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Trabalho digno, identidades e reconhecimento profissional

Tertúlia

Sexta-feira, 2 Julho, 21h30

Gato Vadio


com...

Luísa Veloso (investigadora na área da sociologia do trabalho e das organizações no Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE e associada da A3S)

José Alberto Reis (docente do Instituto Superior do Serviço Social do Porto e investigador na área da economia social)

António José Silva (professor/activista)

A A3S - Associação para o Empreendedorismo Social e para a Sustentabilidade do Terceiro Sector, propôs gentilmente ao Gato Vadio realizar uma discussão sobre o trabalho no mundo de hoje. Apareçam!






Se alguma vez o foi, poderá o trabalho voltar a ser uma força de emancipação social e humana?

41% DOS TRABALHADORES PORTUGUESES POR CONTA DE OUTRÉM RECEBEM EM 2009 MENOS DE 600 EUROS POR MÊS

Dados do INE/ referentes ao 1º Trimestre de 2009


EM 2006, OS LUCROS DAS 500 MAIORES EMPRESAS AUMENTARAM 66,8% ENQUANTO OS SALÁRIOS DOS TRABALHADORES PORTUGUESES SUBIRAM APENAS 2,4%

Em 2006, os lucros das 500 maiores empresas não financeiras (não inclui nem os bancos nem as seguradoras) a funcionar em Portugal somaram 5.817 milhões de euros, o que representa, em relação a 2005, em que os lucros atingiram 3.4817 milhões de euros, um aumento de 66,8%. Em 2006, os vencimentos dos trabalhadores da Administração Pública aumentaram 1,5%, e a subida

nas remunerações dos trabalhadores do sector privado foi somente de 3,1% (em toda a economia, o aumento das remunerações no nosso País foi apenas de 2,4%, segundo o Banco de Portugal)

Dados publicados pela revista EXAME, em Setembro de 2007


A PARCELA DO PIB QUE REVERTE PARA OS TRABALHADORES TEM DIMINUIDO EM PORTUGAL AGRAVANDO A SUA SITUAÇÃO E AS DESIGUALDADES

De acordo com dados do Banco de Portugal, do INE e do Eurostat a percentagem que as remunerações, quer incluindo as contribuições sociais quer sem contribuições sociais, representam da riqueza criada, ou seja, do PIB diminuiu muito após o 25 de Abril. Assim, em 1975, ano em que a situação foi mais favorável para os trabalhadores, as remunerações “liquidas”, ou seja, sem contribuições sociais mas antes do pagamento do IRS, representaram 59% do PIB, enquanto este ano (2009) prevê-se que representem apenas 34,1% do PIB, ou seja, menos 42,2% do que a percentagem de 1975 (em pontos percentuais, menos 24,9 pontos). Se os trabalhadores

recebessem em 2009 um valor correspondente à mesma percentagem do PIB que receberam em1975, receberiam em 2009 mais 40.860 milhões de euros de salários (Quadro I). Este valor dá uma ideia clara das consequências para os trabalhadores do agravamento da desigualdade na repartição da riqueza criada anualmente que se verificou depois de 1975.

Numa sociedade capitalista como é a nossa, o grau de exploração dos trabalhadores é medido pela taxa de mais valia ou taxa de exploração. As estatísticas em Portugal assim como as União Europeia não são elaboradas de molde a se poder calcular com precisão a taxa de mais valia, pois isso poria em causa o próprio sistema capitalista. No entanto mesmo com as limitações existentes pode-se utilizar os dados oficiais para calcular uma taxa que dá uma ideia clara do aumento da exploração em Portugal nos últimos anos. E o valor que se obtém para essa taxa é de 46,3% em 1975 e de 100,6% em 2009. Portanto, a dimensão da exploração dos trabalhadores em Portugal mais que duplicou entre 1975 e 2009.

De acordo com um estudo recente divulgado pela OCDE, Portugal é um dos países onde é maior a desigualdade na distribuição do rendimento. É precisamente no nosso País onde o coeficiente

de Gini, que mede a desigualdade, é mais elevado (0,385). A média nos países da OCDE é de 0,311 (Gráfico I). Depois de Portugal, na OCDE apenas existem dois países: Turquia e México.

A pobreza está também a atingir milhares de trabalhadores com emprego devido aos baixos salários que auferem. No fim de 2008, 139,5 mil trabalhadores por conta de outrem recebiam um salário liquido médio mensal inferior a 310 euros por mês, e os que recebiam salários até 600 euros correspondiam a 40,9% do total de trabalhadores por conta de outrem.

FONTE : Banco de Portugal e Eurostat


Ned Ludd Michel Homere, inglês, viveu por volta de 1779, 5 filhos, trabalhava 14 horas por dia como operário têxtil, vivia num cubículo sem divisões. Explorado até a medula, destruiu uma máquina de tricotar meias, na fábrica onde trabalhava, no condado de Leicestershire.

Chico Francês, português, nasceu em 1945, 4 filhos, pescador, biscateiro, emigrante, nunca teve um contrato de trabalho com mais de 6 meses. Anda no mar alto desde os 14 anos, vive num casebre, coberto com toldos de plástico, onde entram os ratos.

Como pode ainda o trabalhador redimir o sistema de trabalho?




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