Piolho 5, revista de Poesia


Piolho 5, revista de Poesia
Apresentação e leituras
Com A. Dasilva O.
Domingo, 31 de Julho, 17h
Entrada Livre




PIOLHO Revista de Poesia
«Muito me espantaria se daqui saísse vivo.» Rui Azevedo Ribeiro

FluxFilms



Fluxus – Vídeo Art
Sessão-Dupla
Quinta e sexta-feira, 28 e 29 de Julho, 22h
Entrada Livre




FLUXUS são fluxos que escapam a uma definição. Movimento artístico? Grupos de acção de arte-política? Criadores subversivos? Anti-arte, usando diferentes formas de expressão, como as artes visuais, a música, a literatura, a performance, a poesia visual, a mail-art, para contestar o objecto-mercadoria artístico?
A Gato Vadio, pela primeira vez neste apêndice da Europa, prepara uma sessão-dupla com vários vídeos de diferentes criadores Fluxus.

Fluxus é mais valioso como ideia e como potencial de mudança social do que como um grupo específico de pessoas ou uma colecção de objectos.’ Ken Friedman


A Revolução Social Espanhola existiu…

1936/39 - 75 anos depois


A Revolução Social Espanhola existiu…



“Lutar contra o fascismo em nome da democracia não passa de lutar contra uma forma do capitalismo em nome de uma outra das suas formas, susceptível a todo o instante de se transformar na primeira”, George Orwell.




Não se pode chamar de amnésia. Não podemos esquecer aquilo que nem sequer pudemos saber. O tempo presente converteu-se num aspirador macro-histórico, capaz de desvanecer da memória colectiva (“memória colectiva” parece já um anacronismo) qualquer referência ao conflito social, ao antagonismo dos poderes, à visão libertária, à consciência de classe, para usarmos um termo tão anquilosado, como drasticamente necessário.




A pós-modernidade é também esse vácuo indolor, essa cínica crença de que tudo começa do ponto zero, de que tudo é eternamente novo. Como numa campanha publicitária... ou no telejornal… nada se repete, tudo se renova, como o papel higiénico. Com a pós-modernidade como cenário e a história oficial como verdade cultural, recuperou-se a Revolução Social Espanhola para a visão histórica e episódica da teoria democrático-burguesa. Essa teoria que consegue fazer esquecer por completo 7 milhões de operários e operárias em auto-gestão, ou convertê-l@s numa massa que lutou pelo advento da democracia e da consolidação da sociedade do bem-estar! O mito da falsa democracia falou mais alto, sublimando provavelmente o mais sólido processo revolucionário europeu, aquele que transformou radicalmente a lógica das relações de poder em todos os aspectos da vida, para mudar a sociedade e o quotidiano.




Não é por acaso que quando os operários começaram a radicalizar o seu movimento durante os anos de 1936/39 reivindicaram a sua total "autonomia", ou seja, a independência quer da burocracia estatal vertical, quer face a representações estrangeiras, como a independência face aos partidos ou a grupos de trabalho clandestino. Para eles tratava-se de agir em conjunto para resolverem os seus próprios problemas e assuntos, directamente e com as suas próprias regras, para tomar as suas próprias decisões e definir a sua estratégia e tácticas de luta, enfim, para se constituírem como movimento revolucionário.




A liquidação da memória histórica associada às lutas dos assalariados significou a eliminação de toda a perspectiva revolucionária. Se ela hoje nos faz falta? Se vale tanto como a mijona ou o mexilhão na maré vaza? Perguntem-se vós… Que acabou a História? Que o proletariado não existe? Que a luta de classes é do século XIX? Que somos ingénuos? Que 1984 era um filme de ficção? Que os “porcos” não triunfaram? Que não existem “PIGS”? Que ao lado, por cima e por baixo da Moody’s não existe um conjunto de seres forrados de lixo por dentro e de luxo por fora? Que vasculhar no lixo ao lado do Pingo Doce é desporto, parkour-esofágico? Que as filas na segurança social são uma fábrica de talentos falhados? Que com 500 euros no bolso, bem contadinho, dá prá jola, pró tremoço e ir a banhos ao Algarve (ou Alentejo, pois…) e o resto é paisagem, sonhos, utopias, lirismo, poesia, tretas tretas…




George Orwell, alguns anos depois do fim da guerra civil, escreveu: “A História parou em 1936”. Parou de facto, em amplos sectores da sociedade espanhola, a dominação social, económica, estatolátrica e patriarcal, essa dominação que a própria História prefere ensinar. Não embarquemos no faducho, não choremos nós sobre inércia derramada. Mas poderemos silenciar as tentativas emancipatórias do ser humano? Poderemos esquecer outra forma social e económica de entender as relações humanas? Poderemos ficar com a história que nos vendem a trouxe-mouxe? Poderemos ficar parados e viver o desastre? Contentes, por todos dispormos do direito a pensar e agir, mas termos perdido a faculdade de o fazer? Ou, pior ainda, incomensuravelmente mais desastroso, fazer parte dessa imensa ausência de esforço para compreender e agir?





Todavia, a história continua… pertinho.


ES.COL.A - espaço colectivo autogestionado do Alto da Fontinha

Rua da Fábrica Social, 17 - Porto

www.escoladafontinha.blogspot.com

Revolução Social Espanhola



Domingo, 17 de Julho, 18h
¡Ni peones, ni patrones!, Hanneke Willemse, Jan Groen y Leen van den Berg
Documentário, (1986), 56m.
Nosotros somos así, Valentín R. González
Filme, (1936), 29m
El Maquis. El movimiento guerrillero en Galicia, León y El Bierzo, Alfonso Arteseros
Documentário, 2002, 98m

Porto: "Outro olhar sobre a cidade"


Dossier Le Monde Diplomatique
Apresentação: Nuno Domingos, Bruno Monteiro, Virgilio Borges Pereira e José Madureira Pinto
Sexta-feira, 15 de Julho, 21h45
Entrada Livre

Djibril Diop Mambéty, Senegal


Djibril
Diop Mambéty, Senegal
Sessão Dupla
Le Franc
La Petite Vendeuse de Soleilquinta-feira, dia 14 de Julho, 22h
Entrada Livre

Agradecemos à Isabel Delgado a sugestão e os filmes



Djibril Diop Mambéty (Janeiro de 1945 - 23 de Julho de 1998) foi um realizador senegalês, actor, orador, compositor e poeta. Foi reconhecido e aclamado em festivais internacionais pelo seu estilo narrativo não-convencional, pelo experimentalismo e intensidade poética dos seus filmes.
Além da noção de hibridismo que atravessa muitos dos seus filmes, Mambéty não deixa passar um olhar severamente crítico sobre as condições políticas e sociais em África.
Sinopses:
Le Franc

Este primeiro filme da trilogia incompleta de Mambéty, a Petites Contes des Gens, Le Franc (1994) parte da desvalorização do Franco CFA pelo governo francês para descrever os esquemas absurdos que as pessoas inventam para sobreviver a um sistema que recompensa a ganância em vez do mérito. O filme conta a história de um músico pobre, Marigo, que apenas encontra consolo em tocar o seu instrumento musical, até este ser confiscado por causa da sua dívida. Marigo joga na lotaria e apesar de ter vencido encontra obstáculos para reclamar o prémio.
(45m.)

La Petite Vendeuse de Soleil
Este segundo filme da trilogia de Mambéty exalta a vida e a promessa de um futuro entre a gente vulgar de Dakar. La Petite Vendeuse de Soleil (A Menina Que Vendeu o Sol), retrata aventura de uma menina mendigo, Sili, que de muletas, mas determinada, faz o seu caminho por uma cidade de obstáculos, fugindo de um grupo de agressores, vendendo jornais para ganhar dinheiro para si e para a sua avó cega. Mambéty dedicou o seu último filme " à coragem dos meninos de rua". O carácter luminoso de Sili traz-nos um olhar solidário e optimista na luta dos mais oprimidos em África, as jovens do sexo feminino, os pobres e os deficientes.
Este filme foi seleccionado como um dos dez melhores filmes de 2000 pelo Village Voice. O. Scott, do The New York Times, descreveu o filme como uma "obra-prima dessa subestimada humanidade”.
(45m.)

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"A moral burguesa é para mi uma imoralidade contra a qual há de se lutar; esta moral que se baseia nas nossas instituições sociais mais injustas como a religião, a pátria, a família e a cultura, em suma, o que se denomina os pilares da sociedade", Luis Buñuel.


Quem somos nós para contradizer o cineasta espanhol. Doce trilogia dedicada a Buñuel e que serve como mote para em breve a Gato Vadio dedicar uma semana inteira à Guerra Civil Espanhola, 75 anos depois do levantamento revolucionário de 19 de Julho de 1936 contra as forças militares fascistas. Documentários, filmes, debates, para questionar as amarras do presente, mais do que para celebrar um dos mais importantes processos revolucionários da Europa ocidental, no século XX.



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Diário de uma criada de quarto, Luis Buñuel

Filme, 1964

Domingo, 10 de Julho, 18h

Entrada Livre


Sinopse:

Diário de uma criada de quarto é um romance do jornalista, crítico de arte, romancista e autor dramático francês Octave Mirbeau, publicado em 1900, durante o Caso Dreyfus. Anarquista e dreyfusista, Mirbeau estigmatiza a escravidão dos tempos modernos, o reduto da domesticidade para onde são atiradas as mulheres, e exibe os segredos repugnantes da burguesia. Retrato fiel da época, este filme conta a história de Celestina, criada de quarto atraente e autora muito lúcida do diário, e confronta duas classes que se odeiam e desprezam mutuamente: a burguesia corrupta e a criadagem explorada. O filme de Buñuel é incansável na sageza de desentranhar a condição humana e suas contradições, suscitando-nos a angústia existencial de que falava Sartre.




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O Anjo Exterminador, Luis Buñuel

Filme, 1962

Sábado, 9 de Julho, 22h

Entrada Livre


Sinopse:

Neste filme Buñuel despe a sociedade aristocrata, personificada numa elite comensal que se vê presa numa das salas de uma mansão após um jantar formal. Não há nada que os impeça de sair, porém o formalismo e a convenção fazem-nos reféns de portas e de grades imaginárias. Com o decorrer dos dias, as convenções vão caindo, porém a nata burguesa vê-se incapaz de abandonar a mansão, pois as barreiras imaginárias permanecem. Aos poucos, as máscaras de cada personagem desprendem-se, deixando a nu os mais primitivos instintos, as atitudes irracionais e egoístas. O retrato da burguesia é desde o início criado para dissecar aquilo que ela comporta de mais vil, cruel, desumano e imoral, desde o comportamento dos patrões com empregados, os maldizeres, a hipocrisia, a vaidade, a traição, a desconsideração ao próximo, a imoralidade (a qual é tratada com a maior naturalidade e complacência), além da inevitável ironia sórdida.




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O charme discreto da burguesia, Luis Buñuel

Filme, 1972

Quinta-feira, 7 de Julho, 22h

Entrada Livre


Sinopse:

Talentosa combinação de realidade e absurdo, este filme de Luis Buñuel é uma ácida e surrealista crítica à hipocrisia dos valores burgueses, contada através da história de seis amigos que se reúnem para um jantar que acaba sendo interrompido por estranhos acontecimentos que misturam realidade com devaneios e sonhos das personagens. O ritual do jantar é permanentemente interrompido, seja pela data desencontrada nas agendas dos comensais, seja pela morte do dono do restaurante que está a ser velado no próprio estabelecimento, seja pelo desejo sexual descontrolado dos anfitriões, pela interrupção do Exército em manobras, pela polícia ou pelos terroristas. Mas nada disso impede que os burgueses desistam e marquem sempre uma nova data. Em Buñuel repete-se continuamente “o sonho da bela comunidade, da agregação ideal de um grupo de pessoas afins, de modo a transformarem o mundo em algo mais belo”, embora isso nunca se dê plenamente e sem que se desvendem os obscuros, egóticos e reaccionários valores em que se baseia o belo sonho da burguesia ideal.