Festa dos Mortos para celebrar a Vida

 

 

Todos os anos, entre o final de Outubro e o início de Novembro, as comunidades indígenas do México comemoram com muita comida, música, luz e cores o retorno transitório à Terra dos seus amigos e parentes falecidos.

Incluída na lista do Património Cultural Imaterial da Unesco, rica de conteúdo estético e metafísico, a festa reúne vivos e mortos. Mas é, sobretudo, uma alegre celebração da vida.

 

Segunda-feira, 31 de Outubro, a partir das 19h30 (Véspera de feriado) com filme, mariachis, comes e bebes!

 

Under the Volcano
Filme de John Huston (1984)
2ª feira, 31 de Outubro, às 19h30
Cuernavaca, México, 1938. Geoffrey Firmin é um ex-cônsul britânico que se torna alcoólatra após separar-se da mulher, que o traiu com o seu meio-irmão, Hugh Firmin. Permanecendo no México, Geoffrey aguarda sempre o regresso da mulher que no Dia dos Finados reaparece de forma repentina com a finalidade de reatar o seu casamento. Entretanto, as marcas da separação eram maiores do que ela imaginava...

Entre a arte e a educação cabe o mundo.

 

Entre a arte e a educação cabe o mundo.
Entre a auto-realização, a criação e o arrebatamento de uma e o desenvolvimento, a autonomização e a emancipação da outra, podemos incluir os sonhos, os projectos, os desejos, todos os seres humanos. Mas na possível intersecção entre as duas podemos destacar um ininterrupto motor de mudança: a incessante procura, a possibilidade de transformação social, a possibilidade de constante melhoria pessoal.
É este motor que queremos pôr em evidência, mostrando projectos que recorrem à arte como forma de fomentar o desenvolvimento individual, a capacitação das pessoas e a transformação da sociedade.

 

Tocar y Luchar (2006) - Documentário
5ª, 27 Out, 22h
Documentário de Alberto Arvelo Mendonza, acerca do projecto educativo e social venezuelano de orquestras sinfónicas infantis e juvenis. Através do ensino da música e da valorização da excelência musical, este projecto visa a capacitação e prevenção dos grupos mais vulneráveis do pais, envolvendo mais de 240 mil crianças e jovens.

What it is that you take for granted? Apresentação
6ª, 28 Out, 22h
com Susana Gandarela (Cubo Redondo)
Em Setembro de 2011, um grupo de 13 países juntou-se para debater o papel da arte na educação procurando, através do intercâmbio de boas práticas e da partilha de ideias, estimular novas formas de pensar e de inovar a educação. Nesta sessão serão apresentados alguns produtos deste intercâmbio pelo Cubo Redondo, uma das associações participantes.

Arte e educação: interpenetrações possíveis - Mesa-redonda
Sáb., 29 Out, 22h
Vários convidados
Nesta mesa redonda os convidados irão partilhar experiências e visões pessoais acerca da arte, da educação e das suas possíveis intersecções

 

Lutas Estudantis

 

"Podemos afirmar, sem grande risco de erro, que o estudante [...] é, depois do polícia e do padre, o ser mais universalmente desprezado"

                                               Guy Debord

 

"A educação é uma coisa admirável, mas é bom recordar que nada do que vale a pena saber pode ser ensinado."

Óscar Wilde

 

O Maio de 68 em França, 1969 em Coimbra contra o fascismo e a guerra colonial, ou nos E.U.A. a propósito da Guerra do Vietname, são alguns dos muitos exemplos, ao longo da história recente, do envolvimento de estudantes em lutas contra o poder e a autoridade, ora combatendo por direitos seus, ora entregando-se a causas socialmente mais amplas. Mas, num momento da vida portuguesa em que o conflito social atinge uma intensidade como há muito não se via, o que faz grande parte d@s estudantes? Entretém-se com rituais de poder e humilhação, brincadeiras estúpidas a que pomposamente chamam praxe e tradição académicas e que, ao fim ao cabo, não passam de um refúgio num presente irrealmente vivido. Contentam-se, portanto, em continuar a chegar tarde demais a tudo.

Os prestígios ilusórios que decoram o seu pobre quotidiano estudantil em breve terão de ser arrumados num caixote em casa da mãe. O capitalismo exigir-lhes-á que cumpram a sua função na passividade generalizada, perdão no centro comercial, e o futuro, facilmente se pressente, apresentará um carácter miserável que nunca compensará o presente que dócil e irresponsavelmente aceitam desperdiçar.

Por isso perguntamos, será que faz sentido divulgar e reflectir sobre outras formas de estar na Academia, sobre os momentos em que ser estudante foi sinónimo de crítica social e vanguarda artística, de arrojo, exuberância e coragem, de luta e de solidariedade? Ora, adivinhem...

 

5ª feira, 20 de Outubro, às 22 horas

Berkeley in the Sixties (1990)

Legendas em Inglês

Realização:  Mark Kitchell

Com: Jentri Anders, Joan Baez and Frank Bardacke

 

Os antigos alunos do Campus de Berkeley (California) contam como a calma escola se tornou palco de um intenso activismo político por parte dos estudantes lutando pelo direito político de expressão no Campus Universitário e contra a guerra do Vietname.

 

Sábado, 22 de Outubro, às 22horas

A luta na Faculdade de Psicologia do Porto em 1977 - Debate                                 

Durante o primeiro Governo Constitucional (1976 a 1978) chefiado por Mário Soares, o Ministro da Educação Sottomayor Cardia, após ter criado pela primeira vez o numerus clausus, decide obrigar alunos e alunas, de alguns cursos, que já tinham completado o 1º ano da Universidade a serem submetidos novamente a esse processo de seriação e selecção. Os alunos e alunas de Psicologia do Porto (1977) insurgem-se contra esta medida e manifestam-se contra os exames marcados, fazendo greve. Após diversas tentativas goradas, estes acabam por ser marcados para o Governo Civil. Toda a Academia se reúne em manifestação na Praça da Batalha e um colega é preso após confrontos com a polícia de choque. O seu julgamento dá azo a novos confrontos. Contudo, Sottomayor Cardia não levou a sua avante. Nos dois anos seguintes @s estudantes de Psicologia continuam as suas reivindicações, ocupando a reitoria da Universidade do Porto e saneando diversos professores.

 

É uma história que não está documentada e que só existe na memória (já meio difusa) daqueles que viveram essa época. No actual momento histórico importa fazer história e lembrar o poder das multidões unidas por uma causa.

 

Domingo, 23 de Outubro, às 18 horas

Kent State (1981)

Realização: James Golstone

 

 

Baseado na história veridical dos protestos estudantis na Universidade de Kent State em Ohio. Este filme foca-se em 4 estudantes que foram mortos quando a Guarda Nacional tentou acalmar os motins que começaram em 04 de maio de 1970, depois que o presidente Nixon anunciar que as tropas americanas começariam a bombardear o Camboja, país até então neutro.

 

e ainda no Sábado, mas às 17 horas

Apresentação do livro "Espantalhos", de Oliverio Girondo.

 

"ESPANTALHOS", de Oliverio Girondo, um dos grandes clássicos da literatura argentina do século XX, já está disponível em português, numa edição da Língua Morta, e com tradução de Rui Manuel Amaral.

Leituras por Carlonia Lapa, António Pedro Pombo, Nuno Corvacho, Rui Loureiro, António Pedro Ribeiro, Isabel Rocha, Ana Ribeiro e Sandra Rolão.

 

 

 

Salvar esta democracia, não é salvar o capitalismo?

"Só a rejeição total da realidade no-la pode mostrar na sua verdade."
Santiago Lopez-Petit*

"Queremos mais democracia". Queremos equipas governativas a votação, em postal? Caderneta de cromos? Calendário, em calções e saiote? Queremos a meritocracia a funcionar, é isso? Queremos os mais competentes, os menos corruptos? Será isso “mais democracia”? Mas há democracia com representantes? E com cargos estatais? Existe democracia legitimando a preservação de uma corporação assente no Estado e que dispõe da possibilidade de regular todos os âmbitos da vida humana? Claro, uma corporação mais transparente, mais zelosa e cumpridora dos seus compromissos aguentar-se-à mais tempo no poder. Existe democracia sem auto-governo?
(continuar a ler a "Brevíssima leitura cruzada do Manifesto do 15 de Outubro" abaixo...)



Salvar esta democracia, não é salvar o capitalismo?
Sexta-feira, 14 de Outubro, 22h
Debate indignado, com Vanessa Martins, João Vilela e António Alves da Silva (moderador)


Na véspera da Manifestação Mundial do 15 de Outubro por uma Democracia Verdadeira torna-se urgente debater o que é isso de democracia. A falsa e a verdadeira. A formal e a real. A democracia política e a económica. A democracia da elites e a democracia para todos. A questão não é nova. Mas tem hoje uma nova urgência face à crise financeira do capitalismo e ao coro de protestos que varre hoje o mundo inteiro. Como dizia Antero de Quental: «A crítica eis, por ora, qual deve ser a nossa ocupação. Fazer praça, limpar o terreno para a nova seara: a colher, por ora, só vejo joio e ervilhaca.»




A Gato Vadio / Saco de Gatos - Associação Cultural e Espaço de Intervenção Social - convoca os manifestantes à auto-organização em assembleias populares no Porto, na Praça D. João I depois de finalizada a manifestação do 15 de Outubro e a fazerem a democracia directa que os anima.

Se a palavra revolução já desapareceu dos teus lábios não querer dizer que ela seja passageira.


* Na Livraria Gato Vadio encontram "A Mobilização Global", de Santiago Lopez-Petit


Brevíssima leitura cruzada do Manifesto 15 de Outubro

"retirem o memorando. vão embora. não queremos o governo do FMI e da troika!"
É possível rejeitar o FMI e a troika, sem pôr em causa a existência de “ cargos públicos [como] os responsáveis pelo Banco de Portugal ao Banco Central Europeu, da Comissão Europeia ao Procurador Geral da República”? É possível rejeitar aquele, mantendo e defendendo quem o convida? Quem lhe prepara o terreno?

"queremos ver redistribuídas radicalmente as riquezas e a política fiscal mudada, para fazer pagar mais a quem mais tem: aos banqueiros, ao capital e aos que não pagam impostos".
Que riqueza? Aquela que assenta na ignominiosa depradação de recursos? Na depauperação dos ditos países pobres? Distribuir a riqueza actualmente gerada pela lógica capitalista, ou seja, tabelar o mergulho insano na hiper-produção, no hiper-consumo e no hiper-desperdício? Como não questionar essa riqueza em si? Como é ela gerada? Que fim tem? O que cumpre essa realização de riqueza, senão, precisamente a situação social de colapso... até nos ditos países ricos, como Portugal, Grécia, Espanha...

"queremos o controlo popular democrático sobre a economia e a produção. "
Porque ainda não se quer a economia e a produção para si. Única forma de controlá-la: fazer a sua própria economia e dispor autonomamente dos meios para decidir o que produzir. A autogestão exclui a necessidade de pensar na “a economia” ou na “a produção”, entendidas como supra-entidades. Quer-se, ingenuamente, controlar melhor aquilo que não controlamos de todo?

"queremos trabalho com direitos, zero precários na função pública (em Portugal o maior contratador de precários é o estado), a fiscalização efectiva do cumprimento das leis laborais e o aumento do salário mínimo."
O precário é necessário como nunca para que nem sequer haja o assomo de pôr em causa o trabalho assalariado e a base injusta em que ele assenta. O precário é aquele que reivindica, aquele que define o seu corpo político, pela vontade de integração plena numa relação exploratória. Ainda há algumas décadas se lutava contra o trabalho assalariado, constestando o princípio do lucro, etc.
Será que o precário só passa a viver depois de ter trabalho com direitos, um emprego na função pública, uma comissão de vigilância aos patrões e 600€? Para poder viver a vida feliz que a sociedade lhe vende? Para encontrar um lugar ao sol na hiper-produção, no hiper-consumo e no hiper-desperdício? A vida não vem antes do direito e do trabalho-no-sistema-
capitalista? Pode existir vida no mundo no seio do trabalho-no-sistema-capitalista? Esta ideia mais do que falida, ainda tem pernas para andar?

"queremos mais democracia: "
Queremos equipas governativas a votação, em postal? Caderneta de cromos? Calendário, em calções e saiote? Queremos a meritocracia a funcionar, é isso? Queremos os mais competentes, os menos corruptos? Será isso “mais democracia”? Mas há democracia com representantes? E com cargos estatais? Existe democracia legitimando a preservação de uma corporação assente no Estado e que dispõe da possibilidade de regular todos os âmbitos da vida humana? Claro, uma corporação mais transparente, mais zelosa e cumpridora dos seus compromissos aguentar-se-à mais tempo no poder. Existe democracia sem auto-governo?

"queremos a eleição directa de todos os representantes cargos públicos, políticos e económicos: dos responsáveis pelo Banco de Portugal ao Banco Central Europeu, da Comissão Europeia ao Procurador Geral da República"
Eleição directa de cargos públicos, para nos sentirmos mais responsáveis pelas estruturas que gerem a catástrofe e que assentam a sua base na autocracia? Não só não questionar as armaduras do sistema político do capitalismo, mas ainda por cima conferir-lhes um maior grau de legitimidade?

"queremos mais transparência no processo democrático: que os partidos apresentem a eleições, não somente os programas mas também as equipas governativas propostas à votação."
Poderá algum dia esta democracia ser transparente? Não é condição da sua prática oligárquica e anti-democrática, a ausência de transparência? Ou a polícia secreta anda mesmo a caçar terroristas que ainda hoje, por um triz, quase que entraram em nossa casa? E os ministérios, não operam também nesta prática da polícia secreta?

"queremos mandatos revogáveis nos cargos públicos - os representantes são eleitos para cumprirem um programa, pelo que queremos que seja criada uma forma democrática para revogação de mandato em caso de incumprimento do mesmo programa;"
“Uma forma democrática” dentro do sistema que nos indigna...

QUEIMA DAS FITAS, PRAXES & OUTRAS GERINGONÇAS MENTAIS



A propósito da Gato Vadio desancar por estes dias na praxe académica, gaúdio da mocidade lusitana, o Júlio Henriques enviou-nos o texto que abaixo postamos. Não é da praxe, mas é de leitura obrigatória...

QUEIMA DAS FITAS, PRAXES & OUTRAS GERINGONÇAS MENTAIS

Da miséria no meio estudantil (continuação sem fim à vista)

«Quem nos deu asas para andar de rastos?»
continua Florbela Espanca a perguntar no seu programático poema
«Não ser»

Em chegando o mês de Outubro, repetem-se por todo o país, no perímetro das escolas universitárias, em seu redor e em vários pontos da paisagem urbana, cenas cuja visualização constitui material espontâneo para se apreenderem ao vivo aspectos da cultura portuguesa radicalmente criticada por Antero de Quental no seu estratégico manifesto de 1871, Causas da Decadência dos Povos Peninsulares.

Em Portugal, o movimento estudantil, no contexto da luta contra a guerra colonial em África, aboliu em Coimbra, na crise académica de 1969, a Queima das Fitas e respectivos anexos, afirmando que os tempos já não estavam para palhaçadas. Mas em 1980, derrotada a revolução social subsequente ao 25 de Abril de 1974 e vindo de novo ao de cima a velha sociedade, os tempos para palhaçadas regressaram, como se impunha, e as praxes académicas mai-la Queima das Fitas foram reimplantadas − alastrando desta vez a todo o país o legado provinciano de Coimbra e a célebre palermice que Almada-Negreiros ali detectou.

Impantes, os alunos de todas as universidades e institutos fizeram questão de cozinhar uma «tradição académica» local, com as respectivas variações de pormenor nos trajos pretos herdados do clericalismo de má sina, a capa e batina do ensino sô prior.

Semelhante iniciativa foi expressão, por um lado, da massificação do ensino terciário (após o primário e o secundário) exigida por um capitalismo que tinha absolutamente de modernizar-se para se expandir, e, por outro lado, do atrasado e manco desejo estudantil de aceder à imagem e eventuais privilégios da dótorice à portuguesa, inscrita na hierarquização papuda que pretende criar diferenças de estatuto (nesta bazófia tipicamente portuga) entre estudantes e não estudantes. Com efeito, sendo Portugal encarado como uma eterna nação de analfabrutos, tinha dialecticamente de continuar a ser um país de dótores − ou seja, de prolongar no presente o passado dessa apetecida parolice.

As «praxes» tornaram-se assim, nas diversas «academias», objecto duma vasta e desenvolvida infantilização de jovens adultos, revelando, do mesmo passo, o notável grau de submissão a que podem ser levados indivíduos aparentemente em posse das suas faculdades mentais e na «flor da idade», desde que a cenoura da ostentação com que lhes acenem se apresente lustrosa. As desbundas «académicas», engenhosamente rascas, podiam deste jeito obrigá-los a provar toda a espécie de trampas, a fazer simulações de cenas sexuais à boa moda dum machismo eternizado, a desempenhar papéis de heróicos néscios, a obedecer, em suma, às ordens proferidas no altar duns pobres rituais destinados a indigentes, para gáudio da inteligência ruminante de «veteranos» e «veteranas» devidamente arreados e intumescidos, apoiados nas respectivas coortes de serviçais.

A documentação psicológica assim obtida terá sem dúvida sido útil a um patronato que estava justamente, também ele, a querer modernizar-se, com vista à obtenção de uma mão-de-obra dócil, mal paga e adaptável às curvas sinuosas do «crescimento económico». De facto, se tantos jovens modernizados eram capazes de baixar a espinha a torturas, embora neoparvas, impostas por colegas mais velhos, isso era um sinal, bastante positivo, de que seriam moldáveis a um outro tipo de cangas, mais elaboradas e já decorrentes da ciência económica, estabelecidas como coisas banais e imperativas: estágios laborais sem receber um chavo e de sorriso nas ventas, baixos salários, recibos verdes, precariedade, flexibilidade, adaptabilidade, e o mais que à dita ciência convenha em prol da sacrossanta «produtividade».

No tocante a estas sôpriores geringonças mentais, um outro aspecto a exaltar é o folclórico. Com efeito, ao reinstalarem nos costumes escolares as grãs tradições da Queima e da Praxe, estes estudantes tornaram-se, ipso facto, os últimos lídimos representantes do mais autêntico folclore português: o dótoral. Sem eles, ter-se-ia perdido para sempre um património inestimável, arrotante, aparelhadamente rançoso, devidamente grotesco e bafiento − em suma: sô prior.

De resto, as localidades onde tão elevatórios fenómenos acontecem, para satisfação das forças vivas que ali medram, tornam-se, por altura da Semana da Queima (já com marca registada e empresa privatizada), verdadeiros arraiais de gesticulações, com multidões vestidas de preto, eles de calça ou calção, elas de saia ou saiote, envergando óculos escuros que em todos acentuam o ar modmoderno e sô prior, ingurgitando a toque de caixa hectolitros de cerveja a martelo, entoando gritos de vitória em honra e louvor das Santíssimas Novas Tecnologias (avé, avé, ó miraculosas!), vomitando e mijando nas mais diversas superfícies disponíveis, e até, benza-os Deus, indo à missa (solene, para a «benzedura das pastas»), e ósdespois a outras missas, campais e frenéticas, crentes extasiados ante as sonoras vedetas que ali vêm de encomenda − as quais, com a sua estridência electrónica, têm a sublime tarefa de entoar hinos promissores ao futuro futuro da nova geração.
Júlio Henriques

Violência, Poder e Submissão: Raízes do Mal (5ª), Praxes Académicas (Sábado), Rasganço (Domingo)


“Não pode haver amizade onde está a crueldade, a deslealdade, a injustiça. Entre os maus, quando se juntam, há uma conspiração, não uma companhia. Eles não se entre-amam, mas entre-temem-se, não são amigos, mas cúmplices.”, La Boétie.

“Decidi não mais servir e sereis livres”, La Boétie.
Violência, Poder e Submissão: Raízes do Mal (5ª), Praxes Académicas (Sábado), Rasganço (Domingo)

AS PRAXES SÃO PRÁTICAS SADO-MASOQUISTAS, NÃO TÊM PIADINHA ALGUMA NEM SERVEM PARA INTEGRAR.




Evil ou as Raízes do Mal, de Mikael Hafstrom
Filme, 2003
Quinta-feira, 6 de Outubro, 22h
Entrada Livre


Sinopse:
Suécia, década de 50 – O jovem Erik Ponti é espancado continuamente pelo padastro. Nesses momentos de violência, a mãe de Erik, sem saber mais o que fazer, senta-se ao piano a tocar alguma música. O adolescente descarrega a sua fúria em lutas no colégio. Depois de aleijar severamente um dos colegas, Erik é expulso da escola e impedido de frequentar outro estabelecimento público no espaço de um ano. Entra no prestigiado colégio de Stjärnberg, onde a disciplina é mantida pelos alunos mais velhos, chefiados pelo arrogante e sádico Otto Silverhielm, sem qualquer controlo por parte da direcção ou dos professores.




Praxe Académica – Integração para uma prática de subordinação?
Debate com Luísa Saavedra
Sábado, 7 de Outubro, 22h
Entrada Livre

A praxe académica é um ritual iniciático executado dentro de uma relação desigual de poder. Na prática, a praxe traduz-se na humilhação dos novos alunos, através de actos de violência física ou psicológica, intencionais, repetidos e angustiantes, com o pretexto da sua integração.



Rasganço, de Raquel Freire
Filme, 2001
Domingo, 8 de Outubro, 18h
Entrada Livre
Sinopse:
Edgar chega à cidade como um anjo puro e envolve-se com três mulheres diferentes, Ana Rita, uma estudante inocente, Maria dos Anjos, e com Dr.ª Zita Portugal (Isabel Ruth), a amante influente que o vai orientar neste estranho espaço social. Edgar começa a trabalhar e sonha um dia ingressar na faculdade e tirar Direito. Mas quando esse sonho se desvanece e as portas começam a ser fechadas ele transforma-se e começa a odiar tudo o que tenha a ver com a academia. Um estranho crime começa então a abalar o meio estudantil. Algumas estudantes começam a ser violadas e quando são libertadas as jovens vêm marcadas no peito com as palavras: AAC; U; SABER e PODER. Um anjo negro aflora e o nome do filme, adquire assim, um duplo sentido: por um lado simboliza a praxe académica de rasgar os trajes no final do curso, por outro é a marca animalesca deixada por Edgar no corpo das estudantes.