Poema pouco original do medo


O medo vai ter tudo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis
Vai ter olhos onde ninguém o veja
mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no teto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos

O medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
ótimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projetos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com a certeza a deles

Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angustiados

Ah o medo vai ter tudo
tudo
(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)

O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos


Alexandre O'neill


Sai à rua | Jazz + Poesia Sai à Rua + Oráculo do Fogo | 25 a 29 de Abril


Jazz, Esse Gato Vadio!

27 de Abril | Sexta feira
Clara Buser Jazz+1 | 21h30

28 de Abril | Sábado
Souzzafone Blues | 18h

29 de Abril | Domingo
Orelhas de Gato | 17h
A Poesia Está na Rua | Bella Damião + António Domingos
Oráculo do Fogo | perfomance poética



SAI À RUA


25 de Abril

Marcha
Contra
A Corrente


BATALHA +
Panelada de Protesto | 15h
LIBERDADE =
Desfile & Medit-ação | 17h
FONTINHA <3
Re#ocupai Popular | 19h


Acção Directa Não-Violenta

Acção Directa Não Violenta [pdf], baseado no Guia teórico-prático “Como realizar una Acción Directa Noviolenta y no sucumbir en el intento”, publicado em Julho de 2010 pela Assembleia Antimilitarista de Madrid, Grupo Antimilitarista Carabanchel. Edição C.A.G.A. (Contra A Guerra Age)

Guia Anti-Repressivo

Inspirado num guia anti-repressivo da Confederação Geral do Trabalho (CGT) de Espanha, o Guia Anti-repressivo [pdf] é uma ferramenta de informação, formação e consulta, com o objectivo de ajudar a garantir os Direitos e Liberdades na luta social e sindical.

E hoje, sais à rua?



Ao Es.Col.A!

Há um poema, que já foi refeito e recriado, que ultimamente tem voltado a ser readaptado e posto à circulação:

“Primeiro levaram os anarquistas,
Mas eu não me importei
Porque não era nada comigo.
Em seguida levaram alguns operários,
Mas a mim não me afectou
Porque eu não sou operário.
Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.
Logo a seguir chegou a vez
De alguns padres, mas como
Nunca fui religioso, também não liguei.
Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde.”


Tod@s nós somos mais do que anarquistas, operários e sindicalistas, porque de facto não somos padres. Não pregamos, não temos bíblia, não te pedimos esmolas, não temos nenhuma hóstia para te dar a troco da tua liberdade de espírito, sobretudo não temos marretas, nem tasers, para que te ajoelhes e arrebanhado sejas. Os noss@s choques eléctricos são outros. Eu sei que tu já sabes de que tipo de electricidade corrente falo. Uma electricidade que nos perpassa e electriliza quem ao fluxo se junta. Só não desejamos ficar estáticos, porque há tanto a fazer numa realidade que quotidianamente nos impõe a violência social e económica, a injustiça humana e a impostura espiritual, o abandono e o desprezo, de uma classe de amos que reina do alto das centrais eléctricas de tasers e máquinas de electrochoques. Ainda não percebeste que a vida humana está em perigo? Não é estar vivo - ameaça que acontece noutras paragens mais indefesas em nome da mesma Electricidade Dominante Planetária Geral - é o ser-se humano que desaparece, como dizia George Orwell.

Lembras-te como aconteceu, no início, toda esta história do ES.Col.A do Alto da Fontinha? Como não quisemos ficar estáticos, não fomos bater à porta de quem sucessivamente demonstrou, ao longo de cinco anos, incúria por deixar arruinar um edifício público, descaso por abandonar uma possibilidade de utilidade pública, desprezo pela população carenciada envolvente. Nunca saltaste um muro sem permissão? E olha que não fomos lá para roubar a incúria, o descaso e o desprezo, ali deixados pela gestão camarária de Rui Rio. Esses valores, se ainda não sabias, são os dele. Não queremos nada disso, nem ontem nem hoje. O que fizemos depois já toda a gente sabe, até na TV falam do yoga, das aulas de acompanhamento escolar, da oficina de instrumentos musicais, da capoeira (mas sem Galos no poleiro...), da biblioteca e sala com computadores, dos espectáculos de teatro... Tudo sem pedir um tostão. Se quiseres, tudo por amor à causa. Sim, agora falam dos jantares colectivos, falam de assembleias colectivas, dos filmes e documentários. Agora até falam do xadrez, onde meteram dois companheiros. Talvez eles tenham lançado, com um pouco de mais fôlego, as injúrias que tod@s lançamos. Vais-me dizer, além de já teres saltado muros sem permissão, que também insultaste por três vezes e baixinho o homem que esteve por detrás da decisão de despejar com violência organizada a democracia que ali se fazia e ele não faz, espezinha e há muito vendeu, a troco da mentira do lucro?

Então, se saltas muros e as injúrias não chegam para classificar a cobardia desse homem, ainda duvidas que tudo isto não tem a ver contigo?
Eu sei, tens ainda a bíblia da lei. Não somos parvos, reconhecemos que ela é uma arma de controlo humano mais eficaz que um pacote de milhões de tasers com um episódio completo dos talk-shows da Júlia Pinheiro. Vê-se à distância, como a lei reúne e estabiliza a protecção da elite política; sente-se cada vez mais, como a lei reforma e expande a hegemonia das elites financeiras e económicas. Mas, como não som@s padres, esquece este esguicho de água especulativa. Voltemos à água da Fontinha, voltemos ao teu nariz que ainda se torce um bocadinho quando se ouve as meias-verdades e manipulações dos guarda-livros (agora também pilham) da Câmara do Porto, quando estes dizem que havia um contrato que foi rejeitado selvaticamente. Então espera, já saltaste muros e sussurraste aquelas carvalhadas típicas da humanidade do património, mas para ti há um problema técnico nesta questão? Para ti, tudo isto é um problema de secretaria? Não te iludas. Ainda assim, talvez mudes de opinião se levares em conta que também na parte processual (arrastada e chatérrima) de resolver a reocupação da escola do Alto da Fontinha, após o primeiro despejo a mando da gestão Rui Rio, o Es.Col.A demonstrou uma maturidade, inteligência e tolerância, que a Câmara não revelou em toda a questão processual. Decidimos dialogar com quem impõe uma forma de organização da vida colectiva que fomenta o primado do interesse privado sobre o interesse público; decidimos dialogar com quem restringe a informação e os dados públicos aos munícipes; decidimos dialogar com quem tem como visão de emancipação humana a hierarquia de poder do quero-posso-e-mando. Decidimos dialogar com quem chama a polícia onde alastra a liberdade e a democracia directa e popular.

Tivemos a maturidade, através da razão, da transparência e da livre circulação de informação, de fazer cair a máscara dos falsos democratas; tivemos a inteligência de praticar a solidariedade, o consenso e a ajuda mútua, desferindo com esses valores uma bofetada de luva branca nos valores da eficácia, competição, poder e lucro defendidos pela actual CMP; tivemos a tolerância de esperar por ti, que ainda não sabias que não somos só anarquistas, operários e sindicalistas, que a nossa energia vive disso e muito mais, transcende tudo isso quando queremos experimentar a autonomia de viver, reunir a força de transformar em comunidade, espalhar a libertária forma de emancipar o mundo à nossa volta.

Nós, decidimos dialogar com quem, enquanto promove a venda do teu património ao capital privado e despejou pessoas de bairros sociais munindo-se e congratulando-se do alto de uma lei de despejos da ditadura do Estado Novo, nunca teve a coragem de vir ao Alto da Fontinha. Todos os dias a cobardia de um homem se passeia a 1000 metros da escola da Fontinha, fugindo do diálogo e da democracia que o Es.Col.A liberta por dela ter medo, ao mesmo tempo que usa de meios públicos para vender nos jornais a imagem de falso-diálogo e de falso democrata.

Tu és democrata? Não nos percamos outra vez em especulações... Agora é a tua vez de esquecer a tua água benta... Voltemos à Fontinha. Diz-me, és democrata pela via indirecta com o Rui Rio, ou és democrata pela via directa connosco? Estás com a cobardia de quem se protege com a polícia e a violência organizada, ou estás com quem veio com a coragem humana de transformar a vida que vem antes da lei?
Nós não temos nada contra a lei. Viemos ao mundo antes dela e é antes dela que afirmamos os valores humanos que defendemos.
Já olhaste para o relógio, passa das cinco da tarde, faz-se tarde, faz-se cada vez mais tarde. Será que neste momento sais do trabalho, da escola, do café, será que chegou a tua vez?

Vadio

Gato & Gata - Intervenção comunitária & Arte | Sexta 20 & Sábado 21 de Abril


INTERVENÇÃO COMUNITÁRIA & ARTE


20 e 21 de Abril

Uma colaboração com o GATA - Grupo de Activismo e Transformação pela Arte.



Fundado a 25 de Outubro de 2009, o GATA (Grupo de Activismo e Transformação pela Arte) é um colectivo aberto sedeado no Porto, que aborda as questões de género através da actividade criativa. O GATA centra-se no desenvolvimento do aspecto performativo do activismo, utilizando estratégias de guerilla art, bem como a ironia e a paródia como crítica social. Feminista na sua abordagem, e claramente inspirado na arte performativa feminista, o GATA explora o potencial transformativo da arte com vista ao processo participativo, utilizando diferentes formas de arte, que incluem a performance, as artes visuais, a escrita e a música. Aberto a todos/as, acolhe quem deseje juntar-se a este projecto! Para mais informações: http://g4t4.wordpress.com

DIA 20

22h00: Do Corpo à Palavra. Filme colectivo, 2008; 45'.

O Projecto Ir nasce de uma vivência que tem vindo a decorrer desde o ano de 2005 na cidade de Lisboa, em parceria com a Obra Social das Irmãs Oblatas. É um projecto que dialoga com a arte relacional e propõe uma intervenção sócio-artística. Através de uma abordagem pela dança, aprofundaram-se estudos do corpo e do movimento, e ao longo destes anos, acompanharam-se percursos de (re)conhecimento de si e dos caminhos quotidianos de um grupo de mulheres em contexto de prostituição de rua no Intendente. Investindo no corpo para chegar à palavra, na pessoa que está para além do papel social que representa este grupo de trabalhadoras do sexo. Este filme documenta o processo de trabalho, momentos do laboratório de dança e de cinema, a preparação do evento, os conflitos, as escolhas e a reflexão sobre o tema da maternidade, até chegar ao dia da exibição do vídeo. Uma reflexão sobre a vida deste grupo de mulheres, as suas

23h00: Exibição de duas reportagens a partir de trabalhos da PELE - Espaço de Contacto Social e

Cultural.

A PELE é uma estrutura artística desta cidade e foi criada em 2007. Nos últimos quatro anos tem desenvolvido vários projectos artísticos, norteada sempre pelo princípio de colocar os indivíduos e as comunidades no centro da intervenção, promovendo processos de empoderamento individuais e colectivos através da arte. Tem vindo a intervir em diversos contextos - bairros sociais, centros de acolhimento de crianças e jovens, escolas, estabelecimentos prisionais -, e com diversos grupos - desempregados, beneficiários do rendimento social de inserção, comunidade surda, idosos, trabalhadores da indústria corticeira e têxtil, jovens em risco, entre outros. Nesta sessão, exibem-se duas reportagens do programa ‘Linha da Frente’ da RTP, a partir de trabalhos da PELE.
Tempos Tremendos. Alberto Serra, 2009; 20'.
Em 2009, em co-produção com o Centro de Criação para o Teatro e Artes de Rua, a PELE desenvolveu o projecto de arte comunitária Texturas para o Imaginarius - Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira. O projecto partiu de um dos grandes unificadores da comunidade feirense - a indústria corticeira. Este processo criativo, iniciado em Outubro de 2008, seguiu uma lógica de aproximação e identificação entre as diversas gerações destas comunidades, envolvendo jovens, adultos e idosos, com a participação global de mais de 250 pessoas.
Presos ao Palco. Alberto Serra, 2010; 27'.
Em 2010, a PELE desenvolveu o projecto teatral Entrado no Estabelecimento Prisional do Porto, também em co-produção com o Centro de Criação para o Teatro e Artes de Rua, para o Imaginarius. Num processo de nove meses, com um grupo de cerca de 30 reclusos, desenvolveu-se um espectáculo com base na pesquisa das suas histórias, memórias, corpos e vivências, destacando-se e valorizando-se as possibilidades da sua (re)escrita. Entrado, espelho das
vontades dos reclusos, propõe ao público um percurso por alguns espaços do estabelecimento prisional, tocando nas dimensões da culpa e do perdão como incontornáveis na vida.

DIA 21

 

22h00: Conversa com Isabel Menezes, Cláudia Lopes e Hugo Cruz.

'Caminhos de acção comunitária em disciplinas artísticas'.

Isabel Menezes
Licenciada e doutorada em Psicologia, é Professora Associada com Agregação na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. Tem dedicado parte importante do seu trabalho às questões da intervenção comunitária, da psicologia política e da educação para a cidadania sendo autora de diversas publicações nessas áreas.
Cláudia Lopes
Licenciada em Escultura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, e mestre em Criação Artística Contemporânea pela Universidade de Aveiro. Colabora regularmente em exposição desde 1999. Desde 2007, é responsável pelo atelier de Expressão Plástica do Centro Hospitalar Conde de Ferreira.
Hugo Cruz
Psicólogo e artista comunitário, co-fundador da PELE e professor de Teatro e Comunidade na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo do Porto e outras instituições. Programador do Imaginarius - Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira. Tem vindo a desenvolver experiências no âmbito do teatro comunitário com jovens em risco, reclusos, jovens institucionalizados, idosos e grupos de pais, e em comunidades rurais e industriais.



Entretanto na Fontinha, a luta continua!
O silêncio e aparente apatia da Câmara, em face das suas recentes ameaças e ultimatums, só nos deve deixar mais preocupados quanto á iminência de uma acção de despejo. A táctica é conhecida e passa por tudo se fazer para não efectuar o despejo "em directo pra televisão", mas a coberto da noite, no escuro, sem alaridos mediáticos nem confusões juridico-policiais. O que Rui Rio quer, no fundo, é que no dia seguinte tudo seja como se nada se tivesse passado. Mas nós acreditamos que está enganado: depois da Es.co.la, nada vai voltar a ser como dantes!

Em jeito de agradecimento a todos aqueles que têm participado nas várias acções realizadas até agora para tentar impedir o despejo da Es.co.la da Fontinha, apresentamos de seguida a lista das associações que, por todo o país, já subscreveram a declaração conjunta de apoio.


AIT/SP - Núcleos do Porto
AIT/SP - Núcleo de Chaves
Assembleia Popular do Porto
Assembleia Popular de Coimbra
ATTAC Portugal
Casa da Achada - Centro Mário Dionísio (Lisboa)
Casa da Horta - associação cultural
Casa Viva
Espaço Musas
Centro de Cultura Libertária (Almada)
5Dias
Colectivo Hipátia
Gaia
Gap - Grupo de Acção Palestina
Indignados Lisboa
AJA Norte - Associação José Afonso
Gato Vadio Livraria
Marcha Mundial das Mulheres
Movimento 12 de Março
Opus Gay
Panteras Cor-de-Rosa
Partido Humanista
Plataforma 15 de Outubro
Portugal Uncut
Revista Rubra
Associação SAPATO 43
Terra Viva
Traga Mundos
Tribuna Socialista
Uniao Operaria Nacional
Unipop
UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta
Vidas Alternativas
We Have Kaos in the Garden
 Precários Inflexíveis

A todos, um muito obrigado!
LIVRARIA-BAR GATO VADIO
Rua do Rosário 281, Porto.
ENTRADA LIVRE
SOBRE NÓS
Gato Vadio
Há um ano a Gato Vadio vestiu a pele de Associação Cultural e Espaço de Intervenção Social, sem fins lucrativos. O seu espaço continua aberto à diversidade de gentes felinas. A intervenção directa, as oficinas, os debates, os ciclos de documentários, os filmes, os concertos, a poesia, os livros, as festarolas e o tu-cá-tu-lá são para continuar.
As nossas garras continuam tão sedutoras como o ronornar que fazemos aos vossos ouvidos!

Nós não recuamos


No espectro político nacional existem políticos com uma imagem bem mais reaccionária, como Valentim Loureiro ou João Jardim, mas nenhum autarca nas últimas décadas, apesar do ar Armani e da lábia à Mourinho, tomou decisões tão fascizantes como fez Rui Rio (seja nos despejos contínuos nos bairros sociais do Porto, ou no Es.Col.A da Fontinha). Se emotivamente o populismo discursivo de alguns políticos nos pode irar, são as decisões políticas objectivas – que não caem do céu, mas que têm por detrás delas actos conscientes e a vontade de um homem –, que devem merecer a nossa mais resoluta resistência. Sobretudo, quando essas decisões são objectivamente antidemocráticas e fascizantes. Uma só assembleia aberta do Es.Col.A faz pela democracia o que uma década de farsa de Rui Rio fez pelo fascismo neoliberal. O que é extraordinário no Es.Col.A é existirem hoje centenas de pessoas que nunca passaram por lá e que sabem que o significado de resistir se traduz no facto de elas próprias, essas centenas de pessoas que nunca passaram por lá, já não recuarem. E esse é um dos méritos do Es.Col.A.

Vadio

Es.Col.A + Documentários Poéticos + Contos de Kafka | Sexta 13 & 14 de Abril


Se ainda escutas a alegria de viver ouvirás o sinal para ficar
Declaração Conjunta de Apoio
Lá do Alto da Fontinha dá vontade de planar. Vê-se outra cidade a ser construída. Tijolo a tijolo, dia-a-dia, mão a mão, sorriso a sorriso. Aquilo que parecia um abismo – uma escola vazia, abandonada e arruinada – tornou-se o próprio espaço do sonho.

Com os pés assentes na terra, constrói-se a solidariedade, o espírito comunitário, uma ideia de utilidade pública alicerçada na ajuda mútua e na partilha livre do conhecimento. Ali faz-se ainda a democracia directa e participativa que falta. Ali aprende-se a estar vivo. Ali vê-se que a crise que nos quer amedrontados e pieguinhas, foge a sete pés. Não, nem a crise, nem um rio seco e sequioso, nem as cajadadas dos falsos democratas, vão estancar o fluxo desta Fontinha...

Neste momento decisivo, por uma exigência recíproca, cada um deve colocar ao outro as questões humanas e colectivas essenciais.


Esta declaração conjunta de apoio ao Es.Col.A já foi abraçada por catorze colectivos e associações, e está aberta a mais adesões de quem quiser e quando quiser. Escreve-nos!

Lá do alto, diremos à cidade que rejeitamos o despejo decretado pela actual gestão do Município do Porto e estenderemos a mão a quem veio por bem e para ficar.


Assinam,

AIT/SP - Núcleo de Chaves e Porto
Associação Casa da Achada - Centro Mário Dionísio (Lisboa)
Associação SAPATO 43
Casa da Horta (Porto)

  • Revista Rubra
Terra Viva
UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta
Partido Humanista


Sexta-feira 13 de Abril | 22h
The Way South / O Caminho do Sul 
de Johan van de Keuken
Holanda (1980-81) | 143 mins.


Interrogatório cultural através de uma paisagem sociopolítica que se entrelaça com a imigração doméstica e estrangeira e a divisão de classes. Na viagem está representada a noção de privilégio e exclusão entre o norte e o sul continentais. Ao viajar Johan van de Keuken expõe também a polarização entre o leste e o oeste, e continua à procura de uma nova visão, uma nova escala de percepção e linha de questionamento.

Sábado, 14 de Abril | 22h 
Sans Soleil / Sem Sol 

de Chris Marker
França (1983) | 100 mins.


Sans soleil estende os limites do que pode ser chamado documentário. É um ensaio, uma montagem de Chris Marker, que mistura peças de documentário com ficção e comentários filosóficos, criando uma atmosfera de sonho e ficção científica. Embora focado no Japão, o filme também foi rodado noutros países, tais como Guiné Bissau, Irlanda e Islândia.

Sábado, 14 de Abril | 17h00 
Contos breves de Kafka 

Leituras de Luís Graça Nobre e Rui Manuel Amaral
O que dizer de um autor a propósito do qual já se disse tanto? Uma simples vista de olhos a qualquer bibliografia sobre Kafka mostra a que ponto é difícil acrescentar alguma ideia nova ao que já foi dito e escrito. Mas se há escritor que se possa considerar verdadeiramente inesgotável, esse escritor é Franz Kafka (1883-1924). Ler Kafka é compreender um pouco melhor a nossa complexa e atribulada humanidade. Veja um trailer aqui.
Abaixo reproduzimos a última Carta Aberta do Es.Col.A., que fala por si e por todos nós.
A promessa de suspensão do despejo do Es.Col.A revelou-se um logro. Politicamente forçada a dialogar com os ocupantes da antiga Escola Primária do Alto da Fontinha, a Câmara Municipal do Porto (CMP) mais não queria do que anunciar que o despejo se mantinha, embora adiado. Em reunião com dois delegados da Assembleia do Es.Col.A, os representantes da câmara exigiram que o projecto assinasse a sua sentença de morte, traduzida num contrato de aluguer com fim em Junho. A continuidade imediata do Es.Col.a dependeria da assinatura desse papel.

Recapitulando: a 10 de Abril de 2011, um grupo de pessoas ocupou a antiga escola primária do Alto da Fontinha, devoluta e abandonada há mais de cinco anos pelo município que a devia manter. Depois de um mês de ocupação do espaço e já com inúmeras actividades a decorrer, a CMP mandou a polícia despejar violentamente os ocupantes e emparedar o edifício. Depois de um longo processo negocial, o Es.Col.A voltou à Escola da Fontinha onde se mantém até hoje, com a indiferença da CMP.

Esta farsa é, para nós, inaceitável, tal como o é o despejo em si - seja agora, em Junho, ou em qualquer altura. Perante quem tem, repetidamente, falhado no cumprimento da sua própria palavra e que entende o ultimato como forma de negociação, a posição do Es.Col.A só pode ser a de não aceitar a decisão de despejo. Fazê-lo seria desistir do sonho com que partimos para esta aventura, o de transformar as nossas vidas com as nossa próprias mãos, ensinando e aprendendo com quem se cruza connosco, nas ruas da Fontinha.

Porque o Es.Col.A, muito mais do que uma escola, é um laboratório dum mundo já transformado, resistiremos.

Precisamos do sentido solidário de toda a gente que se identifica com o projecto. Em todo e qualquer lado, que a ocupação e a libertação de espaços sejam a resposta generalizada ao ataque às iniciativas de emancipação popular dum sistema que prefere a propriedade, mesmo que abandonada, ao usufruto, mesmo que colectivo.

Que a moda pegue! ai, ai


Mais informação: