Centenário de Ferrer i Guàrdia



Fundador da Escola Moderna foi executado há um século


Se muitos conhecem o filósofo Jonh Dewey ou o pedagogo brasileiro Paulo Freire, a maioria desconhece que o pai ideológico destes reputados pensadores foi o catalão Ferrer i Guàrdia (1849 – 1909).

O criador da Escola Moderna, fundamentada em ideais libertários e de cariz social, nasceu a 14 de Janeiro de 1859, em Alella, na Catalunha. Na adolescência começa a contestar o regime monárquico e o poder da igreja sobre o Estado e os cidadãos. Através da sua ligação com os republicanos, participa em tentativas de derrube do poder da monarquia e que visavam a instauração da república em Espanha.

Devido à sua actividade política e social, foi exilado em Paris, em 1886, onde conheceu o ideal libertário preconizado pelos anarquistas e identifica-se com Paul Robin, o teórico da

Pedagogia Integral e fundador do Orfanato de Cempuis na cidade de Paris.

Em Abril de 1901 Francisco Ferrer i Guàrdia recebe uma herança de uma viúva francesa a quem dava aulas de castelhano em Paris. Aos que tratavam de o convencer em utilizar o dinheiro para fins eleitorais, como o líder republicano-socialista radical Alejandro Lerroux ( ver a sua biografia em http://es.wikipedia.org/wiki/Alejandro_Lerroux ) responde: “Servirei melhor as minhas ideias fundando a Escola Moderna do que fazendo política”.

No seu livro La Escuela Moderna, Ferrer definia assim o objectivo da Escola Moderna: “Extirpar do cérebro dos homens tudo o que os divide, substituindo-os pela fraternidade e a solidariedade indispensáveis para a liberdade e o bem-estar gerais para todos.”

O ensino ministrado seguia as seguintes orientações: o aluno é livre, livre inclusive de deixar a escola. O aluno goza de uma ampla liberdade de movimentos: vai ou não ao quadro, consulta ou não este ou aquele livro, entrega-se às suas fantasias quando isso lhe agrada, e até pode sair da sala de aula quando tem vontade de o fazer. Não havia exames, nem muito menos castigos e recompensas.

Na realidade, a Escola Moderna foi um importante foco de educação popular: constituída por ensino primário, foi a primeira escola mista em Espanha (inédito na época em muitos países europeus), de dia era para crianças e à noite para adultos; teve aulas de francês, de inglês, alemão, taquigrafia e contabilidade; estava apetrechada com um local onde se realizavam conferências, vocacionado para os sindicatos e as colectividades operárias; tinha ainda uma editora a fim de suprir a crónica falta de material didáctico, e graças à qual foram editados manuais escolares, livros para adultos, folhetos, informações e um boletim.
Aos domingos funcionava como uma universidade popular acessível a todos.

Além disso, Ferrer é defensor da educação física e da natação, ao mesmo tempo que rejeita os jogos e as provas de competição que servem para alimentar a vã glória dos seus participantes. Estimula os trabalhos manuais para os rapazes, assim como a jardinagem, a limpeza e os trabalhos domésticos, uma forma de nivelar ambos os sexos na execução das mesmas tarefas.

O local escolhido para a instalação da primeira escola foi um antigo convento da rua Bailén, na cidade de Barcelona, tendo aberto as suas portas a 8 de Outubro de 1901.

Não é de todo alheio à Escola Moderna e aos seus ideias o facto de a Catalunha ter estado na vanguarda das lutas emancipadoras nos últimos cem anos e que movimentos políticos e sociais, como a CNT (Confederação Nacional dos Trabalhadores), se tenham implantado tão fortemente naquela região.


Em 1905 a Escola Moderna espalha-se por 147 espaços por toda a Catalunha. Em 1908 contam-se mil alunos só na cidade de Barcelona, e criam-se centros de ensino do mesmo género em Madrid, Sevilha, Málaga, Granada, Cádiz, Córdoba, Palma, Valência, assim como no estrangeiro (em SãoPaulo, Lausanne, Amsterdam e Lisboa).

Em Junho de 1906, o governo espanhol encerra a escola-mãe, na rua de Bailén, na sequência do atentado bombista de Mateo Morral, bibiotecário da Escola Moderna, contra a carruagem real no dia da boda de Alfonso XIII. Ferrer i Guàrdia é detido e processado como instigador do atentado. Absolvido das acusações, Ferrer sai da prisão em Junho de 1907, mas a Escola-mãe em Barcelona jamais reabrirá portas.


Ferrer promove a criação da revista L’École Renouvée com o subtítulo «extensão internacional da Escola Moderna de Barcelona», cujo primeiro número é editado em Bruxelas a 15 de Abril de 1908 e onde
explicitamente se defendia que o militarismo era um crime, que a distribuição desigual dos rendimentos devia ser abolida, que o sistema capitalista era prejudicial aos trabalhadores e que a política dos governantes era injusta. Também defendia a não-violência.


Ao fundar em 1908 a “Liga Internacional para a educação racional da infância” conta com apoiantes de peso como Languevin, Bernard Shaw, Berthelot e Gorki.

No ano seguinte, vários protestos eclodiram na Catalunha contra a guerra de Espanha com Marrocos. Estes acontecimentos ficaram conhecidos como Semana Trágica e foram marcados pela revolta da população de Barcelona que queimou igrejas e conventos, obrigando as autoridades a abandonar a cidade. No período da revolta, Ferrer encontrava-se de visita a um irmão que morava em Barcelona. A repressão que se seguiu à Semana Trágica prendeu e condenou dezenas de pessoas, entre elas Ferrer, preso no dia 1 de Setembro. O Tribunal de Guerra reunido para os julgamentos aplicou penas que variavam de prisão perpétua à execução. A favor de Ferrer levantaram-se vozes em várias partes do mundo, inclusive no Brasil. Mas para que a “ordem” monárquica e eclesiástica se restabelecesse era imperioso que Ferrer fosse julgado no Tribunal de Guerra, sem testemunhas de defesa.

No dia 09 de Outubro, o Conselho de Guerra abriu a sessão e ouviu as contraditórias testemunhas que acusavam Ferrer. A acusação que pesava sobre Ferrer de ser o líder intelectual da Semana Trágica baseava-se unicamente numa denúncia formulada numa carta remetida por prelados de Barcelona.

No mesmo dia foi dado o veredicto final: a pena de morte. A execução ocorreu em 13 de Outubro de 1909, na Fortaleza de Montjuich.


Documentário + Debate

Ferrer i Guàrdia, una vida per la llibertat

Terça-feira, dia 13 de Outubro, 22h

Entrada Livre

Gato Vadio


O documentário Ferrer i Guardia, una vida per la llibertat narra a vida do pedagogo e libertário Francisco Ferrer i Guàrdia e a construção do seu projecto de ensino da Escola Moderna.

Ver mais informação sobre o autor e eventos sobre o centenário:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Ferrer

http://es.wikipedia.org/wiki/Francisco_Ferrer_Guardia

Fundação Ferrer Guardia

http://www.laic.org/cas/index.php

http://www.centenario-ferreriguardia.org/


Conferência em Madrid sobre os Cem anos do assassinato de Ferrer i Guardia

Organizada pela FAI

http://www.centenario-ferreriguardia.org/?Madrid-Conferencia-debate-Cien



Jornadas de educação libertária. Homenagem ao pedagodo Ferrer i Guardia por
ocasião dos 100 anos do seu fuzilamento

…em Palma de Maiorca

http://www.centenario-ferreriguardia.org/?Palma-Ateneu-Llibertari-Estel


Homenagem a Ferrer i Guàrdia, a 13 de outubro em València.

http://www.centenario-ferreriguardia.org/?Homenatge-a-Ferrer-i-Guardia-13-d



Lleida, lunes 12 de octubre, acto sobre Ferrer i Guàrdia en el marco de la
exposición "Pedagogías Libertarias"

http://www.centenario-ferreriguardia.org/?Lleida-lunes-12-de-octubre-acto






Sem comentários:

Enviar um comentário