concerto de CRUDE | Sáb 14 mar, 21H30

CRUDE É: três raparigas e alguns objetos que fazem barulho. Crude não é: música folk nem spoken word, mas tem coisas. Crude é: a Mariana, a Dulce e a Ana. Crude não é: o cão da tua vizinha (mas pode ser, se ele quiser vir). Crude é: auto-irónico e presunçoso. Crude não é: mau do fundo do coração. Somos rafeiras, mas verdadeiras. 


USAMOS as palavras como armas de arremesso, o som para tornar tudo ainda mais insuportável. abusamos da condição de mulher sem pudor para comer romãs como quem as fode. Rebarbadoras em punho para desafiar as palavras, para que elas possam deixar marca, ferir. Usamos a boca, o corpo e as mãos para dar forma à revolta. Somos três, mas poderíamos ser todas. Somos o que tivermos de ser quando bem nos apetecer. Pintamos os lábios de vermelho, usamos rímel e vestimos de preto. Gostamos de caminhadas, de torradas com muita manteiga e de ruas de sentido proibido. Somos mulheres, é isso. Enchemos a boca de palavras de autores como Sophia de Mello Breyner Andresen, Natália Correia, Charles Bukowski. Usurpamos versos de wc e modinhas do cancioneiro tradicional. Resgatamos cantigas de escárnio e maldizer. Somos pop, tropicais e urbanas. Somos reggaeton e sáficas. 

ATUAMOS para pessoas, animais de companhia. Levamos o corpo, lavamos as gargantas, manipulamos ferramentas. Abusamos dos sons, exageramos nas palavras. Não temos segredos. Atiramos com as palavras para o ar. Vestimos o chão com os livros. Comemos fruta e ligamos a sirene. Fazemos intervenções técnicas em canções. Distribuímos pacotinhos de açúcar entre o público. Fazemos a festa. Não fechamos a porta. Desde 2015 até agora, atuamos na Póvoa de Varzim, no Porto, n’ “O Meu Mercedes é Maior que o Teu”, em descampados pouco articulados, em espaços culturais e livrarias, no V Encontro Internacional de Palhaços de Vila do Conde, na Casa Comum da Reitoria da Universidade do Porto e, mais recentemente, nas Quintas de Leitura, no Porto. somos mulheres, é isso. somos Pholc-panque apocalíptico poético-visceral catártico.