", juntando-se todos no Parque das Nações a comerem um caldo de maioridade e sensatez. Por isso, nenhuma, mas mesmo nenhuma, força partidária equaciona, hoje, a legitimidade dos cidadãos se sentirem defraudados com o que fazem do seu voto. Outra coisa, aliás, não poderia acontecer: por muito que possa doer a muita gente boa que palmilha caminhos de insubmissão, certo é que a participação nos órgãos de poder institucional significa a aceitação cordata das suas regras de funcionamento e a reverencial simpatia pelo Estado e pelo sistema que o mantém. Há que assumir sem rodeios que nas sociedades modernas a exploração violenta, desumana, arcaica e irracional que o sistema capitalista exerce legalmente vem resultando da "carta branca" fornecida pelos plebiscitos eleitorais. Percebendo a importância que as eleições dão ao sistema capitalista, ao longo das últimas três décadas várias foram as mobilizações em torno da defesa política da abstenção. Não havendo campanhas públicas sistematizadas nem qualquer sector a emergir colectivamente, o poder foi-se aproveitando disso para atribuir os resultados incomodativos à "preguiça", ao "tempo de praia", à "chuva diluviana", à "abstenção técnica", à não "limpeza dos cadernos eleitorais", à "mobilidade dos cidadãos". (…)

Nesta lógica de combate deverá ser claro que uma plataforma de entendimento e acção em defesa da abstenção, que se almeja poder funcionar sem qualquer mecanismo reprodutor dos poderes conhecidos, nunca deverá ser entendida como um fim em si mas antes como um meio para reforçar o ataque sistémico ao capitalismo. Ao longo da história a sociedade humana foi sendo encaminhada para sistemas de funcionamento autocrático e dirigista ao arrepio das normas de relação fraternas, solidárias e horizontais. A introdução das regras mercantilistas, do desempenho individual, da competição e do orgulho na propriedade privada adulteraram a lógica comunal, transformando o ser humano num produto que deve mais do que tem a haver! A desumanização das sociedades dos novos tempos transformou as pessoas em números prontos para o massacre. (…)

Todas as rebeliões começam por uma recusa. Para justificar a tirania, virão pedir-nos o nosso voto.

OLHOS NOS OLHOS, DIR-LHES-EMOS QUE NÃO!


Plataforma Abstencionista
Novembro 2008

(ver texto integral no blog acima indicado)