Diário de uma activista do Grupo de Acção Palestina





Relatos e conversa + petisco palestino
Domingo, dia 4 de Setembro, 17h
Entrada Livre





Awka Liwen - Rebelde amanecer, de Osvaldo Bayer, Mariano Aiello e Kristina Hille




Documentário, 2010
Sábado, dia 3 de Setembro, 22h
Entrada Livre






Sinopse:
Este documentário é uma pesquisa abrangente sobre o plano sistemático de extermínio do mundo indígena na Argentina e de apropriação de terras através da pilhagem dos povos e assalariados. Os beneficiários das campanhas contra os povos indígenas sempre se opuseram facciosamente a contribuir para a distribuição da riqueza que foram acumulando e reagiram violentamente quando se sentiram ameaçados pelos levantamentos anarco-sindicalistas: assassinato de trabalhadores rurais durante a revolta e greves de 1921; bombardeamneto da Plaza de Mayo em 1955; extermínio de 30 mil argentinos e argentinas durante a última ditadura militar. Osvaldo Bayer chega até aos dias de hoje denunciando a hipocrisia dos empresários da agro-pecuário que reivindicam "preços europeus" e "custos argentinos" para os seus produtos, ou dando a conhecer o caso da família Curiñaco, expulsa em 2002 das suas terras ancestrais e comunitárias, assim que a Benneton decidiu comprar aqueles terrenos.





Patagónia Rebelde, de Héctor Olivera



Patagónia Rebelde, de Héctor Olivera Filme, 1974
Quinta-feira, dia 1 de Setembro, 22h
Entrada Livre



Patagónia Rebelde é o nome dado à luta dos trabalhadores anarco-sindicalistas que protagonizaram uma revolta na província de Santa Cruz, na Patagónia argentina, entre 1920 e 1921. O levantamento começou com uma greve geral e foi brutalmente reprimido pelo exército, por ordem do presidente Yrigoyen. Cerca de 1.500 trabalhadores foram fuzilados.




Sinopse:

Face à situação económica precária da Sociedade Operária de Puerto San Julian e Rio Gallegos, o movimento sindical anarquista organiza uma campanha de sindicalização dos peões, tosquiadores e outros assalariados. A resposta dos fazendeiros, relutantes em mudar o estado de injustiça social generalizado, não se fez esperar: demissões, violência, ameaças, represálias. A violência e a perseguição aos trabalhadores, levou a uma escalada do conflito, espoletando uma rebelião não só contra os fazendeiros, mas contra as instituições do Estado.

CICLO Fassbinder





"Não estamos em condições de aceitar o contrário do que existe. Por isso, estamos longe da liberdade", Fassbinder.

"Creio que o húmus social em que vivo não está marcado pela felicidade e a liberdade, mas pela opressão, o medo e a culpa. Aquilo que se oferece como vivência de liberdade é, no meu ponto de vista, um pretexto que uma sociedade caracterizada pelas coacções oferece aos indivíduos. E, essa oferta, não a aceito", Fassbinder.













As Lágrimas Amargas de Petra von Kant, Fassbinder
Filme
Quinta-feira, 18 de Agosto, 22h
Entrada Livre

O Amor é mais frio do que a morte, Fassbinder Filme
Sexta-feira, 19 de Agosto, 22h
Entrada Livre

O Medo come a Alma, Fassbinder
Filme
Sábado, 20 de Agosto, 22h
Entrada Livre

O direito do mais forte, Fassbinder
Filme
Domingo, 21 de Agosto, 18h
Entrada Livre

Ciclo Mike Leigh


Mike Leigh e o tumulto da normalidade nos subúrbios de Londres
Ao longo dos anos, Mike Leigh tem feito cinema nos subúrbios e entranhas da Londres onde hoje se acende um rastilho de cólera. O seus filmes retratam esse caldeirão anónimo das classes trabalhadoras em Inglaterra, trazendo à luz a ilusão de prosperidade de um país e de uma classe operária, ela própria iludida, talvez por estar mais próxima da concentração de riqueza de um reino singularmente exímio na técnica de pilhagem, talvez por ter sido das primeiras classes operárias na Europa a viver o dia-a-dia da sofisticada trapaça da sociedade feliz do truste liberal, que teve no ministério do Reino a vanguarda do marketing europeu. Mas o realizador filma, e bem – não apenas num sentido estético, ó esteticistas e calistas do raio que vos parta!!!! –, a violência da normalidade laboral, a inércia destrutiva de vidas quotidianas constrangidas a viverem o pesadelo da sociedade liberal, o desencanto dos espíritos inconformados com o rumo de um sistema económico opressivo.
Mas, quase sempre, o nosso olhar é conservador, isto é, está com o olhar da massa, do público, da maioria, está com o olhar que pode, o olhar que tem poder para orquestrar isso que não existindo, constrói o olhar de todos, a massa, o público, a maioria. E esse olhar, olha e vê o perigo na excepção e não na norma; atrai-lhe e significa a espectacularização da violência, ao mesmo tempo que absorve como uma esponja a violência real do dia-a-dia, esponja que espreme para esquecer e voltar a absorver.
Dito de outra forma, todos temos muito a dizer sobre uma dezena de tumultos excepcionais que grassam em Inglaterra; quase nada tivemos a dizer sobre uma dezena de décadas de vidas tumultuadas pela normalidade de uma lógica social, política e económica. Todos – quase, quase todos – chamamos pilhagem a um bando que subtrai 5 pares de calças, 3 telemóveis, 1 mochila, 1 caixa de Chips; quase todos, teimamos em olhar para o “de Cameron”, com uma dose de auto-condescendência, desviando para canto o ignóbil e inquantificável saque – humano, ecológico e económico – em que se sustenta a lógica capitalista. Essa lógica que, de Cameron em Cameron, faz de um mundo que destrói, um filme com múltiplos e intermináveis happy-ends, filtrando com mestria o nosso olhar.
Estes que hoje saqueiam lojas, e incendeiam esquadras e edifícios, são filhos dessa classe operária retratada por Mike Leigh nos seus filmes. Sem querermos cair no lugar-comum, estes jovens não parecem fazer parte de uma geração tão comum, que nasceu nesse caldo pós-ilusão de emancipação operária: a geração do cinismo (além daquela, mais feliz, que vem a banhos ao Algarve para contrair o seu pack de bem-estar social, lambuzando-se no ketchup e nos hamburgers que mandam embalar aos turcos, portugueses, polacos e cingaleses), aquela que gere, sem tacos de baseball, o descalabro social e humano da Europa.
Se estes tumultos erráticos não se traduzem em discursos e manifestos políticos, não quer dizer que sejam apolíticos. 16 mil polícias não são mobilizados para travar a excepcionalidade de uma dezena de bandos de 200 jovens: são mobilizados para que a norma não desperte. Não nos interessa condescender com a excepção, mas perturba-nos que a norma continue a estiolar.
Ciclo Mike Leigh

Programa:
Naked, Mike Leigh
Filme, 1993
Quinta-feira, 11 de Agosto, 22h
Entrada Livre
High Hopes, Mike Leigh
Filme, 1988
Sábado, 13 de Agosto, 22h
Vera Drake, Mike Leigh
Filme, 1996
Domingo, 14 de Agosto, 18h
Entrada Livre





O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, Glauber Rocha

“A única opção do intelectual do mundo subdesenvolvido entre ser um "esteta do absurdo" ou um "nacionalista romântico" é a cultura revolucionária. Como poderá o intelectual do mundo subdesenvolvido superar suas alienações e contradições e atingir uma lucidez revolucionária?”, Glauber Rocha


O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, Glauber Rocha
Filme, 1969
Domingo, 7 de Agosto, 18h
Entrada Livre a quem for sant@...



Sinopse:
"(...)Primeiro foi em Deus e o Diabo na Terra do Sol, que Antônio das Mortes apareceu para livrar o sertão dos cangaceiros e beatos. Assim foi concebido por Glauber Rocha, que procurava mostrar com este personagem um indivíduo possuído de um misticismo próprio, uma filosofia autenticamente nordestina, inspirada no próprio folclore do sertão. Embora seu trabalho fosse pago, Antônio das Mortes sentia ao mesmo tempo que era necessário livrar o mundo daqueles males e ninguém melhor do que ele poderia encarnar o justiceiro como um ser predestinado por forças superiores a ele próprio, sublimando as suas faltas com suas acções calcadas na violência.
Incompreendido, contraditório mas acima de tudo um homem só com a sua sorte, a figura de Antônio das Mortes atraiu sobre si as atenções gerais. A força desse personagem não escapou aos olhos argutos de críticos e público e dificilmente poderia ser deixado de lado, tal o potencial que apresenta como criação. (...)
A história é simples. Um dia, numa cidadezinha chamada Jardim das Piranhas aparece um cangaceiro que se apresenta como a reencarnação de Lampião. Seu nome é Coirana. Anos depois de ter matado Corisco, Antônio das Mortes vai à cidade para ver o cangaceiro. Não vem por dinheiro. Quer apenas comprovar se é verdade mesmo. É o encontro dos mitos.
Coirana:
"Tenho mais de mil
Cobranças pra fazer
Mas se eu falar de todas
A terra vai estremecer
Quero só cobrar as preferidas
Do testamento de Lampião:
Quem é homem vira mulher
Quem é mulher pede perdão
Prisioneiro vai ficar livre
Cangaceiro vai pra cadeia
E mulher dama casa na Igreja."
Antônio:
"Tu é verdade ou assombração
Diga logo, cabra da peste
Eu de minha parte não acredito
Nessa roupa que tu veste!"
E tem início o duelo entre o dragão da maldade contra o santo guerreiro. Mas esta história tem seus demais personagens que vão povoar o mundo de Antônio das Mortes. Entre eles, um professor desiludido e sem esperanças; um coronel com delírios de grandeza, voltado para um passado distante; um delegado com ambições políticas; e uma mulher, Laura, vivendo uma trágica solidão. Todos são envolvidos na acção dirigida por Antônio e seus contraditórios conceitos de moral e justiça. (...)", Míriam Alencar

Terra em Transe, Glauber Rocha



Terra em Transe, Glauber Rocha
Filme, 1967
Sábado, 6 de Agosto, 22h
Entrada Livre a quem vier descalço


Sinopse:
Vigorosa e visionária alegoria política sobre o Brasil e a América Latina tendo como temas centrais o populismo, as utopias libertárias e o concerto barroco de diversas culturas (africana, índia, branca). Terra em Transe segue um enredo ficcional que já antecipa o questionamento de Glauber às noções ainda resistentes de trama e narrativa. Abolindo a ordem cronológica e adoptando um estilo fortemente operático e carnavalizante, é um dos filmes-manifesto do Cinema Novo. A “história” se passa em Eldorado, país imaginário da América Latina, onde o poeta e intelectual burguês Paulo Martins vê frustrar-se a sua esperança de que o Governador da Província de Alecrim e líder político Dom Felipe Vieira seria uma alternativa política ao conservador Dom Porfírio Diaz, ditador fascista que apela ao misticismo para preservar o poder. Entre estes, se interpõe a figura do capitalista Júlio Fuentes, que apesar de se declarar de esquerda acaba se aliando ao ditador Diaz. Ao lado de Sara, uma intelectual comunista, Paulo Martins não vê outra solução a não ser a violência revolucionária suicida.
"Convulsão, choque de partidos, de tendências políticas, de interesses econômicos, violentas disputas pelo poder é o que ocorre em Eldorado, país ou ilha tropical. Situei o filme aí porque me interessava o problema geral do transe latino-americano e não somente do brasileiro. Queria abrir o tema "transe", ou seja a instabilidade das consciências. É um momento de crise, é a consciência do barravento.", Glauber Rocha.

Deus e o Diabo na Terra do Sol, Glauber Rocha




Deus e o Diabo na Terra do Sol, Glauber Rocha
Filme, 1964
Quinta-feira, 4 de Agosto, 22h
Entrada Livre a quem vier de botas cardadas

Sinopse:
O Sertanejo Manoel e sua mulher Rosa levam uma vida sofrida no interior do país, uma terra desolada e marcada pela seca. No entanto, Manoel tem um plano: usar o lucro obtido na partilha do gado com o coronel para comprar um pedaço de terra. Quando leva o gado para a cidade, alguns animais morrem no percurso. Chegado o momento da partilha, o coronel diz que não vai dar nada ao sertanejo, porque o gado que morreu era dele, ao passo que o que chegou vivo era seu. Manoel irrita-se, mata o coronel e foge para casa. Ele e a esposa resolvem ir embora, deixando tudo para trás. Manoel decide juntar-se a um grupo religioso liderado por um santo (Sebastião) que luta contra os grandes latifundiários na demanda do paraíso após a morte. Os latifundiários decidem contratar Antônio das Mortes para perseguir e matar o grupo.
O argumento de Deus e o Diabo na Terra do Sol é uma síntese de factos e personagens históricos concretos (o cangaço e o mandonismo local dos coronéis no Nordeste, o beatismo ou misticismo de base milenarista, a literatura de Cordel, Lampião e Corisco, Euclides da Cunha e Guimarães Rosa, Antônio Conselheiro e Antônio Pernambucano (jagunço ou assassino de encomenda de Vitória da Conquista).

Assim, o Santo Sebastião e Corisco representam Deus e o diabo, ambos deformados e transtornados pela solidão do sertão. De maneira característica, a solução do problema social representado por figuras como o Santo Sebastião e Corisco é confiada à carabina infalível de Antônio das Mortes, matador profissional, figura sinistra, melancólica e lógica de assassino visionário, o qual imagina que, uma vez eliminados o diabo (Corisco) e Deus (o Santo Sebastião), haverá então a guerra de libertação, ou melhor, a revolução, que redimirá o sertão. É assim que Antônio das Mortes fulmina o profeta e o bandido. Manuel, símbolo do povo brasileiro, escapa, testemunha viva da verdade das teses do filme", Alberto Moravia.