Revoltas Ludditas + Metropolis + OKUPA_2012 | 28 a 31 de Dezembro


Os 200 anos das Revoltas Ludditas
contra a maquinaria industrial


Quarta e Quinta | 28 & 29 de Dezembro, às 22h
Projecção do filme Metropolis (em duas partes)

Sexta | 30 de Dezembro, às 22h
Conversa sobre as Revoltas Ludditas,
o mito do progresso técnico e o lugar da técnica no sistema de dominação social


Assinalam-se agora os 200 anos das revoltas ludditas contra a maquinaria industrial que destruía empregos, aumentava o ritmo de trabalho e infernizava a vida dos primeiros trabalhadores industriais na Inglaterra.

As personagens fictícias, Nedd Ludd e Captain Swing eram os nomes que alegadamente lideravam o movimento de ação directa de destruição das máquinas industriais e que obrigou o governo inglês da época a impor a pena de morte a quem as destruísse, o que motivou dezenas de condenações à morte de operários ludditas, o que provocou uma forte acção de repúdio por parte de Lord Byron, notável escritor inglês, que num discurso célebre se colocou ao lado dos condenados.

A livraria-café-bar Gato Vadio recorda, nesta última semana do ano, os acontecimentos de 1811 na Inglaterra, e lança o debate sobre o papel da técnica e o mito do progresso técnico-científico como estratégias de dominação social quer no tempo do capitalismo industrial, quer, actualmente, em plena crise de recomposição do capitalismo financeiro contemporâneo.


28 de Dezembro, às 22h
Projecção do filme Metropolis (1ª parte)


Sinopse: Metropolis é um filme alemão de ficção científica produzido em 1927, realizado pelo cineasta austríaco Fritz Lang, e é é considerado uma das obras mais marcantes do expressionismo alemão. Em 1984, Giorgio Moroder, responsável por bandas sonoras, faz uma adaptação sonora da versão original ao som de uma sinfonia rock. O enredo passa-se num longínquo séc XXI, numa grande cidade governada autocraticamente, com uma classe privilegiada, vivendo num jardim idílico. Os trabalhadores, ao contrário, são escravizados pelas máquinas, e condenados a viver e trabalhar em galerias no subsolo. Num meio de miséria entre os operários, uma jovem, Maria, destaca-se, exortando os trabalhadores a organizarem-se.

29 de Dezembro, às 22h
Projecção do filme Metropolis (2ª parte)

30 de Dezembro, às 22h.
Conversa sobre as Revoltas Ludditas, o mito do progresso técnico e o lugar da técnica no sistema de dominação social

31 de Dez. às 22h
Festa Okupa 2012

Okupa 2012
Abrimos o espaço com as músicas indignadas do movimento OCCUPY.

Okupa 2012,
ou ainda não te deste conta?


Festa de Solstício & Visita da Pipi das Meias Altas | 21, 22, 23 de Dezembro


Quarta, Quinta e Sexta 
Pipi das Meias Altas Visita a Gato Vadio 

Projecção de episódios da série às 18h30 e às 22h



Nos próximos dias a livraria-café-bar Gato Vadio projectará alguns episódios da série televisiva Pipi das Meias Altas, produzida pela televisão sueca, e baseado nos livros da escritora de literatura infanto-juvenil Astrid Lindgren, que teve como protagonista principal a actriz Inger Nilsson.

"Pippi Långstrump" (em sueco) , Pipi das Meias Altas ( em português) , Pipi das Calças Largas ( em castelhano), Fifi Brindacier (em francês), Pippi Longstocking ( em inglês) é o título de uma série de livros infanto-juvenis da autora sueca Astrid Lindgren, e que foi transformada em série de TV, iniciada em 1969, com várias réplicas até 1973, e que povoam ainda hoje o imaginários de muita gente nova, e menos jovem.

O anarco-langstrumpismo da Pipi é reconhecido por muita gente.

Pipi é uma rebelde, uma adepta de estratégias insurreccionais. Provoca as situações, transforma cada território que atravessa numa zona autónoma temporária. Na sua casa ( Villa Drôlederepos) – que não é mais do que um squatter autogerido - ela vive com indivíduos seleccionados por afinidade: o senhor Nilsson e o tio Alfred – que não são só dois compinchas perfeitos, mas também são seres dotados de razão, que vivem de acordo com os seus desejos, o que torna a coisa mais alegre, como se imagina. A casa está localizada no limbo do poder capitalista, estatal e patriarcal, e completamente fora do sistema mercantil de mercado. Lá ninguém trabalha e as actividades são realizadas de uma forma lúdica.

Pipi é uma teórica subversiva. Ela não pára de inventar novas situações, novas possibilidades de acção graças à sua criatividade fenomenal.

Pipi é apátrida, já percorreu o mundo, não é de nenhum lado e, ao mesmo tempo, é de todos os lugares.

Pipi é irrecuperável. Ela constrói com audácia e mestria o seu projecto de emancipação, de experimentação quotidiana, evitando as manobras que possam rebaixá-la. Não obstante, todos os dispositivos do poder tentam constantemente manietá-la, e trazê-la para a ordem: a tia Percilla, que conspira com as madames da vizinhança para a levar para a escola, os chuis que a querem levá-la à força para orfanato, os ladrões que pretendem roubá-la e atentar contra a sua pessoa. Pipi a todos os ridiculariza graças à sua perspicácia, à sua imaginação e à sua força prodigiosa. Não conseguimos imaginá-la integrada numa família, numa igreja, numa pátria, num partido. Os adultos não conseguem impôr-se à sua vontade.

Acima de tudo, Pipi é uma criança. Ela não espera crescer para ser intelectual, saber a tabuada, para se casar ou se candidatar a presidente de câmara ela quer apenas viver de acordo com seus próprios desejos e segundo as suas próprias necessidades.

Quinta às 20h30
Festa de Solstício

Festa de Solsticio
Música celta, vinho quente e sopas de alho para aquecer o espírito e ambientar os espíritos!
4ª feira, dia 21 de Dezembro, às 18h30 e 22h.

Pipi chega à vila Kunterbunt

Tommy, com nove anos, e Annika, com apenas oito, são dois irmãos que vivem numa pacata aldeia da Suécia. Moram perto de Villa Kunterbunt, uma casa de aparência divertida que se pensa ter sido construída em tempos por um marinheiro.
No entanto, sempre esteve vazia até que, certo dia, ao final da manhã, algo de extraordinário acontece: uma menina com umas botas demasiado grandes e um macaco ao ombro chega à aldeia montada num cavalo e ocupa Villa Kunterbunt. Tommy e Annika entram pela primeira vez na casa e travam amizade com Pippi das Meias Altas. Contudo, há pessoas que pensam que uma menina tão pequena como Pippi não pode viver sozinha. E isso significa sarilhos...

Os novos amigos de Pippi

Quando passam por Villa Kunterbunt no regresso da escola, Tommy e Annika ouvem Pippi a ressonar. Decidem acordar a amiga e esta faz-lhes uma proposta irresistível: Pippi decide tirar algumas moedas de ouro do baú que o pai lhe deixou e ir às compras. As crianças andam de loja em loja, fazem travessuras e compram muitos sacos de guloseimas que depois partilham com os outros meninos da aldeia.

Pipi e o jogo de procurar coisas

Chove a cântaros quando Tommy e Annika entram em casa de Pippi para lhe dizer que a mãe a convidou para tomar chá nessa tarde.
Enquanto Tommy e Annika estão na escola, Pippi rega as flores apesar de estar a chover copiosamente e, por fim, decide aceitar o convite. Entretanto, treina boas maneiras e até lava os pés, esfrega o chão de um modo muito peculiar e ainda inventa um jogo novo de “procurar coisas". Por fim, é a altura do grande momento: a chegada de Pippi ao chá das 5. Será que Pippi consegue comportar-se como uma senhora

5ª feira, dia 22 de Dezembro, às 18h30 e 22h

Pippi faz uma expedição

Quando Pippi se decide a fazer uma expedição, esta tem de ser muito especial. Num instante constrói um papagaio de papel e, com a ajuda de Tommy e Annika, põe-no a voar. Pippi mostra como se voa a pique como um pássaro lançando-se de um penhasco, como ruge o leão ou como nos podemos orientar numa gruta.
Junto ao rio, os três amigos encontram os ladrões Donner e Blom que, mais uma vez, fogem da polícia. Estão completamente famintos e Pippi, comovida, trata de lhes encher o estômago com um pão com chouriço. Até que, de repente, se apercebem do desaparecimento do Sr. Nilsson. Encontram-no a descer o rio em cima de uma tábua. Mas não há problema pois Pippi nada como ninguém.

Pipi e os fantasmas

Pippi festeja o seu aniversário. Como vive sozinha, tem de se desejar a si própria as maiores felicidades e cantar os “parabéns”. Só ao fim do dia é que Tommy e Annika lhe trazem um bonito presente. Como com Pippi tudo é diferente, os convidados também recebem presentes. Donner e Blom, dois convidados indesejados, ficaram muito interessados no lendário tesouro de Pippi e tentam vasculhar Villa Kunterbunt. Contudo, o Sr. Nilsson expulsa-os.
Uma vez cortado o bolo de anos, Pippi tem uma ideia muito especial: para festejar este dia quer remexer coisas velhas no sótão, onde se diz existirem muitos fantasmas!

Pipi vai ao parque de diversões

Pippi, Tommy e Annika decidem ir ao parque de diversões. Enquanto Pippi está a mostrar a sua perícia a acertar nas latas, os polícias Kling e Klang aparecem no carrossel. Com o pretexto de inspeccionarem as medidas de segurança, o seu objectivo é conseguirem uma volta grátis. Se ao menos soubessem como aquele carrossel era rápido! Contudo, a principal atracção é o possante Augusto, o homem mais forte do Mundo. Quem o vencer no ringue recebe uma nota de banco das mãos do director. E Pippi sobe para o ringue...

6ª feira, dia 23 de Dezembro, às 18h30 e 22h

Pipi aprende a fazer contas

Pouco tempo antes do Natal começam a cair os primeiros flocos de neve, por isso Pippi vai buscar as suas bonitas camisolas de Inverno. Mas quando encontra Tommy e Annika a caminho da escola, fica com inveja: os dois amigos estão ansiosos pelas férias de Natal. Não é injusto o facto de Pippi nunca ter férias? Só por isso até já ia à escola. Hoje não, mas o mais tardar no dia seguinte. E é o que Pippi decide fazer, mas chega atrasada e leva o Sr. Nilsson consigo. É evidente que isso significa problemas.

Pipi e a festa de natal

O Natal está a aproximar-se e a senhora Prysselius decide levar Pippi para um orfanato para não ter de passar o Natal sozinha. Mas não tem qualquer hipótese pois Pippi prefere ocupar-se a fazer os doces de Natal. Passa a noite da consoada sozinha com os seus animais e sente-se triste, não por estar só mas porque não há ninguém para receber os presentes que ela colocou na árvore. No entanto, Tommy e Annika prepararam em segredo uma surpresa para a sua amiga.

Pipi e o Spunk

Ao pequeno-almoço, Pippi das Meias Altas inventa uma nova palavra: "spunk". Agora dava jeito saber o seu significado. Podia ser um animal perigoso, e por isso trata de construir uma armadilha para “spunks”. Depois, com a ajuda de Tommy e Annika, começa à procura do desconhecido. As crianças não encontram qualquer pista, nem na loja de doces nem na loja de ferramentas. Mas Pippi recusa-se a regressar a casa sem um “spunk”. Subitamente, pensa ter encontrado a solução para o enigma: o “spunk” é uma doença que acabou de contrair.

Pipi e a grande viagem de balão

Os ladrões Donner e Blom tocam realejo e Pippi oferece uma moeda de ouro a cada um por terem "tocado mal tão bem". Isto volta a despertar o seu interesse pelo ouro de Pippi, por isso entram em Villa Kunterbunt e conseguem encontrar o baú. Pippi não se apercebe de nada porque está demasiado ocupada com o balão que encontrou no sótão. Com Tommy e Annika, começa os preparativos para o voo e não tarda a içar-se pelos ares. Por mero acaso, as crianças descobrem os dois bandidos precisamente quando estão a contar as moedas roubadas.

A Gato Vadio envia um abraço de solidariedade aos activistas do outro lado rio Minho.



Se a poesia galega é uma forma de resistência, também a vida de muitos cidadãos que tentam preservar uma identidade cultural e linguística se converteu numa arte pela sobrevivência do seu etos. Particularmente, aqueles que conjugam esse objectivo cultural com a crítica ao sistema capitalista.

Recentermente, na primeira semana de Dezembro, as forças policiais a mando do Estado central espanhol perseguiram activistas em várias cidades da Galiza, invadiram centros sociais, desalojaram uma casa abandonada e ocupada por activistas no centro de Compostela, prenderam 4 cidadãos sob a lei do Terrorismo.



Curtas + Recital Galego-Islandês + Jazz Vadio | 15,17,18 de Dezembro


Sessões de Curtas de Animação

5ª e Sábado, 15 e 17 de Dezembro, 22h00
[mais info abaixo]
+Jazz, esse Gato Vadio!
Domingo, 18 de Dezembro, 18h30
[mais info ao lado]

&
Recital Galego-Islandês
Sábado, 17 de Dezembro, 18h00
por Elías Portela



«O manuscrito ábrese indeciso
e os membros cápsicos do seu horto...
uns campanean e outros non
As badaladas máis enrubestecidas
condimentan o meu ventre
Hai variantes que son unha orxía
e hai variantes que son unha depilación ortográfica.»


Elías Portela
 (Cangas do Morrazo, 1981) 
é um linguista, tradutor e poeta galego-islandês, eleito em 2010 pela Poetry Review como um dos três poetas mais representativos da lírica islandesa actualAsua obra baseia-se nas possibilidades das palavras e na busca de uma inspiração completamente externa ao autor. Adapta ao galego imagens e conceitos poéticos doutros idiomas entre eles a sua língua artificial própia, lwyma.

Domingo às 18h30

Jazz esse Vadio!

Jazz no Gato
Ciclo de JAZZ Vadio
Domingo, 18 de Dezembro, 18h30
JAZZ MINKOWSKY
Paulo Alexandre Jorge - SAXOFONE
Hugo Ribeiro - GUITARRA
Gabriel Costa - BAIXO
Daniel Ferrer - BATERIA
FREE JAZZ NO SEU MELHOR, COM APRESENTAÇÃO DO TRABALHO "SPACE-TIME COLTRANE"
Ver cartaz. Com o apoio de Carl Orff Projecto - Educação Musical
Curtas de Animação 
selecção de João Torres
- descarregar as sinopses [.pdf] -

Sessão #1
Selecção de curtas (60min) 
Quinta-feira, 15 de Dezembro, 22h 









Le building, de Marco Nguyen (2005)
Luxo Jr, de Pixar (1986)
The God, de Konstantin Bronzit (2003)
Superflat Monogram, de Takashi Murakami (2003)
Bunny, de Blue Sky - Chris Wedge (1998)
Automania 2000, de John Halas (1963)
Powers Of Ten, de Charles & Ray Eames (1977)
Self Service, de Bruno Bozzetto (1974)
Through my thick glasses, de Sapegin (2003)

Sessão #2
Selecção de Curtas de Animação (70min)
Sábado, 17 de Dezembro, 22h



Destino, de Walt Disney & Salvador Dali (2003)
Get Out, de Boisson Fourvel Han-Kwan & Reinarz Roche (2010)
The Cat Piano, de Ari Gibson & Eddie White (2009)
Runaway, de Cordell Barker (2009)
The Dot and the Line, de Norman McLaren (1965)
Skhizein, de Jeremy Clapin (2008)
Logorama, de Alaux Crecy Hauplain (2009)

A legitimidade da intervenção no espaço público + Leituras de Robert Walser | 8,10,11 de Dezembro


A legitimidade da intervenção no espaço público

Documentários + Tertúlia + Exposição Quinta, Sábado e Domingo

«Eu estava, como era moda em toda a humanidade, apaixonado pelo meu nome e, como fazem frequentemente os jovens com educação, escrevia-o por toda a parte.»
Goethe


Sábado, 10 de Dezembro, 22h
O Flagelo da Cidade - Tertúlia

Aproveitando a pérola (mais uma) com que o presidente da Câmara do Porto nos presenteou recentemente ("Os graffitis são o flagelo da cidade"), decidimos convidá-lo a conversar e reflectir um pouco acerca da legitimidade (talvez devêssemos aqui falar de necessidade) da intervenção, artística ou não, no espaço público. Começando no graffiti e passando pelas ocupações de praças e jardins levadas a cabo pelo movimento mundial dos Indignados, uma conversa longa como uma noite de Inverno, destinada aos que não se conformam com esta maneira simplista e mesquinha de ver a cultura e a sociedade, com esta subreptícia privatização do espaço público que desde há muito vêm fazendo os gestores da nossa democracia, com a prostituição "turística" desta nossa cidade e das suas gentes.      

Leitura de textos de Robert Walser

Robert Walser por Rui Amaral e Cristina Fernandes
Sábado, 10 de Dezembro, 17h00
por Cristina Fernandes e Rui Amaral

Robert Walser (1878-1956) é um dos mais originais escritores do século XX. Mestre da prosa curta, romancista singular, os seus textos, tantas vezes desconcertantes e difíceis de classificar, situam-se na fronteira entre o real e o fantástico. Ou, para sermos mais rigorosos, pertencem a uma espécie de literatura para a qual ainda não foi inventado um nome.

ver trailer

Bomb it! (2007)
Documentário, Jon Reiss (93min) 
Quinta-feira, 8 de Dezembro, 17h 



Sinopse: Um documentário indispensável que tenta contar a história do graffitti contemporâneo, desde as suas raízes nas pinturas pré-históricas até à explosão do movimento em Nova Iorque, durante os anos 70 do século passado.
Porquê expressarmo-nos, como essa expressão evoluiu, o que pensa quem o faz e como tudo isso se integra com o mundo à nossa volta. Nova Iorque, Paris, Amesterdão, Barcelona, Londres, Hamburgo, Berlim, São Paulo, Tokio, Los Angeles, etc, etc, etc.

Exit through the Gift Shop (2010)
Documentário, Banksy (84min)
Domingo, 11 de Dezembro, 17h




Sinopse: Nas palavras do próprio Banksy, esta é a história de um homem que tentou filmar o infilmável, e falhou. Thierry Guetta, um excêntrico francês, vendedor de roupa e cineasta amador, tenta encontrar, e fazer um filme sobre, um dos mais misteriosos "artistas de rua" do mundo, Banksy. Numa reviravolta do destino, a objectiva vira-se sobre o seu dono e é Banksy quem acaba a fazer um filme sobre Thierry. Pouco após o seu lançamento, o filme suscitou muita polémica sobre a veracidade da história apresentada e é ainda considerado por muitos como um "prankumentary" (documentário falso).
Conta com a participação de Banksy, Shephard Fairey, Invader e muitos outros infames "artistas de rua".


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Complementos funestos à interpretação da greve geral

Complementos funestos à interpretação da greve geral



Não é o Carvalho da Silva, muito menos um discurso televisivo de Pacheco Pereira e Lobo Xavier, que põe a nu a falsa democracia. Mas um polícia à paisana apanhado a bater vergonhosamente num manifestante. O fio do discurso de Pacheco Pereira (PP) e Lobo Xavier (LX) pode dar muitas voltas, mas o novelo para o qual contribuem/contribuíram, ao fazerem parte de organizações políticas que dispõem ou dispuseram do poder central, acaba numa bastonada. Na legitimação do controlo e da repressão. Já o discurso de Carvalho da Silva, segundo o estilo tenso do Público, termina, no “momento de maior tensão”, na “barreira [contra os “indignados”] com os paus das bandeiras” de “ vários manifestantes da CGTP”.

A falsa democracia não tem mais nada a oferecer àqueles que desmantelam e rejeitam a sua mentira: a bastonada, a imposição do medo, a criminalização e o controlo pelo isolamento.

A questão não é saber se PP E LX são lúcidos, mas perceber como usam eles essa lucidez. A que práticas e fins submetem a lucidez que os abençoa? Senão à preservação da realidade para a qual concorrem. A única lucidez que nos resta (e aquela que devemos ainda reconhecer neles como ser conscientes) é acusá-los à sua escala de serem responsáveis pela crise social de que aligatoriamente se lamentam. Há que reconhecê-lo, tiveram e têm essa competência, a lucidez de perpetuar o desastre social em que vivemos. E a astúcia de não responderem à questão fulcral da noite: o que cumprem aquelas bastonadas de um polícia à paisana num manifestante?

Diz Rui Pereira que “a legitimação do discurso e dos seus enunciadores é um dado central do funcionamento do político nas sociedades de oligarquia liberal como a nossa, onde o poder se torna transferível dentro de certos limites. O alargamento desses limites é já um acréscimo de poder por parte dos que, usualmente, se encontram deles excluídos.”

O alargamento desses limites” não significa correlativamente um acréscimo de poder, até porque o poder de que se fala reside no próprio funcionamento político das oligarquias liberais (a democracia representativa) e é nesse próprio funcionamento que reside o fulcro anti-democrático desse poder. Daqui se infere que o alargamento dos limites da legitimação dos actores políticos contestatários e seus discursos, revela-se conjunturalmente desde há algumas décadas mais na extensão dos limites de integração nesse sistema de funcionamento não-democrático e controlado hegemonicamente pelo modo capitalista de organizar a vida colectiva, do que em conquistas emancipatórias no terreno da luta laboral ou em sinais de desmantelamento da técnica de exploração económica. Por contraponto, provam-no também as conquistas políticas parciais dos movimentos LGTB e ecologistas, cuja legitimação do discurso e seus agentes dá-se na medida em que não representam um perigo, quer para o poder económico, quer para a forma de regulação anti-democrática do poder central. Pelo contrário, servem para encaixar na máquina lucrativa e na auto-legitimação do modo capitalista e liberal-democrata de fazer (destruir) o mundo.

Ou seja, com o “alargamento desses limites” o poder passa a trazer e a dispor à sua mesa de um limite mais amplo para controlar (chama-se negociação, concertação social, diálogo, instituições democráticas, eleições) sectores sociais. Sem dúvida que esse espectro de ampliação e controlo pode pressupor conquistas como o aumento de salários, melhores condições laborais, garantir direitos ao nível da saúde e educação pública, etc.

Porém, e os factos históricos mais recentes, não apontam para a deterioração acelerada dessas conquistas? E esses parceiros sociais (sindicatos e partidos de esquerda) já não estavam lá, legitimados e escutados? Integrados numa visão económica intrinsecamente absurda e iníqua, e numa forma de regulação das relações humanas menor, autoritária, hierarquizada? Ou seja, não estavam já integrados na visão anti-democrática que nos levou a onde estamos?

E, finalmente, que conquistas sociais são essas? Senão uma adaptação ao descalabro da sociedade mercantil e ao modo de vida que ela gera? Desejamos a mercantilização de todos os aspectos da vida e uma loja dos chineses para todos como império dos sentidos...? E essas conquistas suspeitas, retiram-nos ou não a capacidade para agir sobre a realidade que nos envolve? Soporizam ou não a reflexão sobre as necessidades humanas? Atrofiam ou não o nossos desejos?
São essas conquistas que nos tiram o essencial e dispõem da magia para que nos quedemos contentes com o supérfluo.

Para os dirigentes do poder o estado das coisas é o preço a pagar por camadas extensas da população, para que uns poucos desfrutem de uma concentração de riqueza e poder sem precedentes e as massas de uma vida de miséria trágico-feliz, inundadas de tecno-mercadorias, cimento, toxinas, poluição e estupidificação cultural.

Para a esquerda (PCP/BE/CGTP) não há que mudar substancialmente a direcção do barco, apenas substituir os navegadores. Pior, não querem alterar as formas de comando e organização. Numa imagem, a esquerda não quer mudar de barco.

É estranho, e um mau prenúncio para todos, que a cultura de esquerda não veja que a sua lógica “própria” e as suas práticas se afundaram ainda antes do já mais que visível afundamento do capitalismo global. Essa esquerda de inspiração marxista, cujo poder se diluiu visivelmente nas últimas décadas em virtude da sua integração plena, desbaratou qualquer ímpeto revolucionário dos movimentos assalariados. Que ambição é essa de a esquerda hoje querer gerir a catástrofe social e ecológica geradas pelo capitalismo, para mais adoptando a mesma visão de organização colectiva do poder e uma crença económica, um pouco mais reguladora e socializante, no crescimento e na produção lucrativa? Que quimera é essa, se ontem quando dispunha de um poder maior e mais independente não conseguiu travar o capitalismo, num momento em que ainda não se vislumbrava à vista desarmada o pesadelo do mercantilismo e da mentira da sociedade do progresso? Que sonho é esse de a esquerda querer gerir um cadáver?

É irónico que até os altos dirigentes do poder capitalista já tenham percebido que só lhes resta um cadáver ao mesmo tempo que a esquerda se julgue ainda num safari...
Aqueles que desejam construir/ou constroem a democracia directa no lugar onde habitam e passam a vida, criando uma cultura anti-autoritária e cooperativa, não podem negligenciar o quão terrível é ver dezenas de milhar de assalariad@s a empregarem a sua energia combativa, submetidos a um aparelho de controlo sindical e partidário.

Outras questões deve suscitar a legitimação mediática dos contestatários, de que fala Rui Pereira.

Corre-se um sério risco de desvalorizar e esvaziar a acção quotidiana (o que conta para a transformação directa e local da vida comum), ao reconhecer a existência de um contra-poder(???...12 de Maio; 15 de Outubro; Greve Geral) pela sua imagem mediática ter subido no share da TV e no barómetro político dos detentores de um “macrofone” já há muito a tresandar .

E o que é uma “mobilização crítica” contestária que (se) vê/revê aumentar a sua força na boca dos administradores e amos da sociedade mercantil? Não é a (falsa) força do espectador? A qualidade dessa força ao confundir-se com a qualidade do espectáculo (o rearrumar hierárquico dos argumentos) mostra a incapacidade para reconhecer e recuperar a realidade. A sua realidade. E essa realidade, por graças, não passa por TV.
Ali onde a vida humana se tornou nociva por causa do modelo capitalista e do amplexo sufocante e guardião do Estado, não se pode aguardar por uma “consciência social” legitimada na TV. Esse episódio (“as condições objectivas para a revolução ainda não estão no seu ponto...”) passou à História e passa no canal Comité Central. Não há compasso de espera possível. Para ocupar a vida plena, autónoma, colectiva e auto-gerida.

De facto, a função do sindicalismo da CGTP é mediar o conflito. E ao mediá-lo, tanto e tão burocraticamente, domesticados pelos detentores das regras do poder, o conflito deixa de reconhecer-se. Outra conquista do marketing-directo capitalista: tornar invisível o conflito a que submetem a vida humana. E esse conflito não deve ser reconhecido mediaticamente na boca de políticos mais do que suspeitos, mas deve tornar-se visível pela realidade do confronto.
Por um lado, o confronto dificilmente pode estar no estribilho ouvido há algumas semanas no 15 de Outubro nas escadarias de São Bento: “Esta casa também é nossa”. Lagarto, lagarto... Por outro, o confronto dificilmente poderá ser ganho na batalha campal. E a questão seria, para quê? A revolta grega é singularíssima; a polícia foi vencida, ou seja, foi vencida a força de repressão de um governo/sistema e, no entanto, porque é que este não cai/caiu? Porque razão um Estado dito democrático é já, ironicamente, impotente para cair face a uma revolta generalizada e persistente? (Imaginem o que teria já sucedido neste cenário de mobilização e insubmissão há vinte ou vinte e cinco anos numa democracia representativa...) De novo, o novelo de ponta a ponta: a democracia representativa criou as condições para promover a fluidez do grande capital e homogenizar e concentrar o poder político numa estrutura pós-anti-democrática, controlada por uma elite: a UE. Liderada por um rosto humanista, liberal e democrático, que esteve ao lado da organização da morte colectiva (Cimeira dos Açores, 2003, 48h antes da invasão do Iraque), para salvar mais uma etapa da lubrificação de um sistema que se alimenta da destruição da vida humana, da violência económica e social.
Parece necessário que esse confronto nasça de uma transformação radical das relações sociais, da disseminação da democracia directa, do auto-governo e da cultura assembleária por todo o lado onde a vida colectiva se faça, ou comece a existir. Por outras palavras, em qualquer forma autónoma de luta social com o horizonte numa vida livre de capitalismo e de estruturas anti-democráticas como o Estado.

Apregoar no parlamento “esta casa também é nossa” parece sibilinamente enviar-nos, por contraponto, para a crença de onde provém esse pregão: “é dentro de casa que estão os limites do nosso mundo”. Pescadinha de rabo na boca, franca vitória da cultura do liberalismo: ter feito acreditar a milhões de europeus que a realização e transformação do mundo é uma competência que circula e se articula entre estes dois espaços: o parlamento e o quarto de dormir. Lar doce lar... Com esta crença estabeleceu-se o deserto, na rua, na fábrica, nas escolas, nos bairros... O espaço público ou desaparece, ou é dominado por uma oligarquia, ou é uma mera questão técnica entregue a tecnocratas. Êxito da separação total dos indivíduos.
A invisibilidade do conflito grassou aí onde se dissolveu qualquer outra forma de vida colectiva. Diríamos, onde a vida colectiva deixou de existir. Esse esvaziamento da vida colectiva – a dissolução de qualquer forma de vida pública é uma consequência do triunfo da sociedade de consumo e da educação das massas para o individualismo – concorreu gritantemente para o desaparecimento dos mecanismos (já em si cerceados, parciais, etc...) reais de participação política.

Rui Pereira afirma ainda: “Nesse sentido, esta é talvez a mais «política» das GG até hoje desencadeadas em Portugal.”

Será política se se reconhecer que o aprofundamento da injustiça social, a bolha especulativa, a décalage entre ricos e pobres, e a concentração oligárquica do poder só foi possível graças a uma economia de hiper-produção + hiper-consumo, à hóstia da tecno-ciência e ao sistema representativo que lhe garantiu as melhores condições para realizar esse pesadelo humano, social e ecológico. Se a realidade da opressão causada pelo fascismo financeiro e a desumanização fomentada pelos gestores da democracia representativa não basta para motivar a revolta e a transformação radical da sociedade é porque a ponte entre ambas cumpriu eficientemente com o controlo político, a integração da esquerda e a lavagem cultural dominante.

Vadio



P.S.: As citações a que me refiro de Rui Pereira, são apenas âncoras para fazer outras reflexões. Em nenhum momento visam implicá-lo nessas conclusões ou associá-lo aos vários alvos criticados no texto.

Aproveito ainda para desfazer um possível mal-entendido. Onde se lê: “Aqueles que desejam construir/ou constroem a democracia directa no lugar onde habitam e passam a vida, criando uma cultura anti-autoritária e cooperativa, não podem negligenciar o quão terrível é ver dezenas de milhar de assalariad@s a empregarem a sua energia combativa, submetidos a um aparelho de controlo sindical e partidário.”. Pretende-se dizer que esses que desejam a democracia directa e uma luta extra-parlamentar, não podem virar costas e deixar de pensar que as massas de assalariados politicamente activos noutros quadrantes têm de conhecer outras formas de transformar a realidade e de agir. Se se pretende uma cultura libertária ampla e isso de criar “movimentos sociais”.





Consumo Alienado + Jazz, Esse Gato Vadio! | 1, 3 e 4 de Dezembro





Consumo e Alienação

Documentários | Quinta e Sábado

«Se o que precisamos é de mais roupas, de mais computadores ou de mais cosméticos, tornou-se uma questão irrelevante. Temos de os ter. Temos de consumir de forma a mantermos a engrenagem da economia a rodar. Temos de continuar a comprar para mantermos as pessoas no emprego, sejam quais forem as consequências. Mais de três quartos das florestas do mundo foram devastadas para alimentar o nosso consumismo, e ainda assim não há um fim. Vamos para a guerra para assegurarmos reservas de petróleo e outros recursos naturais, de forma a podermos continuar a consumir. E agora apenas desejamos encontrar uma tecnologia miraculosa qualquer que permita contornar as consequências do nosso consumismo. Mas o consumismo livre de consequências é uma ideia que não existe. (...) quem vai contar esta verdade ao poder? Os cientistas mostram os factos, mas só os poetas podem criar uma nova cultura.»
- Satish Kumar

Jazz,
Esse Gato Vadio!

PAPENEVI JAZZ (MAINSTREAM JAZZ)
PAPENEVI JAZZ

Domingo, 4 de Dezembro, 18h30
Ciclo de Jazz Vadio com o apoio de Carl Orff Projecto - Educação Musical
Paulo Alexandre Jorge | Saxofone
Pedro Carneiro | Guitarra
Newton Santos | Baixo
Vitor Gouveia | Bateria

Surplus: Terrorized Into Being Consumers (2003)
Documentário, Erik Gandini (54min)
Quinta-feira, 1 de Dezembro, 22h 



Sinopse: Longe de ser apenas uma crítica ao consumismo ou a sistemas políticos, este documentário sueco, com uma componente técnica forte, é um olhar sobre o modo de ser e de viver da humanidade. As contradições do mundo moderno são materializadas nas imagens da televisão, nos rostos dos líderes políticos, símbolos do consumismo, nos distúrbios durante o G8, na obra de trabalhadores indianos, em Cuba de Fidel Castro, ... A narração é em grande parte confiada a John Zerzan, anarquista primitivista americano, entrevistado para o filme. A sua posição radical criou polémica - destruir os bancos e partir montras não é violência, é mais violento ver a MTV refastelado no sofá enquanto se engole snacks.

Cesky Sen / Sonho Checo (2005)
Documentário, Filip Remunda e Vít Klusák (90min)
Sábado, 3 de Dezembro, 22h




Sinopse: O consumismo alienado e o poder de manipulação dos mídia são os temas centrais deste documentário provocador. São explorados fenómenos perversos da publicidade na República Checa pós-comunismo. Em cinco anos o país viu 125 hipermercados serem construídos - uma mudança drástica para um povo que há poucos anos dormia em filas para comprar produtos de primeira necessidade. Em tom crítico, o filme lança a campanha de um novo e enorme supermercado fictício que promete os melhores produtos e preços para uma vida melhor.

A sessão será antecedida pela projecção do documentário curta-metragem Ilha das Flores (1989), de Jorge Furtado, "um ácido e divertido retrato da mecânica da sociedade de consumo". Nesta viagem de 13 minutos, é seguida a trajectória de um simples tomate, desde a sua plantação até ser deitado fora, deixando claras pelo caminho as relações de desigualdade geradas pelo actual sistema económico.