"Documente Videolab" - sessão de Documentários

Com uma nova sessão intitulada "DOCUMENTE Videolab", o Projecto Videolab dá seguimento à parceria com a Livraria-Café "Gato Vadio", no Porto, iniciada no dia 9 de Fevereiro.
Dedicada ao documentário, género cinematográfico em grande ascensão nos nossos dias, o evento, a decorrer no dia 3 de Maio (Sábado, 21H30), constará da exibição de um conjunto de 16 filmes e 2 instalações.
Os vários espaços da livraria servirão de tela para a exibição de obras que procuram abranger as diversas perspectivas deste género. Através da diversidade de espaços de visionamento (serão três os locais de projecção) procura-se recriar a multiplicidade de olhares que o documentário permite. Estamos longe da definição simplista deste género como representação da realidade ou verdade absoluta. Estes pontos de visionamento constituem-se como fragmentos da realidade e são, como afirmou John Grierson, um "tratamento criativo da realidade". A subjectividade é algo palpável e acompanha tanto o realizador como o espectador. Os vários locais de projecção simbolizam a fronteira entre o ficcional e o documental e o espectador escolhe a sua realidade, tal como o realizador nos deu a sua forma de ver o mundo.


Programa completo em:
http://projectovideolab.blogspot.com
www.projectovideolab.com


"DOCUMENTE Videolab"
Sábado, 3 de Maio, 21h30
Sessão de Documentários. (16 filmes + 2 instalações)
GATO VADIO
Rua do Rosário, 281
Entrada 1 ga€o


Apresentação: "Livro de Jogos Interculturais e Cooperativos", editado pelo Movimento SOS Racismo.

Dia 26 de Abril, sábado, 21h30
Livraria Gato Vadio

Com a presença de João Antunes (Co-autor do livro/ membro do Movimento SOS Racismo/ Universidade Fernando Pessoa) e Hugo Monteiro (Escola Superior de Educação do Porto).
Mais informações:http://www.escolainfo.net/index.php?option=com_content&task=view&id=153&Itemid=1

Os Domingos do Sr. Antunes - Leitura de Crónicas

Venha conhecer a Dona Deta, o senhor Borges, o Bruno Miguel, a prima Bé, o Antero, entre outros. Vista-se a preceito, de preferência com fato-de-treino roxo e sapatilhas azuis e saia de casa. Como é Domingo e estão todos em casa a ver concursos na televisão, a comer pipocas e a passar a roupa a ferro, vai ver que tem lugar para estacionar o seu Fiat Punto. Aqui ao lado, junto da churrascaria. A leitura é de pouca dura, ainda vai chegar a tempo de aquecer o jantar no microondas e ver o concurso sobre factos e personalidades. (Texto de Margarida Fernandes + Copyrighter da Fiat Punto).


Domingo, dia 27 de Abril, às 18h. Gato Vadio. entrada livre.
Crónicas de Lobo Antunes - Selecção e leitura de Margarida Fernandes.

Marcial, estreia absoluta e vagional!

Comunicado: Poesia Marcial.

No rescaldo da última sessão de poesia foram removidas do local cinzas* lascivas de soutiens queimados numa pira improvisada no nosso logradouro por ladies mais acaloradas e confiscados bilhetinhos jocosos e introduzidos nos interstícios mais obscuros da nossa inocente livraria.
Os Vadios e as Vadias que deram corpo ao manifesto na última sessão de poesia fazem parte de uma lista rubra, cifrada pelos nossos agentes poéticos à paisana e à trancada. Tranquilizem-se pois os incautos espectadores de poemas da próxima sessão poético-explícita dedicada a Marcial: estamos todos de olho à espreita!
Há quem diga que temos por trás – salvo seja…– o lobbie da sex-shop da travessa de Cedofeita. Assim como assim, preferimos algemas fetiche à fé no scotish! É que enquanto uns emborcam faisões e pavoas, nós, vis taberneiros da poesia vil, saciamos outras sedes. E de um jorro múltiplo e em simultâneo traremos à luz da noite mais escura poesia e poetas esquecidos, antes que o comércio lhes ponha a mão chamando-os de “malditos” e pondo-lhes uma trela para passearem na rua o exotismo tripeiro soft-core ou o caniche castrado.
Louvado seja o nosso púb(l)ico.

*As cinzas vão permanecer em câmara ardente no retábulo das orgias.

Os Vadios, 15 de Abril de 2008. Porto.


Sessão Porno-poética
Poemas de Marcial e Bocage
Ditos e seleccionados por Nuno Meireles
Domingo, 20 de Abril, 18h.
Gato Vadio, rua do rosário 281
http://gatovadiolivraria.blogspot.com/


Poemas de Marcial, traduzidos por Alberto Pimenta, in Telhados de Vidro nº 7, Averno, 2006.
Nota: A poesia dos autores supracitados nada tem a ver com a gratuitidade da pornografia.

Apresentação de "Caravana", de Rui Manuel Amaral

Apresentação de "Caravana", de Rui Manuel Amaral. Sábado, 19 de Abril, 16h30.
Com a presença do autor e de Rui Lage.

Pumice (NZ) - concerto rock lo-fi - sexta-feira, 11 Abril.

Pumice (NZ) - sexta-feira, 11 Abril. 22h. entrada 3€
Gato Vadio

Pumice é o nome do projecto musical do neo-zelandês Stefan Neville. Este concerto (clicar na imagem) só é possível graças à ZOOM, Associação Cultural de Barcelos. Os bilhetes para o concerto estarão à venda no Gato Vadio a partir deste sábado, dia 5 de Abril.

Poesia Satírico-Erótica - Domingo, 6 de Abril, 18h.

"Escuto a fonte, meu misterioso desígnio de cantar o amor",
Herberto Helder


Se a Primavera espevita, há que fazer com que Eros desponte!
No próximo Domingo, dia 6. às 18h. Venham de fininho, não vá o diabo …ê-las!

Com Uma Faca nos Dentes (3)

Poesia Marcial, quem vai à guerra...

Com pesar informamos que a sessão de poesia que estávamos a organizar foi censurada pela Comissão Sistémica Anti-Erótica. Os livros que serviriam para enaltecer os valores intrínsecos da Poesia e da Arte e para homenagear o erotismo, a sátira e os cantos de amor, foram apreendidos pelo depósito ilegal da supracitada Comissão. O director desse infame instituto censório, o senhor Silva, cheirava a cebola, escarvava vigorosamente o orifício auricular com a unha do mindinho, pediu uma mini e perguntou se tínhamos o telefone da tal senhora Natália.
Saiu sem pagar, com um matacão de cera incrustado até ao sabugo, mas…sem nos palmar o último original da Poesia do Marcial, poeta uno e ditoso, alvo de perseguição pela Comissão Internacional do Fomento Anti-Erótico.
Dado que a proibição incide sobre as leituras à haute voix de poemas, será todavia legítimo (que venham os ilegítimos, os bastardos, as ninfas e os erotomaníacos) distribuir ao nosso querido e bem-amado púb(l)ico na sessão de poesia em causa, que terá lugar este Domingo às 18h que é para o padre da paróquia de Cedofeita vir aqui num ápice depois de celebrado o missal, alguns prospectos volantes com os versos censurados. Aguardem-nos: quem vai à guerra dá e leva. Contamos consigo para dar corpo ao manifesto.

Os Vadios, 3 de Abril de 2008. Porto.


Sessão de Poesia Erótica e Satírica, poemas extraídos da Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, organizada por Natália Correia e co-editada pela Frenesi e a Antígona.

vozes, gritos, palavra.

A Morte do Gato

(…) O gato acordou. Não compreendia a origem do profundo mal-estar que lhe havia interrompido os doces sonhos. Deve haver um cão aqui na cavalariça, pensou, gabando-se do seu requintado instinto. Com prudência, sem fazer o menor ruído, pousou as patas da frente
na portinhola e olhou para fora. Nenhum cão à vista! Estes estúpidos e barulhentos animais ter-se-iam traído imediatamente. Um fumo espesso enchia a cavalariça. Devia tratar-se ainda e sempre do vapor de água que as mulheres haviam lançado sobre o fogo. O gato não se tranquilizou e ficou alerta. Porém, nesta posição, passou da observação das coisas exteriores à sensação de uma grande perturbação interior. Sentia-se mal! O sangue palpitava-lhe nas orelhas, tinha um véu de sombra diante dos olhos e respirar não lhe proporcionava nenhuma satisfação. Saltou da carruagem, mas as patas já não funcionavam bem e rolou com violência para o solo, magoando as coxas. (…) Então o pobre gato, num último movimento decidido, alcançou a coxear a pilha de madeira que já uma vez o salvara, e escalou-a até ao ponto mais alto. Daí olhou em redor. Clarões vermelhos atravessavam o fumo espesso e chegavam até ele. O gato vacilava! Sentia que o mal lhe entrava no corpo pela boca e pelo nariz. Agarrou com toda a força um bocado de madeira entre as patas e encostou-lhe a boca para não respirar. “Farei com que despeçam também este cocheiro”, pensou ele. Apercebeu-se de que rolava para a base da pilha de madeira, mas uma grande sonolência impediu-o de fazer qualquer movimento a fim de se agarrar. Quanto tempo rolou assim? Parecia-lhe cair, cair sempre, sem no entanto sentir…

Ítalo Svevo, in Fábulas, &etc, 2001.

Um ano depois continuamos vivos a cair, a cair sempre, sem no entanto sentir…