Workshop de Pintura - Outubro

No mês de Outubro regressa o workshop de Pintura ao Gato Vadio. Em 6 "edições", participaram mais de 40 pessoas (algumas repetentes!) e, desta vez, esperamos por si. A duração total do workshop é de 12 horas repartidas por 4 manhãs. O preço de 65€ (mantém-se desde há um ano quando iniciámos o workshop de Pintura) inclui uma tela e o restante material necessário (tintas, pincéis, etc), não sendo por isso necessário trazer nada. A não ser talento, vontade, entusiasmo.

As inscrições devem ser pagas na livraria Gato Vadio (rua do Rosário 281) até ao dia 2 de Outubro, quinta-feira.

(Ver abaixo "cartaz" para mais informação).

Portugal, é fogo que arde sem se ver? - Debate - quarta-feira, 1 de Outubro, 21h30



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“A Memória e o Fogo. Portugal: O Cenário Invertido da Eurolândia”, de Jorge Valadas
Apresentação e Debate com o autor.
1 de Outubro, quarta-feira, 21h30. Entrada livre.

Jorge Valadas nasceu em Lisboa em 1945. Exilou-se em Paris, após ter desertado da Guerra Colonial que o Estado português prosseguiu ente 1961 e 1974 contra Angola, Moçambique e Guiné-Bissau.
A inquietação de raiz libertária e a vocação para questionar o mundo estão presentes nos ensaios que Jorge Valadas publica desde 1972 quando se estreou com o livro “Le Tigre de papier” (Spartacus, 1972, Paris), sobre o desenvolvimento do capitalismo na China entre 1949-1971.
Entre outras obras referimos “Portugal, l'autre combat (Spartacus, 1975) : classe et conflit dans la société”, escrito com F. Avila, C. Orsoni, B. Lorry e C. Ferreira; Voyage au bord d'une Amérique en crise (Traffic, 1992) e Au-delà des passes montagnes du Sud-Est mexicain (Ab Irato, 1996), ambos escritos com Sylvie Deneuve.
Sob o pseudónimo Charles Reeve e em co-autoria com Hsi Hsuan Wou, publicou recentemente “China Blues, voyage au pays de l'harmonie précaire”, editado pela Gallimard.

Editado pela Letra Livre o livro de Jorge Valadas «A Memória e o Fogo. Portugal: O cenário Invertido da Eurolândia» é um ensaio crítico sobre a política, a sociedade e a cultura portuguesa. O autor traz à superfície factos da sociedade portuguesa que têm vindo a ficar submersos no pântano da “amnésia administrada”, como escreveu Júlio Henriques no prefácio.


(Breve comentário para estimular o debate):

O livro A Memória e o Fogo. Portugal: O Cenário Invertido da Eurolândia aborda temas políticos que continuam a ser um nó na garganta de quem quer (ou não quer?) reflectir com honestidade sobre o passado e o presente do país. Tem o condão de nos fazer reflectir sobre o beco sem saída em que se tornou este território à beira-mar plantado, sazonalmente desencalhado pelo turismo e ancorado em figuras de proa, como o excelentíssimo Presidente da EU, que praticam “os grandes crimes entre amigalhaços” preferindo o oportunismo, a guerra e a morte à dignidade humana, ou em “socialistas geração blair-b(l)ush que fecham escolas e maternidades porque, um dia, os nossos filhos deverão nascer e estudar no Cairo onde existem grávidas e estudantes que cumprem os requisitos estatísticos do real-socialismo-socrático .
Se nas últimas décadas a mentalidade de vistas curtas que imperou nos centros de poder do Estado e nos grupos económicos tinha como paradigma e exemplo fazer de cada português um trolha ou empreiteiro, para que cidades (como o Porto, exemplo crasso) tivessem o número de fogos em ruína por habitante dos mais altos da Europa; para construir a torto e a direito apartamentos nos subúrbios das cidades para ficarem vazios no silêncio do betão; para negligenciar os espaços verdes e as florestas do país (dos 500 mil desempregados oficiais deste país, quantos estariam dispostos a receber um salário precário de 500 euros para vigiar e cuidar das florestas?; quantos helicópteros privados de políticos plenos de suspicácia deixariam de ser contratados a peso de ouro para regar com água os fogos que alastram e que, num verão, destroem um terço da aérea florestal do país, se em vez de ideias aéreas e estratosféricas se cuidasse das florestas como se cuida do betão e do asfalto?); para permitir que a estratégia de despoluição de rios infestados pela ganância é encerrar as portas da indústria têxtil do Ave e pegar nos Ferraris e ir para a Roménia explorar outras mulheres; para fazemos do Ensino superior (?) uma corrente de caixas do Jumbo e do Pingo-Doce ou emigrantes via Ryan Air, então, o que poderemos esperar quando a injecção de capital de Bruxelas começar a fechar o gargalo?

“Vida Extenuada”, de Fátima Maldonado - Sessão de Poesia, Domingo, 21 Setembro


Capa de Maja Marek



“Alguns não os víamos há anos
faziam parte da nossa mais salubre
juventude
no trabalho ainda havia escape
no amor ainda havia perigo
banquetes celebravam extorsões
compromissos sagrados aluíam
amores mais indeléveis
sucumbiam aos uivos
nas coutadas
frente à horda não havia defesa
aquele vírus jovem não cedia
pisava ameaças ignorava apelos
qualquer moderação nos parecia funesta.
(…)Os poucos resistentes engordaram
sofrem do coração bebem cerveja
têm a pasta surrada de desgostos
outros alistam-se na cave do comércio
mirram no pó as caudas abanadas
à cintura as facas do açougue,
sabujos escrevem coisas irrisórias
enquanto a terra se torna combustível.”
“Campo de Refugiados”, Fátima Maldonado




“O corpo não responde
às vozes de comando,
como um cão estropiado
já desdenha os apelos
os antigos convites
às funestas moradas,
esqueceu-se do ponto
vai olvidando senhas
os códigos das grutas
acumulando lixos
as servidões austeras
diluem-se num canto
o corpo não atende chamadas
não estremece ao ruído da chave
não suporta
qualquer intromissão
secou num aterro,
os restos à vista
a memória escava
da lembrança os rastos
avidamente suga
de tal fausto os ossos,
de tão vitais cerimónias
nos tão secretos barcos
mesmo o pouco que resta
ainda se mastiga.”
“Cerimónia Funesta”, Fátima Maldonado



Capa de “Vida Extenuada” criada por Maja Marek.
A apresentação contará com a presença de ambas.



Apresentação e Leitura de Poemas de “Vida Extenuada”, de Fátima Maldonado.
Domingo, 21 de Setembro, 18h.
Poemas lidos por Nuno Meireles
Gato Vadio

Leitura de "Bardo", de José Amaro Dionísio - Sábado, 20 de Setembro


“Ele quis morrer para arrasar a morte e voltar”, José Amaro Dionísio.





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Quem ficará – ficou – incólume depois de “Bardo”? Quem escolherá – escolheu – o esquecimento para arrumar as perguntas, desobrigando-se da resposta?

Na prosa da literatura portuguesa são muito poucos os escritos que abandonam o lirismo, as alegorias, os teoremas e os realismos, ou os frescos caricaturais que vão de Eça a Lobo Antunes, que largam o serviço, para se confrontarem com toda a violência contra o que escrevem/vivem: aqui, escrever, é a respiração. A pulso, com choro, com ódio, com colhões, com paixão. Sem concessões. E o peso do que inquieta e sobrevive tem, obrigatoriamente, que ter resposta. Bardo é de uma violência vital, implacável, ternurenta, humana.


“- Porque choras?

Ele diria, diz:

- Porque destruir tudo é a única alegria. Os melhores de entre os mortos virão depois para recomeçar.(…)

Ou talvez dissesse: os meus filhos hei-de deitá-los sempre da mesma maneira. E haveremos de brincar juntos, com galochas por causa do frio. Nos meses de inverno iremos de autocarro para a escola, e nos outros meses iremos a pé. Ou responderia ainda: eles têm armas, eu tive sede e às vezes um maço de cigarros.(…)

Nessa altura, não obstante ser dia, o homem sentiu medo. Pede à mulher que parta. Porquê?, pergunta ela. “Porque és a consciência física da minha solidão”, poderia o homem ter respondido. Mas levanta-se de regresso à cabana." in Bardo.


“Bardo”, de José Amaro Dionísio

Sábado, 20 de Setembro, 23h

Leitura a cargo de José Amaro Dionísio, Nuno Meireles e Júlio Gomes.



Um Certo Plume, Henri Michaux - Sábado, 13 de Setembro, 23h30

Dia 13 de Setembro vão chover Plumes no Gato Vadio!

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Leitura integral de Um certo Plume, de Henri Michaux.

Sábado, 13 de Setembro. 23h30

Gato Vadio

Rua do rosário 281 Porto


Almoçava Plume no restaurante quando o chefe-de-mesa se aproximou, olhou para ele com severidade e disse numa surda e misteriosa voz: “Aquilo que o senhor tem no prato não vem na lista”(…)Pagarei o que for preciso, como é óbvio. É um belo pedaço, não vou negá-lo. Pagarei sem hesitar o que valer. Se eu soubesse, de boa vontade teria escolhido outra carne ou simplesmente um ovo; de qualquer forma não sinto agora muita fome…”

“Eles só estavam interessados em puxar-lhe os cabelos. Não queriam fazer-lhe mal. Arrancaram-lhe a cabeça à primeira. Com certeza estava mal presa. Não costumam sair assim. Com certeza faltava-lhe qualquer coisa…”

“Num estúpido momento de distracção, Plume andou com os pés no tecto em vez de os conservar no chão. Por pouca sorte sua, quando reparou nisso era tarde de mais.”


Durante a sessão, em homenagem ao senhor Plume, será obrigatório comer caracóis e dar três cambalhotas encarpadas sempre que se referir a palavra Plume. Treinem meus amores, treinem muito…

AQUI HÁ GATO!

Na madrugada do dia 3 de Agosto o Gato Vadio (livraria, atelier de design, café-bar) foi assaltado. O gatuno furtou o computador portátil ou, em eufemismo policial, "subtraiu diversos artigos", como consta do auto do sub-chefe da 69ª divisão da esquadra do bairro. Ao furtar o bem materialmente mais valioso, o larápio insultou clamorosamente o nosso precioso espólio ao deixar intactas as nossas estantes. É repulsivo pensar que os "nossos" livros à mão de semear não tentaram o invasor.
Depois das medidas drásticas – abrir na noite seguinte com a fechadura estragada e a porta escaqueirada – não podíamos deixar em branco esta oportunidade suprema para estreitar laços e miados com a comunidade vadia. Muitos estão já ao corrente do vil acontecimento, comentando nas últimas semanas o "thriller" dos factos ocorridos em tão triste data. Uns lamentam, vaiando o patife que anda a monte (ou, mais sinistramente, entre nós...); outros, tecem elucubrações sobre o atentado valendo-se da literatura policial, "sub-género"(?!) que passou a ser o destaque do mês da livraria Gato Vadio. Ouvem-se ainda vozes lúcidas que apontam a nossa porta de anexo como um erro de investimento (agora corrigido, com cadeados chineses e fechaduras intransponíveis).
Da algazarra geral, não é de deitar fora a teoria da conspiração que aponta a Makrohard, filial oculta do potentado da Micosoftt e o pilar que sustenta a política de monopólio do arromba-Gates, como o mais remoto responsável pelo assalto. (Para breve, está prevista uma conferência de Noam Chomsky que versará este tema).
Despicienda parece a tese burguesa que vilipendia o pedreiro do bairro da maternidade que anda a biscates e cujo primo é o maioral da cadeia do Linhó e que aqui há duas semanas veio repor a caliça no tecto. Criativa e arrevesada (tiramos-lhe a kippa...), mas não menos preconceituosa, é a liturgia que nos chegou do último cabalista do Porto que interceptou uma mensagem críptica que imputava a um conhecido Kebabista do Bolhão o atentado a nossa ex-arca-frigorífica-escritório relicário de símbolos de David (malgrado David ter partido para pregar noutras paragens...) como sejam o tomo "Combate com o Demónio" do askenhaze Stefan Zweig (mais tarde convertido à carioquice…) ou a obra Judas Iscariotes de Thomas de Quincey, o comedor de ópio.
A credibilidade desta versão do cabalista caiu por terra quando soubemos que foi proferida no sábado passado, violando o sabbath sagrado.
Aproveitando as teses do médio-encéfalo houve quem se lembrou, por inferência, da CIA, pois no laptop surripiado constavam manifestos Vadios que escarnecem a soberba humana em pose G-8 e links suspeitos a sites suspeitos com links suspeitos.
Assinalamos que também o comité central emitiu um comunicado após reunião extraordinária com os órgãos máximos da célula partidária esclarecendo que a luta de classes continua e congratulando-se com o governo chinês e a festa da fraternidade dos povos agora finda. A defesa da classe operária, levou-nos a rejeitar estrepitosamente e por completo a solicitação feita por alguns vadios para que as ruas do quarteirão fossem patrulhadas a partir da meia-noite, pois desaparecendo os meliantes o que seria do pobre polícia que exerce escrupulosamente no seu "bureau", à frente da máquina de escrever, as suas tarefas diárias de bater relatórios e mais relatórios? Ao invés, estamos orgulhosos por terem palmado o portátil dando assim que fazer ao impoluto burocrata da nossa esquadra que conseguiu redigir um relatório policial sobre o assalto sem nunca referir o famigerado computador portátil!
Finalmente, para escárnio das hostes subversivas confirmamos que o supra-roubado portátil foi subsidiado pelo Ministério Geral de Bruxelas como fonte de incentivo à inovação e produtividade dos Vadios. Esperamos, do fundo do coração, que a nossa produtividade não saia beliscada, como aliás atesta o facto de os vadios-mor não terem interrompido as suas férias no Leste para se darem ao trabalho de escrever este já célebre, extemporâneo e imolado comunicado. Que venham mais couves!

Sem dúvida, alguém se aproveitou do facto de não termos trancas no espírito e nas ideias e, por silogismo muito "naif" e pouco literário, nas portas do Gato. Quanto mais próximo for o bandido da nossa comunidade mais merdoso é, pois violou o espírito da comunidade vadia e a casa onde, infelizmente, já entrara sem o pé de cabra. Como gostamos dos nossos Vadios e queremos o vosso bem (agora parece homilia...hóstias pró larapio!) avisamos que, de longe a longe, um copo passará a ter cianeto!

Viva o Gato Vadio sem portátil
Viva o Gato Vadio!
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Lembramos que continuamos abertos, terça a domingo, a partir das 21h até tarde!