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Paulo Varela Gomes e a desobediência civil
Declaração de apoio
Continuar a dizer que o crescimento do PIB nas últimas três décadas nos países ocidentais se traduziu numa maior coesão e equidade social é irresponsável – pelo contrário, a diferença entre ricos e pobres aumentou e continua a agudizar-se e, nos últimos quinze anos, houve mesmo um engrossamento das classes mais pobres.
Dizer que o crescimento económico é uma condição que aprofunda a democracia é irresponsável – veja-se o exemplo da China, com a forma exemplar como executa em pelotão a democracia, e dos EUA, desde as inenarráveis circunstâncias que conduziram à reeleição de George Bush à catastrófica e fascista invasão do Iraque e do Afeganistão.
Não dizer que o forcing ultra-liberal na economia global nos últimos quinze anos teve como consequência uma rápida aproximação (e normalização) a níveis de mal-estar social insustentáveis é irresponsável, forcing que compunge e constrange as pessoas a trabalharem 10, 12, 14 horas em condições de remuneração e reconhecimento indignas ou escravizando outras, designadamente os emigrantes, à exploração pura e dura, fazendo com que uns e outros abdiquem do seu tempo-livre, das suas folgas, da sua liberdade e dignidade, sujeitando-as à competição selvagem com os seus colegas, instilando o medo, a humilhação, a angústia.
Afirmar que os Estados liberais seguem as políticas do livre-mercado sem dizer que ao mesmo tempo os Estados-símbolo do ultra-liberalismo (EUA e Reino Unido) protegeram e trouxeram ao colo, com os recursos de todos os seus contribuintes, a grande indústria (responsável pela exploração irresponsável dos recursos naturais) ou a banca (causadora da ruptura financeira e na cúpula da crise mundial actual) é uma irresponsabilidade.
Elogiar o crescimento do PIB como um facto em si, sem dizer que o PIB resulta da riqueza realizada por todos os cidadãos de um país (os “activos”, já que o trabalho doméstico e a educação das crianças, maioritariamente efectuada pelas mulheres, não constitui uma riqueza… talvez por ser de facto uma riqueza humana e social) e que a esmagadora maioria desses cidadãos não beneficiarão da riqueza que produziram em prol de uma elite, ou sem perguntar para quê e até onde vai esse crescimento, é uma mística e uma irresponsabilidade.
Místico foi o tom monocórdio do presidente da Comissão Europeia quando há semanas atrás, preocupado com a insanidade das contas públicas de Portugal, repetiu várias vezes no seu discurso-lição que o excelso desígnio do orçamento que rege a vida de mais de 10 milhões de pessoas é fazer com que o défice se cifre nos 4,6 % do PIB. Já nem uma palavra a explicar porquê ou para quê, muito menos perguntar-se se o orçamento de um país é feito para as pessoas ou para os mercados… Numa caricatura miserável a que chegou este tipo de sociedade exemplar que é a Europa, Durão Barroso, esse excelso ser humano que um dia preferiu dizer sim à invasão do Iraque e à política do terror e do ódio, terminou o seu aviso como começou: “um orçamento que vise o objectivo do défice de 4,6 do PIB”…
600 mil desempregados num país que num período de crise e recessão gerou 200 novas fortunas é irresponsável.
1 milhão de activos a recibo verde e sem contrato de trabalho é irresponsável para um Estado com 4 milhões de activos (ou 3, 4 milhões se descontarmos os desempregados).
A fortuna dos 25 portugueses no pódio da acumulação de riqueza detêm 10% do PIB num insulto à equidade e à justiça social. Ou dos 100 maiores, cujas fortunas valem 32 mil milhões de euros o que corresponde a 20% da riqueza total nacional… quando 19,8% dos habitantes em Portugal vivem com menos de 414 euros por mês.
Dizer sobre as recentes propostas governativas deste governo que os impostos vão ser pagos pela classe média é apenas parte da verdade, pois é irresponsável não afirmar, ontem como hoje, que o imposto que incumbe sobre o assalariado-contribuinte impende sobre todo o bolo do seu salário (o seu espoliado e parco “lucro”) e que o imposto sobre as empresas não impende sobre todo o bolo das suas receitas, já que o bolo das empresas, o lucro, continua intacto.
Não afirmar que cada discurso, cada palavra, cada gesto, dos partidos da situação, quando falam em justiça social, responsabilidade, racionalidade económica, desenvolvimento, medidas sustentáveis… não dizer preto no branco que tudo não passa de uma mentira é uma irresponsabilidade.
Perante estas e outras irresponsabilidades da vida colectiva, temos a obrigação de perguntar porque é que em França nos dias de hoje as pessoas, assalariados, reformados e estudantes, saem à rua, organizam-se, responsabilizam-se colectivamente em movimentos populares e sindicais de desobediência civil, e por que razão em Portugal, com o conjunto de medidas mais repressivas dos direitos sociais desde que a ditadura fascista acabou e profundamente punitivas para a classe média e para as classes pobres e mais desfavorecidas, dizia, temos a obrigação de perguntar porque razão não fazemos nada?
A desobediência civil é uma responsabilidade. Uma resposta colectiva quando todas as outras respostas (dos partidos da oposição, dos sindicatos, das instituições democráticas (?!)…) já não conseguem escapar à imediata integração pelo status quo das sociedades liberais, respostas ora esvaziadas quer pelo sistema governativo da democracia burguesa regulada mais do que nunca pelos interesses financeiros, pela oligarquia económica e pela lógica do “consumo, logo existo”, ora dulcificadas pela burocracia reformista e sindical. Uma resposta colectiva é pela sua própria condição a única resposta responsável. E uma resposta colectiva é aquela que não delega o seu poder de exigir, de fazer, de existir, de resistir, que não delega a sua vida a ninguém. Que não delega a organização da sua vida em/na comunidade, no espaço público. É aquela que o faz organizando o seu poder de exigir, fazer, existir, desejar, resistir, com o poder do outro que está do seu lado e ao seu lado.
Na mesma medida em que nenhum senhor do poder falta ao seu compromisso com os outros senhores do capital, – são férreos responsáveis dos seus interesses – nenhum ser humano pode esperar que uma resposta social possa advir da irresponsabilidade de cruzar os braços enquanto se assiste à delapidação de vidas humanas, dos recursos naturais, das florestas que subsistem, ou enquanto em nome do capital se mata no Iraque e no Afeganistão. Ninguém pode esperar uma resposta social do azedume de quem por desporto se vai ressabiando quando os seus governantes protegem os interesses de quem explora e de quem causa danos sociais e ecológicos irreparáveis (por exemplo, quando o Estado com uma mão injecta dinheiro em instituições bancárias que sugaram até ao tutano as suas próprias bases de sustentabilidade fiduciária apenas com o fito do lucro rápido e eficiente e, com a outra mão, corta nos direitos sociais de quem é explorado e no investimento na educação e na saúde, com a justificação de controlar o défice público). Nenhuma resposta de mudança social pode advir de quem esvazia a sua acção pública, a sua intervenção na sociedade em que vive (ou onde mal sobrevive…), de quatro em quatro anos em actos eleitorais que elegem a mentira e a hipocrisia, nenhuma resposta pode vir de quem apenas acumula factos para se indignar como o capitalista acumula meios de produção para enriquecer. O direito a não mudar e a não transformar a sociedade em que vivemos é um direito inalienável, mesmo dos oprimidos e dos explorados. Já o desejo de querer transformar a sociedade capitalista sem que a sua própria vida seja trazida para a luta contra a opressão causada pelo neo-liberalismo – quando é o próprio sistema capitalista que arrastou e transformou cada corpo na castração da vida, na amputação da autonomia, no impedimento da livre escolha e da dignidade –, que converteu a vida dessas pessoas que desejam uma transformação num campo de batalha pela sobrevivência do que ainda pode ser humano, então, esse desejo de querer transformar a sociedade capitalista sem trazer a sua própria vida para a luta contra a opressão causada pelo neo-liberalismo ou é uma ingenuidade ou é cada vez mais uma mentira e uma irresponsabilidade. Um engano contra si mesmos, uma irresponsabilidade face ao outro. Nenhuma transformação da vida colectiva poderá vir a acontecer com aqueles que desejam transformar a sociedade e que faltam. Que continuam a faltar. E faltam muitos e quase sempre. Professores, artistas, actores, jornalistas, médicos, funcionários públicos, estudantes, nada disso importa, mulheres e homens, de carne e osso, é isso que falta.
Eu apoio a desobediência civil não violenta contra a violência do Estado e do Capital.
Júlio do Carmo Gomes/Gato Vadio

Ver texto publicado por Paulo Varela Gomes no jornal Público de 23 de Outubro de 2010

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Gato Vadio
Enforcamento Público





Conhecem aquela sensação quando uma corda está esticada ao máximo dos máximos e contraímos os ouvidos porque sabemos que a qualquer momento ela vai rebentar?

Roída pela traça, pela obsessão, pelo disparate pegado, pela camisola, pela falta de juizinho, pela cabeça na lua, pela utopia, pelos pés na terra, pela consciência tranquila, pela broa, pela poesia…

Foi com essa corda que fizemos trapézio sem rede durante três anos e meio.

E o que era aquilo a que eles se agarraram com unhas e dentes como se o fim do mundo fosse amanhã e fosse preciso viver todos os dias, como se a vida fosse uma coisa preciosa e o ar dos nossos pulmões se quisesse sustentar com o seu próprio oxigénio, com o seu próprio ar?

E aquilo, a bem dizer, não era nada que se pudesse definir com uma palavra, a que se pudesse chamar um nome, nada de concreto, nada de objectivo, causando grande embaraço às nossas tias e irmãs pois não sabiam como chamar aquilo. Faltava sempre qualquer coisa…

Quer dizer, não é um bar, também não é uma livraria, e tudo um bocado escangalhado, teias d’aranha, cadeiras desconchavadas, sofá carunchoso, chávenas esbeiçadas, um bocadinho pró impertinente nos dias que correm, em que o mainstream e o underground vivem em união de facto, ora provocando a repulsa de uns, ora suscitando sorrisos amarelos nos outros.

Um pouco como acontecia com aquele cadeirão Luis XIV na livraria, endrominado no lixo e a que sempre caía o braço, que coisa desagradável, que partida de mau gosto… mal alguém se sentava, zás, o braço tombava, durante três anos e meio vimos o braço a tombar, só poderia tombar, a pessoa senta-se, refastela-se, encosta-se para trás, já abriu o livro no regaço e, ao pousar o seu antebraço, zás, fadado com’ ó destino, o braço cai e rola pelo chão. É que não seria sincero da nossa parte, não seria autêntico não provocar um embaraço na clientela, seria postiço que o braço permanecesse imóvel, estático, apático, confortavelmente acomodado no seu lugar, seria um insulto colá-lo com cuspo só para inglês ver, nada disso, daria azo a que o leitor, sentado no cadeirão, fizesse uma leitura politicamente correcta, e disso não temos, aviem-se noutro lado, então, zás, catrapumba, esparramado no chão. Essa foi bem aviada! Alguns baixavam-se, apanhavam o braço, pasmados por algo ali ser autónomo e mexer-se, ficavam atónitos, boquiabertos, como era possível, um braço vivo? Esforçavam-se, de cu pró ar, por colocá-lo à força, encaixá-lo na sua forma de pensar, pô-lo de volta ao lugar que lhes convinha para que tudo ficasse na mesma, aliás o lugar preferido do leitor em potência, da clientela latente, o que é preciso é que tudo fique na mesma, arrumadinho como dantes, santacombistas não faltam. Outros, coravam, não sabiam onde se meter, apanhados em flagrante por não saberem o que fazer com um braço vivo na mão e, então, às esconsas e de fininho, davam-lhe com o pé, com a ponta do sapato, para enfiarem o braço do cadeirão para debaixo daquela espécie de sofá feita com paletes do Continente. O braço jazia às vezes semanas a um canto, arrochado no pó, parecia nidificar, a ganhar forças, mas sempre vivo, o braço. Madrugada alta, quando a porta se fechava, acoitava-se no silêncio, mas não dormia, nunca dormia, este braço vivo. Passava horas de insónia: o braço alimentava-se do seu próprio braço mas nunca trazia pão para casa… ou o pão que trazia nunca chegava. Mas isso é um conceito demasiado esofágico, não é? Lá vêm eles com histórias, com lérias, a impor-nos a gastrite na cachimónia, a revolver-nos a consciência com temas desagradáveis, isto é que é uma porra, não se pode vir beber um café sem ficar maldisposto das virilhas, ou do hipotálamo, e ainda por cima não há tremoços, uns salgadinhos que se apresentem, nada, alcagoitas avant-garde e champagne chinês que o mundo está lindo, as andorinhas voltam pró ano, não te preocupes, o Sócrates faz-te um banquete platónico e depois dá-te o arroz, vais ficar alegremente nobre a ver peixinhos exóticos pela escotilha do submarino, não te preocupes que os anos não passam em vão, nada disso, tens tempo filho, nada é em vão, nem o teu recibo verde, nem as 65 horas do camarada Belmiro, nem o teu desemprego, nem a tua depressão, nem o teu mestrado, nem o teu ponto de vista sobre a realidade, a tua consciência crítica, o teu jet leg sócio-cultural, tudo isso está contado, tudo isso está contabilizado, não te preocupes que eles fazem as contas por ti, não te maces, olha lá vai mais um peixinho, um girino, um gambozino, uma alforreca… Mas não há verdades absolutas, pois, pois é. Só aquela que se vive na pele. Fecha lá o tasco, tás fodido mete rolhas, já tens idade para acertar o passo, filhos para criar e ainda refila o marmanjão, saiu-me pior do que a encomenda, isto são tudo mesquinhices, são tudo pormenores, ressaibo, ressaibinho, nós de facto nunca existimos, foi tudo um engano, já cá não está quem falou, isto é literatura de pé-de-chinelo, e um dia (a tão não! Até nós, pá!) todos estaremos acima destas realidades comezinhas, sem saber de que terra somos mas com um feng shui nos dedos mindinhos, o shakras numa nice e uma liposucção da vida, grátis e a cores!

Para o bem e para o mal, dia e noite, gatos e vadios, só soubemos viver.


Tragam cordas, tragam. Serão poucos mas bons os amigos e amigas vadios que terão coragem de subir connosco ao cadafalso.

Desampara-me a loja ó Etelvina! Trocado por miúdos: ou o projecto Gato Vadio se torna numa associação com mais malta a dar o corpo ao manifesto, ou então chapéu, bye bye.

Em breve, comunicaremos se houve lugar à metamorfose em associação ou se marcamos a data para juntos subirmos ao cadafalso em festa e alegria!


Abraço e obrigado a todos.


Alto! Um momento! Antes que seja tarde, quem quiser este fim-de-semana, de sexta a domingo, poderá comprar os quadros da Maja Vadia. Estarão à venda. 1 quadro = 20€ / 2= 30€. Aceitam-se encomendas.


Agora é a sério. Pensavam que era só conversa, tanto paleio, tanto paleio, ah, já desconfiavas não é, sabe-la toda, aqui há gato, pois claro, é que desde há 4 anos temos uma goteira no quarto e o bolor e o cogumelo e a micose e a fermentação dos líquenes na tua e na nossa cabeça, enfim, estes gajos não existem. Venham lá dar uma ajuda.


O horário provisório mantém-se.
Horário:
Quinta-feira a Domingo (inclusive), a partir das 22h.

MIXIN'AROUND

Concerto - FREE-LAB- MUSIC-PROJECT

Domingo, 17 de Outubro, 18h

Entrada: 2 Gat€s



MIXIN'AROUND (Blasé, dj e vozes, e Paulo Jorge, saxofones) é um FREE-LAB- MUSIC-PROJECT que mergulha nas sonoridades contemporâneas do Jazz, do Dub e do Drum n’ Bass, mas que não perde o oxigénio instilado pela tradição do Free Jazz de Coltrane a Albert Ayler.

Ver e ouvir:

http://www.myspace.com/551376635/videos

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O novo conceito estratégico da NATO
Conversa com Reiner Braun
Quinta-feira, 14 de Outubro, 21h30
Livraria Gato Vadio
Rua do Rosário, 281 - Porto
Entrada Livre

Org: Pagan (http://antinatoportugal.wordpress.com/quem-somos/)



Em Novembro de 2010, a NATO realizará uma cimeira em Lisboa para definir o seu novo conceito estratégico. O grupo de peritos formado para pensar este novo paradigma da Aliança Atlântica, onde pontificava Madeleine Albright, já fez sair um texto de recomendações, no qual a palavra "desarmamento" não aparece.

Baseado nesse documento, Reiner Braun, co-presidente do Comité de Coordenação Internacional da Coligação No to War No to Nato, vem ao Porto desmontar o significado das palavras de Madeleine Albright: "A Aliança deve ser versátil e flexível neste período de incertezas no século XXI".

Reiner Braun falará em inglês e, infelizmente, não dispomos de sistema de tradução simultânea.

Ver: http://pagan.pegada.pt


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Vadias e vadios,

A noite continua escura…

Depois de lhes roubarem a infância, um dia vão cortar 5% das crianças pobres.


À Flor da Pele, de Catarina Mourão

Documentário seguido de tertúlia Pobres crianças pobres

Domingo, 3 de Outubro, 21h15

Gato Vadio

Entrada Livre (com um aumento de 5% na liberdade em nome do interesse nacional)

Org. Agir XXI + Gato Vadio




À Flor da Pele, de Catarina Mourão

Prémio Melhor Filme da Competição Internacional do Fórum de Documentário de Belo Horizonte, Brasil, Dezembro 2006

Sinopse:

Véspera do Europeu de futebol. A ansiedade. O desassossego. Emoções à flor da pele. Num bairro pobre do Porto, tal como em todo o país, um grupo de crianças come, respira e dorme futebol. Enquanto aguardam, com os pais fora de casa, os seus dias são preenchidos pela liberdade da criação das suas próprias regras e na invenção de novos jogos, jogos de poder, emulados dos modelos em casa. O Europeu começa e com ele os rituais: as televisões são colocadas na rua e os jogos são seguidos, com euforia. As vitórias e as derrotas da selecção Portuguesa são festejadas ou choradas por todos. Mas, à margem de todo este burburinho, um dos miúdos não partilha deste interesse pelo futebol e refugia-se num mundo onírico.


"O Campeonato Europeu de Futebol estava a decorrer. Todos os olhos estavam postos em cima dos estádios, jogadores e desafios. Decidi desviar ligeiramente o meu olhar, e perceber o que se estava a passar ao lado dos estádios, fora das televisões: rapazes e raparigas a crescer, a lutar, crianças a parecerem adultos, adultos a comportarem-se como crianças, um país mergulhado na recessão e apatia à espera da vitória da selecção Portuguesa para aconchegar o ego… mas no fim nada mudou e a vida continuou…” Catarina Mourão.