Desde há duas décadas que uma espécie humana que habita um território terráqueo entre os confins do actual Império Euro-mano e a frente Ural se reúne no último dia do ano do calendário gregoriano para festejar a passagem para…1984. Esse povo baptizado de Europeu é um bocado distraído – na linguagem de um barbudo dessa espécie, alienado – e ainda não quis dar por isso. Também é uma espécie com muita etiqueta e, por isso, nós não queremos estragar a festa, pois não? Pois não? Aliás, a nossa actividade ao longo do ano de 1983 que passou é uma prova de etiqueta e bons costumes.

Celebremos 1984, com música dos eitis (80’/ Pista de dança com DJ little-brother) e esqueçamos que 2010 já está perdido há muito tempo.

Viva 1984! Viva o Homo-Sonâmbulos!


Quinta-feira, 31 de Dezembro de 1983, 21h30

Entrada 4€ (inclui champagne, quiche, pão, homus, bolo-plebeu, favas e pevides).

Gato Vadio, rua do Rosário 281, Porto


*a espécie humana na foto é puro design bio-futurista e não passou nos critérios de selecção musical. (o nosso novi-Gabinete pós-humano trans-celular teve dificuldades em catalogar esse sujeito pluri-celular e hiper-hirsuto. Também vários estudos terráqueos são inconclusivos a esse respeito).


nota: Quem quiser beber o champagne em taça de vidro é favor trazer de casa.



Este Natal queremos o melhor para si!


Depois de termos convocado um dia de trabalho, após longas discussões com o patronato que queria decretar uma greve geral, temos a honra de informar:


GATO VADIO! Abertos quarta e quinta-feira à tarde (a partir das 15h! ufuf!); dia 25, sexta-feira, à noite, estaremos abertos como habitualmente para desenfastiar a rabanada!


O Cabaz que sempre pensou oferecer está à sua espera!


Diabolíada, Mikhaïl Bulgakov, & etc

O Livro Mau, A.dasilvaO. Edições Mortas

Conversas com Albert Cossery, Antígona

Urro – Então e tu, orgasmo, também já és de direita?, Vadios

Alucinações Verdadeiras, Terence McKenna, Via Óptima

Potlatch, O Boletim da Internacional Letrista, Fenda

Jukebox 1 & 2, Manuel de Freitas, Teatro de Vila Real

Negrume, Amadeu Baptista, & etc

A Caixa Negra, Josep Rodriguez, Averno

A Formação da Mentalidade Submissa, Vivente Romero, Deriva

Caderno de Demónios – Os últimos dias de Nietzsche…, Carlos Couto Sequeira Costa, Fenda

Autobiographie Mutuelles, Alberto Pimenta & César Figueiredo

O Preguiçoso, Samuel Jonhson, & etc

Un Coeteau entre les dents/Uma Faca nos Dentes (ed. bilingue), António José Forte, Ab Irato

Índio Branco, Le Clezio, Fenda

As Portas da Percepção, Aldous Huxley, Via Óptima

O Homem-Livre, Fillipe Verde, Angelus Novus

Zona Autónoma Temporária, Hakim Bey, Frenesi

Silogismos da Amargura, Cioran, Letra Livre

To the foreigners and tramps who goanna be hanging around in the muddy streets of Porto, come all to the Stray Cat on 25th of December / Aos estrangeiros e trampeiros que ficam à deriva no sapal desta cidade no dia de natal, venham ao Gato semear a concórdia!


Missa do Galo só a oficiada pelo Paul Bowles!!!

Foto de Célia Gomes

Aos poetas que morrem com muita, muita luz nos olhos.


«Um dos meus remorsos mais pungentes é ter contribuído, quando escrevi alguma poesia, para "enfeitar" de cultura as classes dominantes.»
Sebastião Alba


Não serão muitos os poetas que nos deixam sem palavras. O que dizer?

“Um poeta não se pega”, disse ele uma vez. Ou num poema, “Estar comigo/é o meu nativo/modo de estar”. Talvez desejasse desaparecer, deste mundo, desta vida. Frágil para nele viver, bravio para nele recusar acoitar-se. Nenhuma concessão. Desapareceu para estar vivo.

Na página 98 da Enciclopédia das Literaturas de Língua Portuguesa (Verbo, Lisboa/São Paulo, 1995), a entrada Alba (Sebastião) remete para Gonçalves (Carneiro). Na entrada Gonçalves (Carneiro), na pág. 852, diz-se: “Escritor português, desde muito novo radicado em Moçambique (Braga, 21.6.1941 – Moçambique, 20.1.1974). Frequentou o Instituto Liceal D. Gonçalo de Silveira, na Beira. (…) Obteve dois prémios da Câmara Municipal de Lourenço Marques: um, em 1965, com o conto “A lua do advogado”, e outro, em 1968, com uma poesia. Faleceu num acidente de viação. Em 1975, editou-se em Lourenço Marques “Contos e lendas”, uma colectânea de alguns dos melhores trabalhos do autor, única obra sua publicada”.

Será um equívoco? Ou, a única entrada da citada enciclopédia a fazer jus ao desejo do autor?

A 14 de Outubro de 2000, na noite dividida, foi atropelado na conhecida “rodovia” de Braga por um autocarro. Deixou um bilhete dirigido ao irmão: «Se um dia encontrarem o teu irmão Dinis, o espólio será fácil de verificar: dois sapatos, a roupa do corpo e alguns papéis que a polícia não entenderá».

Alba, continuas a assobiar?


Sebastião Alba

Leitura de poemas

Nuno Meireles e Júlio do Carmo Gomes

Domingo, dia 20 de Dezembro, 18h

Gato Vadio




“TÁ-SE”, Instalação Anti-Experimental com Base em imagens da Revolta Grega de há um ano atrás.

Por Bartldad Bashir e Yurgi Tzanov

(na Montra/Gato Vadio)

11, 12 e 13 de Dezembro 2009




Newsletter - Apresentação

Censurada na Bienal de Veneza, a instalação da dupla de artistas formada por Bartldad Bashir e Yurgi Tzanov atravessou o Atlântico para provocar motins em São Paulo, chegando agora à passiva e testosterónica cidade portuense, revelando-se num espaço mais vocacionado para a acção do que para a exposição.

Este “visual point” é uma experiência multi-disciplinar (e anti-disciplinária) pós-moderna realizada a título experimental e que em breve estará disponível nas livrarias Fnac’s e noutras grandes superfícies com o intuito de lembrar que você não existe senão enquanto mercadoria.






Um ano depois da programada e eficaz encenação da Crise Mundial e no fim-de-semana da Cimeira de Copenhaga, onde o teatro de actores respeitados continua em cena, (sempre com lotação esgotada e representando os interesses do espectador respeitador em geral), a Gato Vadio, preocupada com o espectador respectivo em particular, oferece-lhe “TÁ-SE”, um brinde* em estreia nacional.







* Pode conter vestígios da sua presença e apresentar espécies de casca-grossa.