Voilà! Venham dançar!

Sábado, 30 de Janeiro.
Entrada Livre

Ceský sen – O sonho checo

Documentário, 2003.

Sábado, 16 de Janeiro, 18h

Gato Vadio

Entrada Livre


Na República Checa pós-comunista, os consumidores já não têm que esperar em longas filas para poderem ter acesso aos bens essenciais. Em anos recentes, ficaram conhecidos por acamparem durante a noite para se anteciparem à grande abertura do mais recente hipermercado.

A rápida expansão do fenómeno hiper-mercantil no seu país, inspirou os jovens cineastas Vit Klusák e Filip Remunda a empreenderam uma campanha promocional maciça para divulgar o hipermercado por eles criado e ao qual chamaram “O Sonho Checo” (espécie de qualquer centro comercial dos arredores do Porto). Recorrendo à tecnologia de ponta das técnicas de marketing, prometeram as maravilhas habituais: preços baixos incríveis, super brindes e o mundo de fantasia proporcionado ao consumidor de ele poder encontrar tudo o que sempre desejou num único lugar encantado. A grande diferença entre "O Sonho Checo" e os seus concorrentes de mercado é que apenas existia na imaginação destes dois realizadores.

Talvez a maior partida da história do cinema documental. No dia de abertura ao público, quando cerca de 2000 pessoas se reúnem num prado fora da cidade dispostas a tudo para abrirem as portas do centro comercial, algum inesperado acontece…


Vit Klusák e Filip Remunda

2003
85 min.
6 prémios em festivais de cinema.


Para que servem os Direitos Humanos?


"Gandhi falava em nome de direitos que se contrapunham à ordem. Este é um dos primeiros paradoxos dos direitos humanos: eles trazem à luz do dia os conflitos sociais que geram o ordenamento jurídico e que nele permanecem latentes. (...)
O direito à resistência tem origem medieval. Contudo, apenas na modernidade, pela mão de Locke, o direito de resistir a uma ordem injusta veio a ser integrado numa teoria que concebe os direitos naturais como direitos subjectivos. O espírito insurgente marcou de facto os direitos humanos, não apenas por inspirarem revoluções como a francesa e a americana. Mesmo depois de consagrados na lei, o potencial insurgente permanece. Muitas vezes esses direitos atravessam a coerência do sistema jurídico, procurando alterá-lo com uma nova razão. A teoria do direito é também subvertida pelos direitos humanos, na medida em que estes põem em causa o formalismo da própria interpretação jurídica."

Título: Para que servem os Direitos Humanos?
Autor: Pádua Fernandes
Editora: Angelus Novus

“A liberdade absoluta em matéria de arte, sendo esta, como é, algo de particular, está em contradição com o perene estado de falta de liberdade da totalidade social”, Adorno.

No passado sábado, dia 9 de Janeiro, no Espaço Campanhã (Porto) debateu-se o “investimento cultural”. O debate foi organizado pela Estrutura, colectivo de artistas, e entre outros participantes contou com a presença de um deputado da-nação. Considerando que a restante realidade "cultural" contemporânea não poderia continuar arredada da discussão, Os Vadios fizeram uma acção directa como forma de alargar a "visão" sobre o tal “investimento cultural”. Para o efeito, fomos oferecer uma cópia do vídeo "Tá-Se" e alguns envelopes, com migalhas de pão no interior, onde se podia ler a frase “Em que classe viajam vós?”...






A Instalação “Tá-Se” foi concebida intencionalmente para ser projectada na montra da livraria Gato Vadio, (11, 12 e 13 de Dezembro de 2009, Porto) durante 3 dias. Além da perturbação provocada pelo vídeo, foi colocada uma coluna de som no exterior de forma a amotinar a ordem acústica geral, o silêncio acrítico do quotidiano e a linguagem de resignação e de impotência, própria da aceitação passiva das coisas. Os passantes não só não podiam evitar observar o vídeo, como eram ainda convidados a acrescentar o seu nome a duas listas coladas na montra: a lista dos insurgentes (em branco) e a lista de oprimidos passivos, com uma sequência infindável de nomes e números de contribuinte que terminavam dentro dum balde de lixo debruado a “ouro”.

Ainda na ressaca da passagem de ano e no contexto de abertura de uma nova década, convidamos os amigos e amigas do Gato Vadio a verem o vídeo “Tá-Se”, agora disponível no You Tube.

Qualquer eficácia que a intervenção da dupla Vadia tenha tido, ressalvamos que ela perde a sua efectividade original ao ser simplesmente assimilada no seu monitor LCD.












A organização Estrutura recebeu entretanto o convite para participar na mesa-comum, iniciativa que integra vários colectivos, como a Gato Vadio, a Plataforma pela Economia Social e Solidária, a Terra Viva, o MPDP (Movimento Popular de Desempregad@s e Precári@s), etc.

A mesa-comum visa articular em conversas informais vários espaços críticos e/ou de intervenção social de forma a estabelecer pontes entre diferentes realidades sociais da cidade do Porto.


“Actualmente [a cultura] não tem nenhuma relação com a sociedade, e esta separação leva-nos a uma conclusão perigosa: que a cultura está estritamente ligada à lei, à produção, ao dinheiro, ao produto nacional, ao status de cada indivíduo dentro da sociedade […] Necessitamos de relações mais profundas com as forças do indivíduo e da sociedade. Vejo que há uma necessidade inevitável de acção", Joseph Beuys.


Depois do triunfo da festa de 1984*, regressamos a 2010. Não tenham esperança, continuaremos a resistir.






Estaremos abertos no horário habitual dia 2 (sábado) e 3 (domingo), e encerramos no dia 5 (terça) e 6 (quarta) de Janeiro, para prepararmos a recepção ao papa.


A administração anti-beata.

Gato Vadio


* Com agrado, informamos os vadios e vadias que foi criado um saco-negro com as prebendas resultantes da festarola para arrebatar um projector (Olé!). As gorjas às dançarinas e aos queens serão desviadas para fins secretos (Ossanas!). Saiba como contribuir para um mundo mais crítico, revoltado e actuante, recebendo gratuitamente em sua casa um kit vadio “festarola anti-caviar” (Ligue já!). Próxima festa no Homem-do-Lema, na Foz. (É o máximo!). Para acabar de vez com a cult€ra (Oié!!)…


Beijinhos à titi!



(Não temos fé na piro(so)mania!)