Feira Vadia - Descontos, livros manuseados, livros em inglês...

18,19 e 20 de Julho

Vai a banhos ao Algarve?, leve “O Parasita” de Luciano de Samósata e “Uma Ambição no Deserto” de Albert Cossery!


Caros Leitores Vadios,

A conjuntura favorável dos grandes grupos editoriais, as oscilações dramáticas do preço do barril e a greve geral à leitura decretada nos idos do Terciário, não têm absolutamente nada a ver com esta história. Os nossos accionistas vivem na paz dos anjos e o terrível estio está à porta. O que queremos, caro Leitor, é o seu bem-estar! Caro cliente, este folheto volante é feito a pensar em si!!
Por isso, esta campanha promocional do Gato Vadio tem mais a ver com a política do chinelinho que se aproxima, tem a ver com o afinco com que gostamos de eliminar a sua adiposidade espiritual (consulte a nossa linha Fitness Literatura Light: “Morte ao Dante” 234gr; “Jack, O Estripador” 198 gr; “O meu suicídio” 144 gr; “A Nossa Necessidade de Consolo é Impossível de Satisfazer” 44gr…), por si estamos sempre dispostos a encarar de incisivo a sua voracidade livresca.
Caros Leitores Veraneantes, há ir e ir, e ler para não vegetar!

("clicar" na imagem!)

Preço dos livros manuseados em português, em inglês e em polaco: entre 1€ e 6€.

Henri Michaux - Poesia - Sábado, 12 de Julho


"Escrevo para me percorrer", Henri Michaux

“Há doenças que, quando curadas, deixam o homem sem mais nada”.
Henri Michaux
(1899-1984)

Tinha mais do que cinco sentidos, disse-o num dos seus poemas. “O da falta”, era um deles. Ou “seria antes uma grande floresta, daquelas que já não existem na Europa há muito tempo”? Percorreu os territórios sensoriais e geográficos contra os incêndios que deflagram nas “florestas” mais íntimas e oclusas do ser. Foi queimador de ópio na Ásia; foi “queimador” de charque e ayohasca na Amazónia; da morfina parisiense ou da mescalina no Cairo (experiências de pouca monta), mais do que tudo, foi um queimador de paisagens interiores. Fogos vitais a que supra-viveu; outros, nocivos e pouco fátuos, levaram-lhe partes da vida (Marie Louise Ferdière, sua mulher, Alfredo Gangotena, poeta-companheiro de viagem, Susana Soca, amiga íntima, todos morreram queimados). Vida poética também inspirada pelo vazio (Michaux dixit), pela força furibunda do vazio. Vazio e fogo, o rastilho existencial deste homem de coração débil, “pequeno buraco no peito” do qual sobrava sempre a lavra da poesia (da sua poética), medonhamente inextinguível. Ferida aberta que devora, tritura, aniquila aniquila, tritura, devora. É impossível a fixação dos seus textos: fugidios, escapáveis, metamorfoses furtivas, degenerativos, “meidosens”… Michaux foi sensacionista pessoano sem fronteiras e limites de heteronímia. “Tão-pouco quero reproduzir seja o que for do que já está no mundo”.
Assim jogou tudo – vida-morte, lucidez-loucura – com a sua própria pele; ajustou contas consigo e com o mundo através das suas artérias. “Escrevo para me percorrer. Pintar, compor, escrever: percorrer-me. Reside nisto a aventura de estar vivo”.


Poesia – Henri Michaux
Sábado, 12 de Julho – 23h30
Gato Vadio, rua do Rosário 281 Porto